A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) aprovou na terça-feira, 20 de outubro de 2026, a certificação final do Boeing 737 MAX 10, o maior avião comercial da família 737 MAX. A autorização encerra um atraso de cerca de seis anos em relação ao cronograma original de 2020 e libera a fabricante para iniciar as entregas de um modelo que acumula 1.555 encomendas no mundo.
O secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean P. Duffy, entregou presencialmente os documentos de homologação — o certificado de tipo emendado e a licença de produção 700 — durante uma cerimônia na fábrica da empresa em Everett, no estado norte-americano de Washington. “Após extensas revisões de segurança — incluindo milhares de horas de voos de teste —, a equipe da FAA está pronta para aprovar esta aeronave fundamental para a venda”, declarou Duffy, em tradução livre.
Encomendas e especificações técnicas do Boeing 737 MAX 10
Com a homologação do modelo, também denominado 737-10, a fabricante conclui a certificação das quatro variantes principais da linha de corredor único. A presidente e diretora-executiva da Boeing Commercial Airplanes, Stephanie Pope, afirmou que a aprovação “abre o caminho para entregarmos um avião da Boeing que estabelecerá um novo padrão na aviação comercial” e ressaltou que a empresa completa a família 737 MAX para fornecer “o portfólio de aeronaves de corredor único mais eficiente e flexível da indústria”.
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A companhia aérea canadense WestJet será o cliente de lançamento do novo jato comercial, que aguarda ainda a definição da data exata do seu primeiro voo comercial com passageiros. Entre as demais empresas com pedidos confirmados para o avião estão United Airlines, Alaska Airlines, Ryanair, Delta Air Lines e American Airlines, que integram um grupo de mais de 30 companhias compradoras e respondem por 31% da carteira de encomendas pendentes da linha 737 MAX, segundo a consultoria IBA.
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- Capacidade máxima do 737 MAX 10: até 230 passageiros (ou de 185 a 210 assentos em configuração padrão de duas classes).
- Comparativo de capacidade na família: até 195 passageiros no 737 MAX 9 e até 160 passageiros no 737 MAX 7.
- Alcance máximo de voo: 3.100 milhas náuticas (5.740 quilômetros), superando concorrentes em 365 milhas náuticas sem tanques auxiliares.
- Consumo e emissões: redução de 20% no gasto de combustível e na emissão de CO2 ante aviões de geração anterior, segundo a fabricante.
- Volume da campanha de certificação: quase 1.000 voos de teste (2.060 horas no ar) e 1.000 horas de ensaios em solo.
Exigências de segurança da FAA para o 737 MAX 10 e prazo até 2029
O 737 MAX 10 é o primeiro avião comercial certificado sob todos os requisitos da lei norte-americana de certificação, segurança e responsabilidade de aeronaves (Aircraft Certification, Safety, and Accountability Act, de 2020) e das recomendações do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB). Para conceder o aval, a agência reguladora exigiu melhorias no sistema de controle de voo e a instalação de um sistema aprimorado de sensor de ângulo de ataque, equipamento que mede a inclinação entre a direção da aeronave e o fluxo de ar ao redor dela.
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Essas atualizações no sistema de ângulo de ataque passarão a ser padrão em toda a linha de produção da família 737 MAX. Para os aviões de outras variantes que já estão em operação comercial nas companhias aéreas, a regulamentação determina o prazo limite até outubro de 2029 para que toda a frota existente receba a adaptação técnica. O administrador da FAA, Bryan Bedford, afirmou que a decisão seguiu uma revisão minuciosa do projeto e acrescentou que o órgão continuará a exigir da Boeing “os mais altos padrões de segurança à medida que a empresa inicia a produção do 737 MAX 10”.
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Acidentes, falhas técnicas e histórico de atrasos da família 737 MAX
O atraso de seis anos no cronograma do 737 MAX 10 teve origem no aterramento global da frota e no maior rigor regulatório impostos após dois acidentes fatais com o modelo 737 MAX 8, em 2018 e 2019, que deixaram 346 mortos. Enquanto as versões MAX 8 e MAX 9 haviam sido certificadas em 2017 e 2018, os projetos do MAX 7 — homologado em agosto de 2026 — e do MAX 10 enfrentaram novos adiamentos em 2023 devido a uma falha no sistema antigelo dos motores, além de maior fiscalização sobre a qualidade fabril após um painel da fuselagem de um 737 MAX 9 da Alaska Airlines se soltar em voo em janeiro de 2024.
No fim de setembro de 2026, a própria fabricante comunicou a existência de uma falha na atualização mais recente do software de navegação da família 737 MAX, mas a FAA concluiu que a anomalia não representava risco à segurança e não exigiu a correção prévia para liberar o modelo de 230 lugares. Nos próximos meses, a Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) conduzirá as etapas finais para validar o 737-10 no mercado europeu, enquanto a Boeing mantém o trabalho para certificar o jato de fuselagem larga 777-9, que acumula seis anos de atraso e tem previsão de entregas para 2027.
