Suspeita de peste pulmonar na Rússia leva 189 a isolamento hospitalar

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Dalia Shipilova - Reprodução/Vk.ru Foto: Dalia Shipilova - Reprodução/Vk.ru

A assistente de laboratório russa Daria Shipilova, de 28 anos, morreu no hospital distrital de Shelekhov após apresentar um quadro grave de insuficiência respiratória e pneumonia, sob suspeita de contaminação acidental por peste pulmonar. O caso levou autoridades sanitárias da região de Irkutsk, na Sibéria, a colocar quase 200 pessoas em isolamento preventivo e gerou atenção internacional.

O incidente inicial ocorreu em 25 de setembro de 2026, quando Shipilova quebrou acidentalmente um tubo de ensaio com a bactéria Yersinia pestis nas dependências do Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk da Sibéria e Extremo Oriente, onde trabalhava. Quatro dias após o contato, em 29 de setembro de 2026, a jovem procurou atendimento médico e foi internada com complicações pulmonares severas, falecendo na madrugada de sexta-feira (2).

Isolamento de contatos e medidas sanitárias em Irkutsk

A morte mobilizou uma operação de rastreamento epidemiológico imediata. Cerca de 197 a 200 pessoas que tiveram contato direto ou indireto com a profissional entraram em regime de observação estrita. Desse grupo, 189 pessoas foram internadas ou isoladas em unidades de saúde locais e no próprio centro de pesquisa. Uma quarentena com duração de 3 semanas foi estabelecida em hospitais da região de Irkutsk para conter eventuais transmissões.

O governador da região de Irkutsk, Igor Kobzev, afirmou que o monitoramento sobre a cadeia de transmissão permanece contínuo e com resultados negativos até o momento. “Todos os contatos próximos identificados foram colocados sob supervisão médica. Até o momento, os contatos próximos não apresentam sinais de doença, e os resultados dos seus testes laboratoriais deram negativo”, disse o governador, em declaração traduzida do inglês.

Dados do caso registrado na região de Irkutsk

  • Vítima: Daria Shipilova, assistente de laboratório de 28 anos
  • Local da internação e óbito: Hospital distrital de Shelekhov, Rússia
  • Instituição de pesquisa: Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk da Sibéria e Extremo Oriente
  • Data do incidente no laboratório: sexta-feira, 25 de setembro de 2026
  • Data do óbito: sexta-feira, 2 de outubro de 2026, na madrugada
  • Pessoas monitoradas: entre 197 e 200 pessoas mapeadas, com 189 internadas ou isoladas
  • Duração da quarentena: 3 semanas nas unidades de saúde locais

Divergência entre laudos e monitoramento de Daria Shipilova

A agência federal russa de proteção ao consumidor e vigilância sanitária, Rospotrebnadzor, chefiada pela médica sanitária-chefe Anna Popova, sustenta oficialmente que o falecimento ocorreu por pneumonia de etiologia desconhecida. O órgão federal afirmou que as análises laboratoriais preliminares não detectaram bactérias associadas ao trabalho cotidiano da assistente e negou falhas nos protocolos de biossegurança interna. Em contrapartida, informações divulgadas pela imprensa independente local, relatos de profissionais hospitalares e manifestações do governador da República da Buriátia, Alexei Tsydenov, apontam para a ocorrência do acidente biológico.

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O Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk foi fundado em 1934 justamente para mapear, investigar e deter surtos de agentes patogênicos altamente perigosos na Ásia Setentrional, incluindo a bactéria Yersinia pestis, causadora das formas bubônica, septicêmica e pulmonar. A forma pulmonar é considerada a mais grave por permitir a transmissão respiratória entre pessoas. O último registro de infecção humana por peste na Rússia havia ocorrido em 2016, quando uma criança de 10 anos contraiu o microrganismo ao manusear uma marmota na região de Altai.

Nesta segunda-feira (5), autoridades dos Estados Unidos informaram que acompanham o desdobramento do caso na Sibéria. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou a jornalistas que a Casa Branca observa a evolução das medidas de contenção. “Estamos assistindo e monitorando de perto. Não creio que seja motivo de alarme, mas é motivo de atenção e uma razão para continuarmos atentos”, afirmou Rubio, em tradução livre.

Até o momento, não existe laudo laboratorial público definitivo que comprove a presença de peste pulmonar no organismo da paciente, mantendo-se o registro formal como pneumonia de causa desconhecida enquanto as análises prosseguem.

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