Policiais civis da 20ª DP (Vila Isabel) prenderam em flagrante seis funcionários de telecomunicações na tarde de quinta-feira (8), no Rio de Janeiro, suspeitos de cortar fios de operadoras regulares para impor um monopólio de internet clandestina ligado ao Comando Vermelho. A ação aconteceu dentro de um condomínio residencial em Vila Isabel, na Zona Norte da cidade, no momento em que os homens instalavam a fiação irregular.
O grupo cortava sistematicamente os cabos de fibra óptica das empresas formais e impedia a entrada de equipes técnicas para fazer os reparos, forçando moradores a contratar a rede vinculada ao crime organizado. Durante a abordagem, os policiais apreenderam equipamentos de cabeamento e transporte usados no esquema ilegal.
Apreensões realizadas pela 20ª DP em Vila Isabel
A equipe policial recolheu materiais usados pela empresa no momento em que o cabeamento clandestino era colocado no edifício residencial:
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- 2 veículos usados no deslocamento dos trabalhadores e no transporte dos materiais
- 3 quilômetros de cabos de fibra óptica prontos para ligação nos apartamentos
- Equipamentos diversos de instalação de rede e ferramentas para cabeamento externo
Como a rede criminosa atuava no condomínio?
A investigação conduzida pela titular da 20ª DP, delegada Camila Lourenço Neves, apontou que o grupo deixava as famílias sem sinal para abrir caminho à nova prestadora. Segundo a autoridade policial, a prática se espalhou além das favelas e atingiu vias urbanas de Vila Isabel, com auxílio de olheiros do tráfico de drogas que monitoravam a rotina de prédios locais.
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Em declaração à imprensa na manhã de sexta-feira, 9 de outubro de 2026, a delegada Camila Lourenço Neves detalhou a estratégia adotada pela organização para tomar o mercado de telecomunicações do bairro: “Essa prática tem se expandido para além dos domínios das comunidades. Ela não tem ficado restrita apenas às comunidades e tem ganhado o asfalto, tem ganhado as ruas. Então, esses traficantes entram em contato com o síndico, assumem o controle de câmeras de segurança, cortam, interrompem o fornecimento de internet de outras operadoras, deixam os moradores por dias sem internet e, logo após, ingressam com o serviço de internet ligado a eles. Esse serviço de internet opera como um braço financeiro…”
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Expansão territorial e controle financeiro do tráfico
A imposição de serviços clandestinos na região intensificou-se a partir de 2025, período em que a comunidade do Morro dos Macacos teve o domínio territorial transferido da facção Terceiro Comando Puro (TCP) para o Comando Vermelho (CV). Desde então, as lideranças criminosas passaram a diversificar as fontes financeiras para além do comércio de entorpecentes, explorando a distribuição de botijões de gás, aluguéis comunitários, conexões de sinal e cobranças de taxas em ruas adjacentes.
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A delegada Camila Lourenço Neves afirmou que a ação do grupo visa ampliar o lucro fora dos morros: “A narcomilícia tem expandido seus domínios para além da comunidade do Morro dos Macacos, impondo o monopólio de serviços de internet e de gás para ruas que estão situadas fora dos domínios da comunidade.”
Riscos apontados e autuações dos suspeitos
Em nota, a entidade setorial Conexis Brasil Digital alertou sobre o impacto das ameaças impostas a técnicos de telecomunicações:
- Bloqueios à circulação de técnicos geram risco direto à segurança física dos trabalhadores
- Impedimento de reparos afeta o direito de conexão e o acesso a serviços essenciais da população
- Crimes de extorsão e integração de organização criminosa formalizados contra os 6 presos
A Polícia Civil manteve a prisão em flagrante dos seis trabalhadores e dá andamento ao inquérito para identificar os proprietários formais da empresa e os chefes da facção que recebiam os lucros do serviço. A corporação não divulgou a identificação civil dos detidos nem o nome fantasia da prestadora de internet.
