Quem é Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão nas eleições de 2026

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Renan Santos - Instagram Foto: Renan Santos - Instagram

O coordenador e cofundador do Movimento Brasil Livre (MBL) Renan Santos disputa sua primeira eleição neste domingo (4) como candidato à Presidência da República pelo partido Missão. A legenda fundada por ele teve o registro homologado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em novembro de 2025 e participa de um pleito pela primeira vez com chapa própria ao Palácio do Planalto.

O empresário e ativista político votou pela manhã na Escola Estadual Professor José Geraldo de Lima, na Vila Friburgo, zona sul da capital paulista. Ele declarou que o processo eleitoral tem sido atípico no país: “Acho que estão presenciando aí a eleição mais estranha desde a redemocratização, desde a eleição de 89. E ela foi construída pra ser vazia porque as forças políticas que hoje são majoritárias elas basicamente são envolvidas em escândalos de corrupção gigantescos, não querem ter discussão, têm medo que surja outsider, morrem de medo da novidade”, afirmou.

Dados da candidatura e votação de Renan Santos

  • Candidato a presidente: Renan Santos (Missão), 42 anos
  • Candidato a vice-presidente: Aroldo Medina, Coronel Medina (Missão)
  • Local de votação do candidato: Escola Estadual Professor José Geraldo de Lima, Vila Friburgo, São Paulo
  • Horário oficial de votação nacional: das 8h às 17h (horário de Brasília) em 4 de outubro de 2026
  • Patrimônio declarado à Justiça Eleitoral: R$ 795.089,00

Trajetória política de Renan Santos desde o surgimento do MBL

A atuação pública de Renan Santos teve início expressivo em 2014, quando participou da fundação do MBL durante os protestos de rua que pediam a saída da então presidente Dilma Rousseff, processo que resultou no impeachment em 2016. Nascido na cidade de São Paulo, o candidato tem 42 anos, estudou direito na Universidade de São Paulo (USP) sem concluir a graduação e atuou nos bastidores da articulação política do movimento ao longo da última década.

No segundo turno da disputa presidencial de 2018, o grupo liderado por Renan Santos apoiou a candidatura vitoriosa de Jair Bolsonaro diante de Fernando Haddad, mas rompeu formalmente com o governo federal no decorrer de 2019. A partir do distanciamento, o MBL enfrentou um processo de reposicionamento político e passou a exercer oposição tanto à gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto aos aliados do ex-presidente, mantendo ataques constantes ao senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário direto na eleição de 2026.

A estruturação partidária própria avançou em 18 de outubro de 2023, data em que o estatuto e o programa de fundação da nova agremiação foram publicados no Diário Oficial da União. Dois anos depois, em 4 de novembro de 2025, o TSE confirmou o registro definitivo do Missão. Na eleição geral de 2026, a legenda registrou 532 candidatos distribuídos em 25 estados brasileiros e no Distrito Federal, sem coligações formais com outras legendas majoritárias.

O que propõe o plano de governo do partido Missão?

O programa de governo da candidatura foi batizado de Livro Amarelo e teve lançamento oficial no primeiro Congresso Nacional do Partido Missão, realizado em 1 de agosto de 2026. O plano prevê um conjunto de reformas administrativas e fiscais, com desvinculação de pisos constitucionais em saúde e educação, além de uma nova revisão das regras da previdência social. Os cálculos da legenda projetam que o pacote de medidas fiscais pode economizar R$ 1,1 trilhão até o ano de 2031 com o objetivo de conter o ritmo de endividamento da União.

Na segurança pública, o candidato defende intervenções inspiradas no modelo adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, sugerindo a decretação de estado de defesa e o enquadramento de facções criminosas como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Em sabatina concedida durante a campanha, Renan Santos detalhou a proposta: “Se você é um bandido, você tem apenas duas opções no meu governo. Ou você vai ser preso, ou se você reagir, você vai terminar morto ou machucado. […] A regra hoje é o prendeu, soltou”, declarou.

Saiba mais: Renan Santos escolhe ex-militar Aroldo Medina para compor chapa presidencial do partido Missão

Metas financeiras e administrativas do programa do Missão

  • Investimento de R$ 6 bilhões destinado à construção de novos presídios federais e estaduais
  • Economia fiscal projetada de R$ 1,1 trilhão até 2031 por meio de cortes de gastos e reformas
  • Transformação de 12 mil favelas em bairros urbanizados com titulação formal de propriedades
  • Total de 532 candidaturas registradas pela legenda para cargos proporcionais e majoritários no país

Estratégia de campanha sem tempo de rádio e televisão

Sem direito a inserções e blocos na propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão por causa das regras de representação parlamentar da Justiça Eleitoral, a campanha de Renan Santos foi montada em transmissões nas redes sociais e deslocamentos rodoviários. O candidato percorreu cidades do interior e capitais de carro para promover o discurso antissistema contra as forças políticas tradicionais, mirando principalmente o eleitorado jovem.

Durante a pré-campanha e os debates, o candidato também abordou episódios que atingiram o grupo político nos últimos anos, como a cassação do mandato de deputado estadual de Arthur do Val pela Assembleia Legislativa de São Paulo em 2022. Na ocasião, áudios com comentários sexistas sobre mulheres ucranianas citavam viagens de Renan Santos pela Europa batizadas de “tour des blondes”, episódio classificado pelo candidato à Presidência como uma conversa inadequada de foro privado.

As pesquisas eleitorais de intenção de voto do primeiro turno situaram Renan Santos na faixa entre 3% e 6%. Com o encerramento do horário de votação às 17h deste domingo, o Tribunal Superior Eleitoral iniciou a totalização dos votos das urnas eletrônicas para definir a colocação final do Missão e os nomes que avançarão para a disputa do segundo turno.

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