Fóssil de réptil marinho revela sistema digestivo de 245 milhões de anos
Pesquisadores identificaram o fóssil do réptil marinho Austronaga minuta com estômago, fígado e intestinos intactos na província de Yunnan, no sudoeste da China. O achado de 245 milhões de anos representa o mais antigo registro conhecido de um sistema digestivo completo preservado em um réptil fóssil.
O exemplar quase completo foi analisado por especialistas do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia da Academia Chinesa de Ciências, em parceria com instituições da Europa. A pesquisa revelou que o animal carnívoro possuía tecidos viscerais com contornos nítidos e vestígios biológicos ainda identificáveis na rocha.
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Como os tecidos do Austronaga minuta resistiram ao tempo?
A preservação de partes moles corporais representa uma ocorrência rara no registro geológico mundial porque estruturas internas como vísceras e condutos digestivos entram em decomposição logo após a morte. No caso do espécime catalogado na Formação Guanling, na aldeia de Waina, condado de Luoping, os cientistas recorreram a fotografias sob iluminação ultravioleta e exames de espectrometria de massas para isolar as camadas celulares fossilizadas sob a matriz rochosa.
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As análises laboratoriais demonstraram que a cavidade abdominal apresentava uma coloração avermelhada característica no lobo hepático, associada diretamente a resquícios de ferro metálico. Os ensaios químicos detectaram fragmentos moleculares de hemoglobina, a proteína presente no sangue responsável pelo transporte de oxigênio pelo sistema circulatório, sobrevivendo mineralizada por centenas de milhões de anos.
“Comparados com o formato corporal altamente especializado do Austronaga, seus órgãos internos parecem menos modificados. Os órgãos preservados incluem um estômago grande em forma de saco na parte frontal, seguido por um fígado surpreendentemente vermelho no qual traços de hemoglobina ainda podem ser detectados”, afirmou Wei Wang, pesquisador do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia e autor principal do trabalho, em tradução livre.
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Anatomia e medidas do fóssil marinho
Com cerca de 60 centímetros de comprimento total, o réptil exibia um corpo alongado e proporções incomuns adaptadas à vida aquática. O esqueleto conta com membros anteriores proporcionalmente maiores do que os posteriores, o que indica que as nadadeiras da frente atuavam diretamente na estabilização e no direcionamento durante o nado em águas abertas.
Dentro da cavidade do trato estomacal fossilizado, a equipe de paleontologia encontrou restos mineralizados de escamas de peixes antigos. Essa evidência direta comprovou a dieta ictiófaga do réptil marinho, que utilizava sua dentição pontiaguda e o pescoço comprido para capturar presas ágeis nas correntes costeiras do período Triássico Médio.
Detalhes do réptil marinho catalogado na China
- Comprimento total: aproximadamente 60 centímetros da ponta do focinho à cauda
- Número de vértebras: 18 vértebras cervicais no pescoço e 71 vértebras caudais identificadas
- Unidade geológica: Formação Guanling, localizada na aldeia de Waina, no condado de Luoping
- Instituição de guarda e estudo: Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia de Pequim
Evolução digestiva dos arcossauros ao longo das eras
O estômago do Austronaga minuta era formado por uma única câmara simples, modelo anatômico primitivo que contrasta diretamente com a estrutura estomacal encontrada nos arcossauros modernos. Aves e crocodilos da fauna contemporânea apresentam o órgão dividido em duas cavidades distintas, sistema que surgiu posteriormente no processo evolutivo desse grupo de vertebrados.
A descoberta preenche uma lacuna morfológica sobre como linhagens basais de arcossauromorfos prosperaram nos oceanos logo após a extinção em massa do Permiano-Triássico. Até a publicação das novas análises, a adaptação interna e fisiológica desses répteis aos ecossistemas marinhos era considerada bastante limitada pelos especialistas em anatomia comparada.
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“Enquanto as aves e os crocodilos de hoje têm um estômago em duas partes, o Austronaga possuía apenas uma única câmara estomacal. Isso mostra que os estômagos dos arcossauros eram inicialmente bastante simples e só evoluíram mais tarde no processo evolutivo”, declarou Nicholas C. Fraser, paleontólogo do Museu Nacional da Escócia e coautor da investigação científica, em tradução livre.
Stephan N. F. Spiekman, paleontólogo do Museu Estadual de História Natural de Stuttgart e da Universidade de Hohenheim, na Alemanha, indicou que a documentação completa dos tratos internos permite compreender as fases intermediárias da colonização do meio aquático por vertebrados cujos antepassados imediatos viviam em terra firme.
Cronologia da pesquisa sobre o Austronaga minuta
- 29 de julho de 2026 — Publicação formal do artigo com a descrição dos órgãos na revista científica Science Advances
- 29 de setembro de 2026 — Divulgação coordenada da análise por museus europeus e centros de divulgação científica
- 1 de outubro de 2026 — Atualização dos registros de paleobiologia de répteis triássicos com dados do espécime chinês
Pontos pendentes sobre o exemplar fossilizado
Apesar da caracterização das duas placas rochosas que preservam o espécime de referência identificado pelo código IVPP V18579, a data exata da escavação original das peças em Luoping não foi detalhada no relatório científico. A idade do estrato de rocha calcária é estimada formalmente em 245 milhões de anos por marcadores bioestratigráficos do estágio Anisiano, embora publicações secundárias tenham citado pequenas variações no cálculo geológico da jazida.
