O Governo de Roraima e o Ministério da Saúde inauguraram nesta quarta-feira (14) o primeiro Centro de Radioterapia do estado, instalado em estrutura anexa ao Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista. Com o início da operação na capital roraimense, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a ofertar, pela primeira vez, tratamento radioterápico na rede pública de todas as 27 unidades da federação.
A unidade recebeu investimento total de R$ 16.970.310,58 (cerca de R$ 17 milhões) do Ministério da Saúde, em parceria com o governo estadual e com a Universidade Federal de Roraima (UFRR), responsável pela doação do terreno. Os primeiros pacientes começaram a ser atendidos na terça-feira (13), logo após a liberação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), órgão federal que fiscaliza e autoriza o uso de equipamentos radioativos no país.
“Hoje é um marco para Roraima. O paciente que precisar de cirurgia, quimioterapia e, agora, também de radioterapia vai poder contar com esse cuidado integrado dentro do próprio estado, perto de casa e da família. E isso faz toda a diferença, porque o tratamento do câncer não envolve só o paciente, mas também toda a família que acompanha esse processo”, afirmou a diretora de Programa da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde. O comunicado oficial da pasta não informou o nome próprio da gestora.
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Estrutura e atendimento no Centro de Radioterapia em Boa Vista
Localizado na rua Amsterdã, lote 60, no bairro Aeroporto, ao lado do Pronto-Socorro Francisco Elesbão, o novo serviço público tem previsão de atender 500 pacientes oncológicos por ano. A estrutura instalada na capital foi dimensionada para alcançar a população de até 739 mil habitantes distribuídos pelos 15 municípios roraimenses, permitindo que moradores do interior e da capital realizem as sessões sem sair do estado.
A radioterapia utiliza radiação direcionada ao tumor para destruir células cancerígenas e preservar os tecidos saudáveis ao redor. Para executar esse procedimento gratuito pelo SUS, a unidade conta com acelerador linear — aparelho de alta tecnologia usado na teleterapia, modalidade em que a radiação é emitida por uma fonte externa ao corpo — e equipamento de braquiterapia, técnica na qual a fonte de radiação é posicionada dentro ou próxima à área afetada. O prédio dispõe ainda de recepção, sala de espera, três consultórios de triagem, sala de curativos, ambientes de planejamento clínico e de física médica, além de sala de recuperação.
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O atendimento diário no anexo do Hospital Geral de Roraima é conduzido por uma equipe especializada de 12 profissionais, formada por dois médicos radioterapeutas, dois físicos médicos e oito técnicos em radioterapia. Durante a cerimônia de inauguração, que teve a presença do governador interino de Roraima, Soldado Sampaio (Republicanos), e do secretário de Estado da Saúde, Rafaell Azevedo, também foram entregues dois micro-ônibus destinados ao transporte de pacientes que moram em áreas distantes de Boa Vista.
Fim das viagens de pacientes de Roraima para outros estados
Antes da abertura do serviço local, moradores diagnosticados com câncer precisavam recorrer ao Tratamento Fora de Domicílio (TFD), programa que custeia o deslocamento de usuários do SUS quando o procedimento não existe na rede do próprio estado. Entre 2025 e 2026, cerca de 700 pacientes oncológicos de Roraima estiveram inscritos nessa modalidade para buscar assistência em unidades da federação como Amazonas e São Paulo, sendo que aproximadamente 70% deles precisavam exclusivamente de sessões de radioterapia. Apenas ao longo de 2025, o Governo de Roraima destinou mais de R$ 2,8 milhões para pagar passagens e auxílio de deslocamento a pessoas que fizeram o tratamento radioterápico fora do estado.
“Essa estrutura é para a população, para os usuários do SUS e para os roraimenses. O tratamento afeta não apenas o paciente, mas também todos que estão ao redor dele. Poder receber esse cuidado perto de casa traz esperança e permite que a pessoa continue acompanhada por sua família durante esse momento”, declarou o secretário estadual de Saúde de Roraima, Rafaell Azevedo.
Etapas da obra do Centro de Radioterapia desde 2012
A entrega da unidade em Boa Vista encerra um processo iniciado há quase 14 anos, marcado por paralisações contratuais e disputas judiciais pela área construída. Veja a sequência de fatos até a abertura do serviço:
- Novembro de 2012 — Roraima adere formalmente ao Plano de Expansão da Radioterapia do SUS, programa federal criado para instalar aparelhos em regiões com vazio assistencial.
- 2017 — Os projetos básico e executivo da unidade anexa ao Hospital Geral de Roraima são registrados.
- Junho de 2018 — A primeira ordem de serviço é assinada para o início das obras civis em Boa Vista.
- 2019 — A construção é paralisada em razão de problemas contratuais e falhas identificadas no projeto arquitetônico.
- Janeiro de 2024 — Após o imóvel inativo ser ocupado de forma irregular, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) ingressa com uma ação judicial de reintegração de posse.
- 5 de junho de 2024 — O terreno é desocupado e uma nova ordem de serviço autoriza a retomada imediata da construção.
- 13 de outubro de 2026 — Com o aval da Comissão Nacional de Energia Nuclear, o centro recebe os primeiros pacientes para atendimento.
- 14 de outubro de 2026 — O Ministério da Saúde e o Governo de Roraima realizam a cerimônia oficial de inauguração.
Expansão de aceleradores lineares e diagnóstico no SUS até 2026
A assistência gratuita ao paciente com câncer na rede pública abrange desde consultas, exames e biópsias até cirurgias, quimioterapia, hormonioterapia, terapias-alvo, imunoterapia, transplante de medula óssea, reabilitação e cuidados paliativos. Para acelerar o encaminhamento aos serviços especializados, o atendimento segue a Lei do Agora Tem Especialistas, norma federal que estabelece prioridade na assistência a pessoas com diagnóstico ou suspeita de neoplasia no SUS.
Em todo o território nacional, o Brasil registrou mais de 190 mil procedimentos de radioterapia ao longo de 2025. O aparelho instalado em Boa Vista faz parte de um pacote de 105 aceleradores lineares viabilizados pelo Ministério da Saúde entre 2023 e 2026 para hospitais públicos de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Ceará, Piauí, Maranhão, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Amapá. Na etapa de diagnósticos, a pasta também opera o Super Centro Brasil para Diagnóstico de Câncer, estrutura que emprega patologia digital e telepatologia — análise de lâminas de biópsia à distância por meio da internet — e que beneficiou mais de 24 mil pacientes em 2026, baixando o tempo médio de entrega de laudos de cerca de 30 dias para 8 dias. Dos 105 aceleradores lineares previstos no cronograma nacional, 55 já foram entregues aos hospitais e a meta do Ministério da Saúde é atingir 70 equipamentos em operação até o fim de 2026.
