OMS cria diretrizes contra calor extremo em eventos de massa
A Organização Mundial da Saúde lançou em Genebra, na Suíça, um pacote de diretrizes e ferramentas técnicas para orientar governos e organizadores a prevenir e controlar problemas de saúde decorrentes do calor extremo em eventos de grande porte. A instituição constatou que mais de 90% das pessoas que sofrem complicações associadas às altas temperaturas em aglomerações conseguem receber o atendimento médico necessário no próprio local da atividade, contanto que haja estrutura assistencial montada previamente para evitar a sobrecarga de hospitais da região.
O diretor-executivo do Programa de Emergências de Saúde da OMS, Chikwe Ihekweazu, afirmou que a vulnerabilidade climática precisa ser tratada como parte essencial da operação desse tipo de encontro. “O calor extremo é uma ameaça crescente à saúde, à segurança e à continuidade operacional em eventos de massa, e deve ser enfrentado não apenas como um perigo ambiental, mas como um desafio central de operação e governança”, declarou Chikwe Ihekweazu, em tradução livre do comunicado oficial emitido na quarta-feira, 30 de setembro de 2026.
Quais medidas a OMS recomenda para eventos sob calor intenso?
As novas orientações estabelecem um conjunto de procedimentos operacionais e de infraestrutura que os promotores de eventos culturais, competições esportivas, festivais e celebrações religiosas devem adotar de maneira articulada antes da abertura dos portões e ao longo de toda a realização das atividades. De acordo com o documento oficial, os organizadores precisam garantir o fornecimento contínuo e gratuito de água potável em pontos de fácil acesso, instalar banheiros acessíveis e disponibilizar áreas estruturadas de resfriamento para o público presente.
A elaboração técnica também recomenda a adaptação de cronogramas para evitar a realização de apresentações ou partidas nos horários com as temperaturas mais agressivas do dia. O planejamento deve contemplar o controle rígido dos fluxos de multidões nos acessos e saídas, modelos preventivos de comunicação direta com os frequentadores sobre os riscos térmicos e a estruturação de um sistema de vigilância epidemiológica com capacidade de monitorar atendimentos médicos e sintomas clínicos em tempo real dentro do perímetro da aglomeração.
Em sua avaliação técnica sobre a responsabilidade coletiva na gestão de multidões sob temperaturas elevadas, Chikwe Ihekweazu reforçou a necessidade de ações estruturais prévias. “A proteção não pode depender apenas do comportamento individual; ao fortalecer a avaliação de risco, a preparação e a resposta de forma consistente, podemos reduzir os danos imediatos e apoiar um planejamento de eventos mais seguro e resiliente em um mundo em aquecimento”, destacou o diretor-executivo do Programa de Emergências de Saúde da OMS, também em tradução livre.
Dados da revisão da OMS sobre atendimentos médicos entre 1980 e 2025
O conjunto normativo teve como base analítica uma ampla revisão sistemática elaborada pela entidade com estudos publicados entre 1980 e 2025 sobre assistência médica emergencial em episódios de aglomerações em diversas partes do planeta. A pesquisa rastreou as ocorrências clínicas mais frequentes nesses recintos e identificou a dimensão exata do impacto provocado pela exposição térmica prolongada sobre o organismo dos frequentadores e dos trabalhadores presentes nas operações.
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- Quase 500 mil atendimentos médicos globais em eventos analisados na revisão técnica entre 1980 e 2025
- Mais de 22 mil casos diagnosticados como complicações e doenças diretamente associadas ao estresse térmico
- Mais de 90% dos pacientes com problemas por calor tratados dentro do próprio recinto com suporte adequado
- 63% de aumento estimado na taxa de mortes decorrentes do calor no planeta desde a década de 1990
- 546 mil óbitos anuais em média registrados no mundo em razão do estresse térmico entre 2012 e 2021
Proteção contra o calor se estende a trabalhadores e voluntários
A formulação da OMS determina de forma explícita que os protocolos preventivos não fiquem restritos exclusivamente aos espectadores, atletas ou fiéis presentes nas celebrações. As medidas de mitigação incluem proteções obrigatórias para equipes operacionais de montagem de palcos e arquibancadas, funcionários de limpeza, equipes de segurança privada, profissionais de apoio logístico e voluntários que cumprem jornadas expostos à radiação solar direta ou a ambientes abafados durante a preparação e a desmontagem das estruturas.
A entidade apontou que a sobreposição de fatores como longos períodos em áreas abertas, permanência contínua sob o sol, retenção causada por grandes multidões e dificuldade física de locomoção até pontos de hidratação eleva o estresse térmico a patamares de risco à vida. Ao prever estruturas de descanso cobertas, revezamento de postos operacionais e postos avançados de saúde com equipes treinadas, o plano visa impedir desidratações agudas, colapsos circulatórios e a saturação dos serviços locais de ambulância.
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Ferramenta de risco e histórico climático divulgado pelo IPCC
Como instrumento de auxílio imediato para organizadores e autoridades sanitárias municipais, a OMS publicou uma ferramenta prática autônoma em formato de planilha. O dispositivo digital foi concebido para calcular o risco térmico projetado para o local antes da data programada e mensurar as condições de calor durante o evento, permitindo que a equipe de saúde tome decisões imediatas de intervenção operacional caso a temperatura ultrapasse limites de segurança previamente estabelecidos.
O endurecimento dessas orientações acompanha dados consolidados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, que registrou um aumento na frequência e na gravidade de episódios de calor extremo e ondas de calor na maior parte das regiões continentais desde a metade do século 20 em decorrência das mudanças climáticas globais. Entre 2012 e 2021, o estresse térmico causou uma média de 546 mil mortes por ano no mundo, o que consolidou a necessidade de protocolos formais para qualquer atividade que reúna multidões.
Parâmetros e diretrizes da OMS para eventos de massa
- Data de divulgação das diretrizes: quarta-feira, 30 de setembro de 2026
- Sede de publicação do documento: Genebra, Suíça
- Órgão emissor: Organização Mundial da Saúde por meio do Programa de Emergências de Saúde
- Público abrangido pelas normas: participantes, espectadores, voluntários e trabalhadores da montagem e operação
- Recursos técnicos fornecidos: manual de orientações, planilha de avaliação de risco térmico e modelos de comunicação
O material técnico disponibilizado pela instituição serve como parâmetro técnico global para federações esportivas, produtoras de espetáculos e autoridades públicas locais estruturarem seus planos de contingência contra ondas de calor.
