Bruce Davis morre aos 83 anos após ter 8 pedidos de liberdade condicional negados na Califórnia

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Bruce Davis, left, on March 12, 2014 - Department of Corrections and Rehabilitation Foto: Bruce Davis, left, on March 12, 2014 - Department of Corrections and Rehabilitation

O ex-integrante da seita comandada por Charles Manson, Bruce Davis, morreu aos 83 anos dentro do hospital penitenciário California Medical Facility, situado em Vacaville. O falecimento ocorreu às 23h03 de 11 de setembro de 2026, sendo atestado por uma enfermeira da própria instituição carcerária. A informação foi transmitida pela porta-voz do Departamento de Correções e Reabilitação da Califórnia, Mary Xjimenez.

O detento cumpria pena de prisão perpétua decorrente de sentenças emitidas na década de 1970. Sem obter autorização para progredir para o regime de liberdade condicional, ele permaneceu sob custódia estatal por mais de 50 anos até falecer no leito da ala médica.

Condenações por assassinatos de músico e dublê definiram pena perpétua

O tribunal da Califórnia condenou Davis em 1972 por duas acusações de homicídio em primeiro grau, relacionadas às mortes do músico Gary Hinman e do dublê Donald Shea. Ambos os crimes tiveram conexão com as atividades desenvolvidas no Spahn Ranch, propriedade em Chatsworth que servia de base para o grupo. Após o veredito, a maior parte do cumprimento da pena ocorreu na Prisão Estadual de San Quentin.

A invasão contra Gary Hinman começou como uma tentativa de arrecadar recursos para financiar a transferência do grupo de Los Angeles em direção a áreas desérticas. Diante da recusa da vítima em entregar dinheiro, Davis manteve o músico imobilizado sob a mira de uma arma de fogo, momento em que Charles Manson o golpeou com uma lâmina da orelha até a mandíbula. Já a morte de Donald Shea foi ordenada sob a acusação interna de que ele atuava como delator da polícia, levando Steve Grogan, Charles Watson e Davis a conduzirem a vítima para uma área isolada, onde efetuaram múltiplos golpes mortais com facas.

Integrantes da promotoria e funcionários do sistema penitenciário descreveram Davis como uma figura que exercia funções de liderança na organização criminosa. O réu assumiu participação no ataque contra Shea e declarou formalmente, durante audiência em 2014, que cometeu os atos motivado pela busca de aprovação do chefe do grupo. Em contrapartida, ele sempre afirmou perante os magistrados que não participou nem tinha conhecimento prévio da invasão em Benedict Canyon que terminou com o assassinato da atriz Sharon Tate e de outras quatro pessoas.

Veto de governadores bloqueou oito decisões favoráveis de soltura

A comissão de liberdade condicional concedeu a Davis a avaliação favorável para deixar o presídio em oito ocasiões distintas a partir de 2010. Contudo, os chefes do Poder Executivo estadual exerceram o poder de veto em todas as recomendações, impedindo a concretização da soltura.

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Os governadores Arnold Schwarzenegger, Jerry Brown e Gavin Newsom barraram sucessivamente os pareceres emitidos pelos conselheiros. Ao justificar a negativa assinada em 2021, Newsom pontuou que o detento ainda minimizava sua responsabilidade nos fatos e demonstrava pouca empatia pelo sofrimento imposto às famílias. O governador destacou na decisão que a participação ativa em planos violentos colaborou diretamente para execuções e torturas, independentemente de quem desferiu o golpe fatal.

O processo de reavaliação sofreu nova interrupção em 2024, quando o comitê descobriu a gravação não autorizada de uma participação de Davis em um programa em áudio voltado a relatos de crimes. A comissária Julie Garland apontou que a conduta violava normas internas, sobretudo pela intenção manifestada de produzir memórias e conduzir palestras explorando o histórico da seita.

A advogada Ananda Hart rebateu as acusações institucionais, alegando que o cliente não almejava ganhos financeiros nem pretendia glamorizar atos passados, mas sim relatar sua trajetória como forma de alerta. A defesa sustentou que Davis obteve títulos universitários de graduação e pós-graduação enquanto esteve encarcerado, além de manter histórico disciplinar sem advertências. O antigo defensor do apenado, Michael Beckman, já havia declarado perante o judiciário que Davis apresentava o mais elevado grau de reabilitação entre os detentos que ele representou.

Suspeitas sobre mortes sem desfecho envolveram apurações na Inglaterra

O promotor Stephen Kay qualificou Davis em audiências históricas como um dos participantes mais violentos do bando. Ele ressaltou que o sentenciado portava armas habitualmente e operava com frieza nas investidas criminosas.

Investigadores de agências policiais mantiveram linhas de apuração sobre o papel do grupo em casos de mortes não esclarecidas ocorridas tanto nos arredores de Santa Monica quanto fora dos Estados Unidos. Entre os episódios examinados pelas autoridades constavam ocorrências de grande repercussão:

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  • Morte de Joel Pugh no Talgarth Hotel, em Londres, encontrado com cortes profundos na garganta e nos pulsos.
  • Morte de John Haught no bairro de Venice, registrada incialmente como disparo acidental durante jogo de roleta-russa.

No caso registrado na Inglaterra, Pugh mantinha relacionamento com a integrante da seita Sandra Good, ligação reprovada por Charles Manson, o que motivou questionamentos sobre a presença de Davis em solo britânico naquele período. Já em relação ao óbito de Haught em novembro de 1969, policiais constataram que Davis estava no mesmo imóvel na hora do tiro e estranharam a ausência total de impressões digitais na arma apreendida.

Situação penal dos outros integrantes da seita após morte do líder

O fundador do grupo, Charles Manson, morreu em novembro de 2017 aos 83 anos enquanto cumpria sua pena no sistema penitenciário da Califórnia. O Estado manteve restrições severas aos demais cúmplices das mortes de 1969, embora Leslie Van Houten tenha conseguido liberdade em 2023 após um tribunal anular a decisão do governador que impedia sua saída.

Em 2025, o governador Gavin Newsom também utilizou prerrogativa legal para barrar a concessão de liberdade condicional aprovada pela comissão em favor de Patricia Krenwinkel. A política de manter o cumprimento integral das condenações a membros do grupo continuou orientando os despachos oficiais do governo estadual.

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