Conrado Estol aponta os três pilares para o sono reparador

Dormir, sono

Dormir, sono -New Africa/shutterstock.com

O médico neurologista argentino Conrado Estol detalhou os três pilares essenciais para alcançar um sono reparador em Buenos Aires, na Argentina, na segunda-feira (12). Segundo o diretor do Centro Breyna, instituição especializada na prevenção de doenças vasculares, e da clínica Xtend Longevity, quase 40% da população dorme menos horas do que o necessário para garantir um descanso adequado ao organismo.

As orientações do especialista repercutiram em 13 de outubro de 2026 com um alerta direto sobre a velocidade com que uma pessoa adormece ao deitar. “Se alguém adormece em menos de cinco minutos, isso não é um talento invejável, mas sim um sinal de déficit crônico de sono. Normalmente, são necessários de 10 a 15 minutos para pegar no sono”, afirmou Estol, em tradução livre do espanhol.

Os três pilares de Conrado Estol para o sono reparador

Para reverter o quadro de cansaço acumulado, o neurologista estruturou o descanso saudável em três frentes: a regularidade nos horários de deitar e levantar, a manutenção dessa estabilidade durante o sábado e o domingo e o alcance de um índice mínimo de 85% de aproveitamento do tempo passado na cama. De acordo com o médico, a consistência da rotina diária tem peso igual ou superior ao total de horas dormidas por noite.

Veja também: Casos de demência são raros entre indígenas da Amazônia, revela pesquisa

“Quem mantém horários consistentes de sono — inclusive no fim de semana — reduz o risco de morte por qualquer causa, incluindo câncer ou doenças cardiovasculares”, declarou o especialista ao explicar o primeiro pilar. O cumprimento de horários fixos protege o sistema vascular e evita que o relógio biológico sofra oscilações bruscas ao longo da semana.

O segundo pilar trata diretamente da quebra de rotina entre a sexta-feira e o domingo, hábito comum que prejudica o início da semana útil e a saúde mental. “Quem tem mais dificuldade para acordar cedo às segundas-feiras sofre pelo desajuste de horário que fez durante o fim de semana. E essa mudança de horário de sono entre dias de semana e fim de semana aumenta o risco de depressão. Um estudo de biópsia muscular em jovens que dormiram poucas horas mostrou uma alteração significativa com aumento de todos os marcadores de inflamação e lesão celular”, disse Estol. A biópsia muscular é um exame que retira uma pequena amostra de tecido do músculo para análise em laboratório, permitindo identificar danos diretos nas células causados pela privação de descanso.

Confira também: Bactérias benéficas amenizam insônia severa em 13,9%

Eficiência de 85% no sono e impacto após os 65 anos

A terceira base apontada por Conrado Estol é a qualidade ou eficiência do repouso, calculada pela proporção entre o tempo em que o indivíduo está efetivamente dormindo e o período total em que permanece deitado na cama. Quando essa taxa fica abaixo do patamar recomendado e a pessoa não atinge a quantidade necessária de descanso, há impacto neurológico severo no longo prazo. “As pessoas que não atingem o número adequado de horas dormindo estão expostas a dobrar seu risco de demência

“, afirmou o neurologista.

Acompanhe: Microbiota intestinal equilibrada ameniza insônia crônica

O avanço da idade também altera a arquitetura do descanso e exige atenção redobrada aos parâmetros clínicos estabelecidos pelo médico. A partir dos 65 anos, as queixas relacionadas à cama tornam-se mais frequentes na população geral. Os números confirmados pelo especialista estabelecem os seguintes parâmetros para avaliação do repouso e da faixa etária mais afetada:

  • Proporção da população geral com privação de descanso: quase 40% dormem menos do que o necessário.
  • Latência do sono (tempo normal e saudável para adormecer): de 10 a 15 minutos após deitar.
  • Sinal de alerta para déficit crônico e exaustão: adormecer em menos de 5 minutos.
  • Eficiência ideal do sono: 85% ou mais do tempo total passado na cama deve ser de sono efetivo.
  • Dificuldade para iniciar o sono após os 65 anos: atinge 15% das pessoas nessa faixa etária.
  • Dificuldade para manter o sono durante a noite após os 65 anos: afeta 20% desse grupo.
  • Despertar precoce (acordar cedo demais) após os 65 anos: ocorre com 35% dos idosos.

Estudos do UK Biobank e o risco da ortossomnia no sono

Com formação médica na Argentina e nos Estados Unidos e mais de 170 publicações científicas no currículo, Conrado Estol já havia detalhado em novembro de 2025 e fevereiro de 2026 os critérios clínicos que definem os distúrbios noturnos. Segundo o médico, a insônia não se mede apenas pelas horas em que o paciente fica acordado durante a madrugada, mas principalmente pela sonolência diurna que compromete a rotina. O problema pode decorrer de condições médicas como apneia do sono, hipotireoidismo, doenças psiquiátricas, traumatismo craniano, doença de Parkinson e doença de Alzheimer, ou surgir em processos naturais como o luto — situação na qual o neurologista aponta que não convém utilizar medicação hipnótica (remédios indutores do sono), pois os fármacos interferem no processamento emocional da perda.

Outro fenômeno recente observado pelo diretor da clínica Xtend Longevity é a chamada ortossomnia, um tipo específico de insônia provocado pela obsessão em alcançar um descanso perfeito a partir do monitoramento constante de relógios inteligentes e dispositivos tecnológicos. Para orientar adultos sobre a duração do repouso sem depender de metas irreais geradas por aplicativos, o médico cita levantamentos do UK Biobank, banco de dados biomédicos do Reino Unido que acompanha a saúde de centenas de milhares de voluntários. Os estudos da instituição britânica indicam que a duração ideal de sono para adultos gira em torno de sete horas por noite, somada à recomendação clínica de limitar eventuais cochilos durante o dia a menos de 30 minutos.