Polícia Civil desarticula fraude em taxímetros no Aeroporto do Galeão

Aeroporto Galeão - Box Lab / Shutterstock.com Foto: Aeroporto Galeão - Box Lab / Shutterstock.com

O Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, foi o ponto central de uma operação da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro deflagrada na quinta-feira (8) contra um esquema criminoso que adulterava taxímetros para superfaturar valores cobrados de passageiros. A ação desarticulou uma rede que utilizava dispositivos eletrônicos clandestinos nos veículos para elevar os preços das viagens entre 20% e 50%, gerando cobranças abusivas que chegaram a R$ 900,00 em um único trajeto até Copacabana.

A ofensiva reuniu equipes da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), sob a coordenação do delegado titular Victor Tuttman, em conjunto com a Delegacia de Atendimento Policial do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Dairj), a Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat) e a Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (Coant). Ao todo, entre 33 e 35 suspeitos foram conduzidos para prestar depoimento, divididos entre aliciadores clandestinos, chamados de jóqueis, e motoristas flagrados na atividade irregular.

Comando Vermelho cobrava taxas diárias de motoristas no Galeão

A apuração da DRCPIM apontou que os taxistas participantes da fraude atuavam sob autorização e cobrança do Comando Vermelho, pagando uma taxa diária de R$ 120,00 para estacionar em vias públicas no entorno do Morro do Barbante, comunidade situada a cerca de 500 metros do terminal aéreo. No mesmo esquema, os captadores que abordavam visitantes no saguão de desembarque repassavam R$ 50,00 por dia à facção criminosa para operar sem interferência local. Mandados judiciais de busca e apreensão foram cumpridos no terminal, na sede e no pátio de uma locadora de veículos, no Centro da capital e em imóveis nos bairros Rocha e Piedade, na Zona Norte.

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Durante as diligências, os policiais apreenderam 17 automóveis com indícios de adulteração, encaminhados para análise pericial no Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). A estimativa da corporação indica que cerca de 200 veículos podem estar circulando pela cidade com o mecanismo fraudulento, que consiste em uma placa oculta sob o tapete do condutor ou acoplada atrás do comando do porta-malas para enviar pulsos extras ao sensor de velocidade do carro a cada toque discreto do motorista.

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Valores oficiais da SMTR e opções regulares no Galeão

Para evitar prejuízos, a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) determina que o passageiro exija o funcionamento visível do taxímetro ou adquira vouchers com preços pré-fixados nos guichês oficiais das cooperativas credenciadas no terminal. O aeroporto conta com seis cooperativas autorizadas: Aerotaxi e Aerocoop, na categoria convencional amarela, e Transcootour, Transcoopass, Coopatur e Coopertramo, no serviço executivo. A administração do Galeão está sob gestão da concessionária Aena, que assumiu formalmente o terminal em 6 de outubro de 2026 após contrato decorrente de leilão de R$ 2,9 bilhões.

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  • Bandeirada do táxi convencional: R$ 6,30
  • Quilômetro rodado na Tarifa I (segunda a sábado, das 6h às 21h): R$ 3,85
  • Quilômetro rodado na Tarifa II (noite, domingos e feriados): R$ 4,62
  • Bandeirada do táxi executivo: R$ 8,50
  • Quilômetro rodado do táxi executivo: R$ 6,55
  • Passagem do BRT expresso até o Terminal Intermodal Gentileza (TIG): R$ 15,00
  • Integrações no Gentileza: VLT Carioca por R$ 5,00, SuperVia por R$ 7,60 e MetrôRio por R$ 7,90

Recomendações de segurança para transporte por aplicativo no Galeão

Empresas de transporte individual privado reforçam que passageiros não devem aceitar viagens negociadas fora das ferramentas digitais. A plataforma 99 destacou os riscos da abordagem informal: “A recomendação primordial é: não aceite abordagens de motoristas fora do aplicativo. Ao realizar viagens ‘por fora’, o passageiro perde a rede de proteção da plataforma, que inclui o monitoramento em tempo real, o seguro contra acidentes e o suporte 24h da Central de Ajuda. Além disso, transações financeiras fora do app dificultam a rastreabilidade em caso de cobranças indevidas ou golpes”, declarou a assessoria de imprensa da empresa.

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As investigações começaram em janeiro de 2026, quando um passageiro que seguia até a Tijuca notou saltos anormais no visor do equipamento e calculou que a cobrança havia subido cerca de 50%. A denúncia permitiu identificar o primeiro automóvel e desencadear a apuração sobre a empresa fornecedora da tecnologia clandestina. A lista com os nomes e os indiciamentos formais de todos os taxistas e proprietários da empresa de locação envolvidos no esquema não foi divulgada na íntegra pela Polícia Civil, que segue periciando os materiais apreendidos.

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