Satélites da Nasa registram fumaça cobrindo Manaus e o interior

Satelite mostra Manaus encoberta por fumaça - Divulgação Foto: Satelite mostra Manaus encoberta por fumaça - Divulgação

A densa fumaça sobre Manaus encobriu a capital amazonense e coincidiu com o pior índice de qualidade do ar medido na cidade em 2026. A estação de monitoramento do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental, gerido pela Universidade do Estado do Amazonas, registrou a concentração de 490,1 microgramas de partículas finas por metro cúbico durante a madrugada de quinta-feira (8 de outubro de 2026).

Esse pico de poluição superou em 71% o recorde negativo anterior do ano, registrado em setembro com 286,2 microgramas por metro cúbico. Diante das condições atmosféricas classificadas como muito insalubres, a Universidade do Estado do Amazonas e a Universidade Federal do Amazonas suspenderam aulas e expedientes presenciais.

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Imagens da Nasa flagram corredor de fumaça entre Pará e Amazonas

Fotografias obtidas na plataforma Nasa Worldview nas datas de quarta-feira (7) e quinta-feira (8) mostraram uma espessa faixa acinzentada encobrindo o território da capital amazonense, municípios do entorno e trechos do Pará. O sistema de monitoramento espacial da agência norte-americana combina dados de múltiplos satélites orbitais para acompanhar transformações repentinas na superfície e na atmosfera do planeta.

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A dispersão da pluma começou a se intensificar na capital amazonense às 22h30 pelo horário local de quarta-feira (7). O meteorologista Willy Hagi indicou que o material particulado registrado nas imagens de satélite se desloca a partir do Pará em direção ao Amazonas, mas pontuou que o agravamento da situação na capital do estado decorre principalmente de focos regionais e ocorrências nas imediações da bacia urbana.

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O que provocou o avanço da fumaça sobre Manaus?

A formação da densa camada atmosférica teve origem combinada em queimadas em municípios do interior amazonense e em um foco urbano de grandes proporções. Frentes de fogo atingiram cidades vizinhas como Careiro da Várzea, Autazes, Manaquiri e Itacoatiara, empurrando massas residuais de biomassa em direção à capital ao longo da semana.

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Na área urbana, um incêndio de grandes proporções deflagrado em vegetação associada ao descarte irregular de resíduos no Distrito Industrial II agravou de forma imediata o acúmulo de fuligem e compostos tóxicos na madrugada de quinta-feira (8). Pela infração ambiental e pela queima de detritos no local, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas aplicou uma multa de R$ 5,5 milhões contra a empresa dona do terreno atingido.

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Índices do sistema Selva medem saturação de partículas em Manaus

O indicador medido pelo sistema universitário acompanha a concentração de partículas inaláveis com diâmetro menor que 2,5 micrômetros, conhecidas tecnicamente pela sigla PM2,5. Pelo fato de serem microscópicas, essas partículas atravessam as barreiras biológicas das vias respiratórias e atingem diretamente os alvéolos pulmonares e o sistema circulatório humano.

Os critérios técnicos do sistema universitário de vigilância ambiental e os patamares apurados na cidade reúnem os seguintes referenciais:

  • 125 microgramas por metro cúbico: nível a partir do qual a qualidade do ar entra na categoria péssima
  • 286,2 microgramas por metro cúbico: marca que figurava como o pior registro da capital amazonense até setembro de 2026
  • 490,1 microgramas por metro cúbico: pico de concentração apurado na estação da capital na madrugada de quinta-feira (8)
  • 71%: índice percentual de elevação verificado entre o recorde de setembro e a medição histórica de outubro
  • R$ 5,5 milhões: penalidade financeira arbitrada pelo órgão ambiental do estado contra o proprietário do imóvel incendiado

Focos de queimadas aumentam em outubro no Amazonas

O agravamento da poluição coincide com um salto nos registros de queimadas mapeados pelos sistemas federais e estaduais no início de outubro. Levantamento do satélite de referência do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais computou 644 focos de calor em território amazonense entre os dias 1º e 7 de outubro de 2026, contra 277 ocorrências verificadas no mesmo intervalo em 2025.

No acumulado geral entre 1º de janeiro e 7 de outubro de 2026, o relatório Panorama de Focos de Calor, elaborado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente, registrou o total de 6.901 ocorrências no território do Amazonas. As áreas rurais e de expansão agropecuária respondem pela maior fatia desse volume acumulado ao longo dos dez meses.

Os pontos com maior concentração de ocorrências de calor e frentes de queima no estado ao longo de 2026 reúnem as seguintes localidades:

  • Apuí: primeiro lugar em detecções de focos de calor no estado
  • Novo Aripuanã: segunda posição na concentração de queimadas
  • Lábrea: terceiro município com maior volume de focos no mapa estadual
  • Autazes: quarta cidade com maior número de ocorrências e foco direto de fumaça para a capital
  • Boca do Acre: quinta localidade em detecções acumuladas pelo monitoramento da secretaria ambiental

Impacto da poluição suspende atividades presenciais na capital

A permanência do céu cinzento provocou respostas institucionais nas redes de educação da capital amazonense ao longo desta sexta-feira (9). Com as estações do Selva apontando índices muito acima do patamar aceitável para a saúde humana, a reitoria da Universidade Federal do Amazonas e a administração da Universidade do Estado do Amazonas determinaram a paralisação preventiva de expedientes acadêmicos e administrativos nos campi da cidade.

O monitoramento ambiental do Amazonas e as equipes de fiscalização continuam em campo para controlar o fogo remanescente na área industrial e monitorar o deslocamento da camada que permanece sobre a região metropolitana.

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