Arqueólogos acham necrópole romana com 135 túmulos na Bulgária

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Necrópole romana com 135 enterros descobertos na Bulgária - Reprodução / Museu de História Regional Stara Zagora Foto: Necrópole romana com 135 enterros descobertos na Bulgária - Reprodução / Museu de História Regional Stara Zagora

Arqueólogos do Museu Regional de História de Stara Zagora descobriram uma necrópole romana com 135 estruturas funerárias durante escavações de resgate na cidade de Stara Zagora, na Bulgária. Divulgado oficialmente pelo museu em 14 de outubro de 2026, o achado inclui o túmulo de uma criança sepultada há cerca de 1.750 anos com dois brincos de ouro e uma moeda do imperador Aureliano.

Os trabalhos ocorreram em um terreno onde será construído um edifício residencial com garagens, localizado no lote de número 91 da Rua Czar Ivan Asen II. A área escavada fica fora das antigas muralhas defensivas romanas, na porção sudoeste da Reserva Arqueológica Augusta Traiana – Vereia – Stara Zagora. Além do cemitério utilizado entre o final do século II e o século V d.C., os pesquisadores identificaram vestígios de construções que comprovam a ocupação do mesmo espaço ao longo de quatro períodos históricos distintos, estendendo-se até o século XX.

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Moeda de Aureliano e brincos de ouro no túmulo infantil em Stara Zagora

Dentro do conjunto de 135 sepulturas estudadas na necrópole romana, o sepultamento de uma criança concentrou a atenção da equipe do Museu Regional de História de Stara Zagora (RIM – Stara Zagora) pela preservação do enxoval funerário composto por três objetos. O corpo foi depositado na cova com a cabeça orientada para o oeste e os pés voltados para o leste, trazendo um par de brincos de ouro de formato poliédrico — colocado um em cada orelha — e uma moeda romana de prata e bronze conhecida como antoniniano (antoninianus).

A peça monetária foi cunhada sob a autoridade do imperador romano Aureliano na antiga cidade de Serdica, território que corresponde à atual Sófia, capital da Bulgária, entre os anos de 274 e 275 d.C. A identificação precisa do período de emissão da moeda permitiu aos arqueólogos estabelecer a datação do enterro da criança exatamente nesse intervalo de dois anos do século III, fornecendo uma referência cronológica direta para aquela seção do cemitério.

Na tradição funerária do mundo greco-romano, o depósito de moedas junto aos corpos remetia com frequência ao chamado óbolo de Caronte, um pagamento simbólico destinado ao barqueiro mítico encarregado de transportar as almas dos mortos para o submundo. Os arqueólogos responsáveis pela análise ressaltam, contudo, que a presença do antoniniano e do par de brincos de ouro não basta para confirmar o significado ritual exato pretendido no enterro dessa criança nem para definir o status social de sua família na sociedade local. Até a divulgação dos dados pelo museu, a identidade da criança, seu sexo biológico, a idade exata no momento da morte e a causa do óbito permaneciam desconhecidos.

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Cinco tipos de estruturas funerárias identificados nas 135 sepulturas

O levantamento arqueológico na Rua Czar Ivan Asen II demonstrou que a população local utilizou dois ritos funerários diferentes entre o final do século II e o século V d.C. Do total de 135 sepulturas documentadas na reserva arqueológica, 131 foram realizadas pelo método de inumação, prática que consiste no enterro direto do corpo no solo. Os outros 4 sepultamentos do terreno preservaram vestígios de cremação.

A arquitetura das sepulturas também apresentou variações no método de proteção e fechamento dos corpos dentro da necrópole. Os pesquisadores catalogaram cinco formatos construtivos ao longo da área de escavação: covas simples associadas ao rito de cremação; covas simples cobertas com tegulae, como eram chamadas as telhas romanas; covas simples protegidas por estruturas de tijolos; covas simples fechadas no topo com lajes de pedra; e poços funerários escavados diretamente na terra sem nenhum tipo de cobertura.

De Augusta Traiana ao século XX: a história do terreno na Bulgária

O cemitério recém-descoberto pertencia à antiga cidade romana de Augusta Traiana, fundada no início do século II d.C. durante o governo do imperador Trajano e batizada posteriormente como Vereia, antes de receber o nome atual de Stara Zagora. Durante a administração imperial, a localidade funcionou como um dos principais centros urbanos, econômicos e administrativos da província romana da Trácia, o que explica a densidade de sepultamentos na área externa às suas muralhas defensivas.

A época em que a criança foi enterrada com as joias de ouro coincide com o reinado do imperador Aureliano, que governou o Império Romano entre 270 e 275 d.C. Esse período integra a chamada Crise do Terceiro Século, fase de instabilidade política e militar na qual Aureliano atuou para restaurar o controle central de Roma sobre territórios que haviam se separado do império. A circulação de moedas cunhadas na vizinha Serdica dentro dos limites funerários de Augusta Traiana documenta a atividade econômica regional durante o final de seu governo.

Além do uso funerário na Antiguidade, a escavação de resgate no lote 91 revelou que o terreno passou por sucessivas fases de construção ao longo de quase dois milênios. Os vestígios arquitetônicos e materiais registrados pela equipe do museu dividem a ocupação do solo em quatro recortes temporais: do final do século II ao século IV d.C.; do século IV ao século V d.C.; do século XVII ao século XVIII; e do final do século XIX ao início do século XX. Todo o conjunto de objetos retirados do solo foi catalogado pelo Museu Regional de História de Stara Zagora para análise e preservação antes da liberação da área para as obras do edifício residencial.

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Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol

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