Minha Casa, Minha Vida amplia atuação na Baixada Santista com 266 unidades
A Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida somou 266 apartamentos residenciais lançados na Baixada Santista ao longo do primeiro semestre de 2026. O levantamento da consultoria Brain Inteligência Estratégica mostra que a totalidade das novas moradias dessa categoria na região ficou restrita aos municípios de Praia Grande e Guarujá.
Em todo o Brasil, os lançamentos enquadrados na modalidade alcançaram 18.538 unidades habitacionais no mesmo intervalo. Apesar do volume absoluto regional, os números refletem um ritmo moderado no Estado de São Paulo, onde o total de lançamentos na Faixa 4 recuou 12,8% em relação a 2025, passando de 4.462 imóveis para 3.893 unidades entre janeiro e junho de 2026.
Distribuição dos imóveis da Faixa 4 em Praia Grande e Guarujá
A divisão regional apontada pela pesquisa indica que Praia Grande recebeu a maior fatia dos empreendimentos no litoral paulista, com 158 unidades residenciais. As outras 108 moradias foram apresentadas no mercado imobiliário de Guarujá, sem registros amostrais de lançamentos dessa categoria em outras cidades da região metropolitana.
A grande maioria dos imóveis projetados para a região segue um formato padrão voltado a famílias pequenas. Do total de 266 unidades lançadas na Baixada Santista, 255 apartamentos possuem tipologia com dois dormitórios e área útil de até 50 metros quadrados. O preço médio do metro quadrado apurado nos empreendimentos locais gira em torno de R$ 9 mil.
Panorama nacional e recuo da Faixa 4 no Estado de São Paulo
O desempenho paulista acompanhou oscilações expressivas no interior e na capital, com desaceleração em polos econômicos tradicionais. O sócio-consultor da Brain Inteligência Estratégica, Marcelo Gonçalves, avaliou que o segmento ainda busca consolidação operacional.
“Neste momento, não é possível afirmar que a Faixa 4 começou a ganhar tração, pois os lançamentos diminuíram em relação a 2025. No Estado de São Paulo, por exemplo, os lançamentos saíram de 4.462 unidades em 2025 para 3.893 no primeiro semestre de 2026 (redução de 12,8%)”, afirmou Gonçalves. A retração mais severa no Estado ocorreu na Região Metropolitana de São Paulo, que teve queda de 62,3% nos lançamentos da categoria, enquanto Sorocaba registrou baixa de 59,2% e Ribeirão Preto recuou 52%.
No recorte geográfico das 18.538 unidades apresentadas em todo o território nacional durante os primeiros seis meses de 2026, a distribuição entre as regiões ocorreu nos seguintes volumes:
- Região Sudeste: 10.636 unidades residenciais lançadas
- Região Sul: 4.224 unidades residenciais lançadas
- Região Nordeste: 2.891 unidades residenciais lançadas
- Região Centro-Oeste: 456 unidades residenciais lançadas
- Região Norte: 331 unidades residenciais lançadas
Regras operacionais e condições de acesso para famílias de classe média
A Faixa 4 atende famílias com renda familiar bruta mensal de até R$ 13 mil, oferecendo financiamentos imobiliários para unidades com valor de avaliação de até R$ 600 mil e prazo para amortização da dívida em até 420 meses, o equivalente a 35 anos. As regras operacionais em vigor foram fixadas pelo Ministério das Cidades por meio da Portaria MCID nº 333/2026, de 1 de abril de 2026, e começaram a ser operadas pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil em 22 de abril de 2026.
Diferentemente do que ocorre nas faixas de renda menor do programa habitacional, o modelo não contempla subsídio financeiro governamental direto para abater o valor de entrada cobrado na compra do bem. A vantagem oferecida ao mutuário está na aplicação de taxas de juros inferiores àquelas praticadas no crédito livre de mercado do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), mas a exigência de recursos próprios à vista permanece como barreira para parte dos compradores.
“Como os imóveis das Faixas 3 e 4 não contam com subsídio direto do governo (como acontece nas Faixas 1 e 2), a aquisição depende integralmente do poder de financiamento e da taxa de juros. Sem o aporte do subsídio para abater a entrada, a importância de se ter poupança no ato da compra aumenta significativamente, e estamos falando de um momento de alto endividamento”, declarou Gonçalves.
Expectativa dos construtores da Baixada Santista
O setor produtivo da construção civil avalia que a ampliação dos limites operacionais trouxe segurança para o planejamento de projetos de médio padrão. Antes da revisão em abril, a Faixa 4 atendia rendas entre R$ 8 mil e R$ 12 mil, com teto de avaliação de R$ 500 mil estabelecido na criação da linha pelo governo federal em 2025.
O presidente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob), Mateus Teixeira, ponderou que o segmento ainda está em fase de estruturação pelas companhias que atuam no litoral sul paulista. “Muitas empresas já incorporaram esse segmento aos seus estudos e planejamentos para novos empreendimentos. Na Baixada Santista, entretanto, esse movimento ainda é relativamente pequeno, embora exista uma tendência de crescimento ao longo dos próximos anos”, disse Teixeira.
O dirigente ressaltou que as especificações construtivas dos projetos recentes buscam atender às exigências de conforto das famílias de classe média que buscam o crédito habitacional. “É importante destacar que muitos imóveis enquadrados nas Faixas 3 (imóvel até R$ 400 mil) e 4 já apresentam equipamentos de lazer e conveniência semelhantes aos encontrados em empreendimentos de médio e alto padrão”, completou o presidente da Assecob.
Até a divulgação deste levantamento, não constavam registros de unidades lançadas na Faixa 4 em outros municípios da Baixada Santista, como Santos, São Vicente e Cubatão, na base amostral apurada pela consultoria imobiliária.
