Pix por aproximação deixa de ter teto fixo de 500 reais
O Pix por aproximação opera sem o teto regulatório de R$ 500,00 por transação em todo o território nacional após a entrada em vigor de nova determinação do Banco Central. A mudança permite que o valor de cada pagamento passe a ser estabelecido diretamente pelas configurações individuais de segurança definidas pelo correntista no aplicativo da sua própria instituição financeira.
A determinação consta na Instrução Normativa BCB nº 746 e unifica a sistemática de tetos da ferramenta de aproximação àquela já aplicada ao Pix tradicional efetuado por chave ou leitura de código QR. Com a medida, os usuários determinam os valores autorizados para transferências diurnas e noturnas conforme sua capacidade financeira e necessidades do cotidiano.
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“Ao permitir que o usuário ajuste o limite do Pix por aproximação dentro dos canais da sua instituição, a nova regra torna a experiência mais aderente às necessidades do dia a dia, sem perder de vista os mecanismos de segurança já incorporados ao ecossistema do Pix”, afirmou Breno Lobo, chefe adjunto do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro (Decem) do Banco Central.
Instrução Normativa nº 746 do Banco Central e as novas diretrizes
A retirada da trava financeira foi oficializada pelo Banco Central em 16 de junho de 2026, data de assinatura da Instrução Normativa BCB nº 746, que estabeleceu prazo de adaptação técnica de três meses para que bancos e cooperativas de crédito ajustassem seus sistemas operacionais e ferramentas de análise cadastral antes da vigência oficial em 1º de outubro de 2026.
O antigo limite de R$ 500,00 havia sido fixado como parâmetro inicial de proteção no momento em que a modalidade de aproximação começou a ser ofertada no sistema financeiro, com o objetivo de frear perdas em eventuais episódios de coerção física ou furto de aparelhos móveis. Com o amadurecimento dos sistemas de monitoramento em tempo real e a demanda do comércio varejista para viabilizar pagamentos de tíquetes mais expressivos sem atrito nos caixas, a autoridade monetária transferiu o controle para as políticas internas de risco de cada banco e para a vontade do cliente.
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A alteração regulatória abrange também as transações financeiras liquidadas por meio da Jornada Sem Redirecionamento (JSR) do Open Finance, ecossistema que permite a execução direta do pagamento via autenticação biométrica do próprio dispositivo móvel, sem que o comprador precise ser direcionado para o aplicativo do banco para validar a transação.
Passo a passo para ajustar o limite do Pix nos aplicativos bancários
Para alterar o teto operacional das transações por aproximação, os titulares de contas correntes ou poupanças precisam efetuar a parametrização manual diretamente nas plataformas das instituições financeiras autorizadas.
- Abra o aplicativo da instituição financeira em que mantém conta ativa e faça a autenticação pessoal de segurança.
- Localize o menu dedicado ao Pix e selecione a seção identificada como gestão de limites ou limites de transferência.
- Escolha a modalidade de Pix por aproximação ou pagamentos por aproximação entre as opções de transação disponíveis na tela.
- Defina o novo valor máximo permitido por operação ou limite diário para os períodos diurno e noturno.
- Confirme a solicitação pelo sistema de validação da conta, aguardando o prazo regulatório caso tenha solicitado aumento de limite.
Segundo orientações da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a redução de valores cadastrados tem aplicação imediata nos canais de atendimento, enquanto pedidos de aumento permanecem submetidos a prazos mínimos de aprovação e checagens preventivas do setor de segurança de cada instituição, respeitando as regras gerais já vigentes no ecossistema de transferências instantâneas.
Orientações da ABBC e dos bancos sobre prevenção a fraudes
A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) publicou orientações institucionais reforçando que os usuários devem calibrar seus limites operacionais levando em conta a renda e a rotina diária de gastos na rua, evitando deixar tetos elevados sem necessidade em aparelhos que circulam constantemente em locais públicos.
“Essa personalização contribui para ampliar o controle e a segurança das transações, inclusive em situações de perda, roubo ou furto do aparelho”, declarou a ABBC. A entidade de classe recomendou ainda que os clientes bancários realizem revisões periódicas das autorizações em seus aplicativos, readequando as faixas de valor sempre que constatarem mudanças relevantes nos seus hábitos de consumo ou percursos cotidianos.
O Banco do Brasil também se manifestou sobre as atualizações operacionais, ressaltando que o cancelamento da restrição imposta pela autarquia federal não altera o nível de vigilância sobre as movimentações da clientela. “As transações permanecem sujeitas aos processos de autenticação, às validações de segurança e à avaliação de risco aplicáveis a cada operação”, informou a instituição bancária.
Tecnologia NFC e a evolução do sistema desde o lançamento em 2020
O Pix foi introduzido oficialmente no Brasil pelo Banco Central em 16 de novembro de 2020, passando a consolidar a preferência nacional nas liquidações financeiras do cotidiano. Em 1º de fevereiro de 2025, o sistema passou a contar com o pagamento por aproximação via celulares e dispositivos móveis, valendo-se da tecnologia Near Field Communication (NFC), que viabiliza a transmissão criptografada de dados financeiros pela aproximação física do telefone à máquina de cartões sem contato mecânico.
Para utilizar a funcionalidade, o comprador precisa ter um telefone com sensor NFC ativado e vincular sua conta corrente a carteiras digitais compatíveis, a exemplo da Carteira do Google e da Samsung Wallet, ou executar a liquidação por meio dos próprios aplicativos proprietários desenvolvidos pelas instituições financeiras brasileiras.
O amadurecimento dos recursos digitais impulsionou o volume transacionado no país, que registrou recorde histórico divulgado pelo Banco Central em agosto de 2026, ocasião em que o sistema atingiu o marco de 8,11 bilhões de transações efetuadas no período de um mês.
Orientações de segurança para o uso do Pix por aproximação
A liberação de pagamentos sem o teto padrão exige que o usuário adote condutas preventivas na administração do aparelho celular e das carteiras virtuais vinculadas:
- Utilize senhas fortes de desbloqueio de tela e ative a biometria facial ou digital para autorizar a abertura do dispositivo e das carteiras móveis.
- Evite cadastrar limites de transferência acima da necessidade média prevista para gastos rotineiros fora de casa.
- Mantenha limites noturnos reduzidos para minimizar perdas patrimoniais em casos de abordagens criminosas no período da noite.
- Notifique imediatamente o banco emissor e solicite o bloqueio dos serviços digitais em caso de extravio, furto ou roubo do celular.
Os bancos mantêm ferramentas ativas de monitoramento comportamental para barrar operações discrepantes do perfil habitual de movimentação de cada correntista, aplicando retenções temporárias para checagem interna em casos de suspeita técnica de irregularidade.
