O município de Coober Pedy, no estado da Austrália Meridional, mantém grande parte de suas residências, hotéis, igrejas e estabelecimentos comerciais funcionando debaixo da terra. A estrutura subterrânea permite que a população local escape das temperaturas do deserto australiano, que atingem até 50 °C na superfície durante o verão.
Localizada no interior da Austrália, a cidade opera regularmente sob as areias, com lojas, restaurantes, templos religiosos e museus abertos ao público. As moradias são escavadas diretamente em formações rochosas de arenito e recebem o nome de “dugouts” — termo em inglês usado para designar abrigos cavados na terra ou na rocha —, o que garante um ambiente interno sem a necessidade de aparelhos de ar-condicionado.
Coober Pedy responde por 70% da produção mundial de opala
A fundação e o desenvolvimento da cidade estão ligados à extração de opala, mineral empregado pela indústria na fabricação de materiais isolantes e pelo setor de joalheria na confecção de anéis e brincos. Reconhecida como a capital mundial desse recurso mineral, a localidade concentra mais de 70 campos de mineração em seu território e responde por cerca de 70% de toda a produção mundial de opala, atraindo trabalhadores e visitantes para o deserto australiano desde o início do século 20.
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Os indicadores geográficos e climáticos de Coober Pedy demonstram o contraste entre o ambiente da superfície e a infraestrutura construída no subsolo:
- Distância da capital estadual: cerca de 846 quilômetros ao norte de Adelaide, com acesso pela rodovia Stuart Highway.
- Temperatura na superfície: o calor do deserto chega a atingir 50 °C nos meses de verão.
- Temperatura no interior dos abrigos subterrâneos: média constante que varia de 22 °C a 25 °C ao longo do ano.
Quanto ao total de moradores que vivem no município, os dados demográficos variam conforme o período de apuração. Enquanto o conselho distrital da cidade registra historicamente desde a década de 1980 uma estimativa de 3 mil habitantes, levantamentos populacionais mais recentes apontam que o local abriga entre 1,5 mil e 2 mil residentes.
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Origem de Coober Pedy começou com expedição em 1915
A ocupação da área teve início em 1 de fevereiro de 1915, data em que o jovem William Hutchison, que tinha entre 14 e 15 anos na ocasião, encontrou as primeiras amostras de opala na superfície. Ele integrava a expedição New Colorado Prospecting Syndicate, um grupo de exploração que percorria o deserto australiano em busca de ouro e de fontes de água.
O método de habitação subterrânea ganhou força a partir de 1917, após o encerramento da Primeira Guerra Mundial e a conclusão das obras da ferrovia Transcontinental. Naquele período, ex-soldados habituados a cavar trincheiras e operários ferroviários migraram para a área de mineração e difundiram a técnica de escavar os abrigos na rocha para enfrentar o calor extremo e a falta de materiais de construção na superfície. O nome Coober Pedy foi oficializado em 1920, derivado da expressão aborígene “kupa piti”, que significa “buraco do homem branco”.
A partir da década de 1960, a chegada de imigrantes europeus — entre os quais grupos de italianos, gregos, croatas e sérvios — ampliou a atividade mineradora na região. Esses novos moradores também expandiram a arquitetura subterrânea local com a escavação de templos religiosos debaixo da terra, como a Igreja Ortodoxa Sérvia de Santo Elias.
Cenários de Coober Pedy no cinema e atrações subterrâneas
A arquitetura sob a areia e a paisagem do deserto transformaram o município em polo turístico e em locação para a indústria cinematográfica. Em 1985, a cidade serviu de cenário para o longa-metragem “Mad Max 3: Além da Cúpula do Trovão”, no qual o personagem Jedediah, interpretado pelo ator Bruce Spence, mora em uma residência subterrânea local. No ano 2000, o município voltou a receber equipes de filmagem para duas produções independentes de ficção científica: “Planeta Vermelho”, ambientado em Marte, e “Eclipse Mortal”.
Para receber os visitantes, a cidade conta com empreendimentos como o Desert Cave Hotel e mantém antigas minas de opala convertidas em museus, onde o público observa o processo de extração do mineral. Diretor-gerente (executivo responsável pela administração geral) do Desert Cave Hotel, os visitantes buscam o município para enxergar as coisas por uma perspectiva diferente, atraídos desde o início por uma mentalidade voltada à aventura.
Outra parada aberta à visitação no subsolo é a Faye’s Underground Home, uma residência completa que foi escavada manualmente por três mulheres ao longo de oito anos. Fora das galerias subterrâneas, o roteiro turístico da região inclui a área de conservação Kanku-Breakaways, reserva natural na superfície marcada por formações geológicas e colinas de diferentes cores em meio ao deserto, cujos dados e histórico de visitação foram reunidos em levantamento atualizado em 20 de outubro de 2026.
