Japão lança sonda MMX para coletar amostras na lua de Marte

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lua de Marte - Divulgação/ESA Foto: lua de Marte - Divulgação/ESA

A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) lançou a espaçonave não tripulada Martian Moons eXploration (MMX) a bordo do foguete H3 (voo nº 10) a partir do Complexo de Lançamento Yoshinobu, no Centro Espacial de Tanegashima, na província de Kagoshima. A decolagem ocorreu às 04h41min03s no horário do Japão desta terça-feira (20) — 16h41 de segunda-feira (19) pelo horário de Brasília — e iniciou uma missão de cinco anos para realizar a primeira coleta de amostras de Fobos, a maior lua de Marte, com retorno à Terra previsto para 2031.

O veículo lançador H3, operado em parceria com a Mitsubishi Heavy Industries, voou conforme o planejado. Aproximadamente 71 minutos e 13 segundos após a partida, às 05h52 pelo horário japonês, os controladores confirmaram a separação da sonda MMX, desenvolvida em colaboração com a Mitsubishi Electric, e sua inserção na órbita de transferência rumo ao planeta vermelho. “Gostaria de expressar minha gratidão a todos no Japão e no exterior envolvidos com a MMX. Sua compreensão e cooperação tornaram o lançamento possível”, declarou Hiroshi Yamakawa, presidente da JAXA, em tradução livre.

Operação do rover Idefix e pouso da sonda MMX em Fobos

Cinco agências espaciais integram o projeto liderado pela JAXA: a agência espacial norte-americana (NASA), a Agência Espacial Europeia (ESA), a agência espacial francesa (CNES) e o Centro Aeroespacial Alemão (DLR). “Há muita adrenalina, muita empolgação e muito deslumbramento”, afirmou Tom Statler, astrofísico da NASA envolvido na missão. Já a diretora de Ciência da ESA, Carole Mundell, parabenizou a equipe pelo resultado: “O lançamento foi espetacular, e o lançador H3 da JAXA teve um desempenho fantástico para enviar a MMX em seu caminho”.

Antes da descida do módulo principal, a espaçonave liberará na superfície de Fobos um veículo robótico franco-alemão de quatro rodas chamado Idefix, batizado em referência ao cão dos quadrinhos de Asterix e desenvolvido pelo CNES e pelo DLR. Com tamanho próximo ao de um forno de micro-ondas, o equipamento pousará sozinho e deverá quicar por vários minutos antes de parar, em razão da gravidade extremamente baixa da lua marciana. O robô foi projetado para se desvirar caso aterrisse de cabeça para baixo, mas perderá a capacidade de se reposicionar após a abertura dos seus painéis solares, motivo pelo qual vai se deslocar a apenas 1 milímetro por segundo para reduzir o risco de capotar, afundar em solo macio ou ficar preso entre rochas.

Segundo Julien Baroukh, integrante do CNES responsável pelo rover, o Idefix funcionará como um batedor de segurança durante cerca de 100 dias de exploração em Fobos. Os dados recolhidos pelo veículo ajudarão os controladores no Japão a evitar terrenos acidentados ou de solo muito pulverulento quando o módulo estacionário de quatro pernas da nave-mãe descer à superfície. A sonda permanecerá duas horas em solo para perfurar e aspirar pelo menos 10 gramas de poeira, solo e rochas antes de decolar novamente.

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Investigação científica sobre a origem das luas de Marte

Fobos é um corpo rochoso de formato irregular, semelhante ao de uma batata, que é a mais próxima das duas luas marcianas. Com os fragmentos recolhidos e as observações da viagem, os pesquisadores buscam responder se Fobos e a segunda lua do planeta, Deimos, são asteroides capturados pela gravidade de Marte ou se surgiram a partir de detritos de uma antiga colisão de um grande corpo celeste contra o planeta. A expectativa dos cientistas é encontrar em Fobos vestígios de material marciano, o que pode esclarecer o processo de formação dos planetas do Sistema Solar e a origem da vida na Terra.

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A diretora interina da Divisão de Ciência Planetária da NASA, Lindsay Hays, afirmou que as descobertas poderão orientar futuras missões a Marte, incluindo expedições tripuladas. Para Markus Grebenstein, chefe do projeto do rover Idefix no DLR, o trabalho representa um marco inédito na exploração espacial: “É uma oportunidade única na vida. Fazemos parte da primeira missão de retorno de amostras do sistema marciano”.

Histórico de pousos em Marte e concorrência até 2031

Embora a NASA tenha pousado nove espaçonaves em Marte nos últimos 50 anos e a China tenha realizado um pouso no planeta em 2021, nenhuma missão jamais pousou nas luas Fobos ou Deimos nem trouxe amostras do sistema marciano para a Terra. O setor registra falhas em tentativas anteriores: a Rússia fracassou em todas as suas três investidas para alcançar Fobos, e o Japão, em sua única missão prévia ao planeta vermelho, não conseguiu inserir sua sonda em órbita marciana. Por outro lado, a agência japonesa soma no currículo o retorno bem-sucedido de amostras de dois asteroides nas missões Hayabusa e Hayabusa2.

A busca por material do sistema marciano envolve projetos paralelos de outras potências espaciais para a mesma década. Enquanto a NASA ainda debate como recuperar os mais de 30 tubos de amostras já coletados na superfície do planeta pelo rover Perseverance, a China planeja lançar uma missão própria de retorno de amostras de Marte, também com meta de chegada à Terra por volta de 2031.

Cronograma da missão MMX do adiamento ao retorno em 2031

A sonda realizará uma série de sobrevoos para estudar a lua Deimos antes de iniciar a viagem de volta e liberar a cápsula com as amostras na Área Proibida de Woomera, no deserto da Austrália. As etapas confirmadas da missão seguem o calendário abaixo:

  • 2024 — Ano originalmente programado para o lançamento da missão MMX, que acabou adiada devido a atrasos na disponibilidade do novo foguete H3.
  • 19 de outubro de 2026 — Decolagem do foguete H3 com a espaçonave MMX às 16h41 pelo horário de Brasília (04h41min03s de 20 de outubro de 2026 no horário padrão do Japão).
  • 20 de outubro de 2026 — Confirmação da separação da sonda MMX às 05h52 (horário do Japão), após 71 minutos e 13 segundos de voo, e inserção na trajetória rumo a Marte.
  • Agosto de 2027 — Previsão de chegada da espaçonave MMX à órbita de Marte.
  • Setembro de 2027 — Previsão para o início da sincronização da órbita da sonda com a órbita da lua Fobos.
  • 2028 — Ano em que a China planeja lançar sua missão própria de retorno de amostras de Marte.
  • 2030 — Previsão para a espaçonave MMX deixar o sistema marciano após os sobrevoos em Deimos.
  • 2031 — Meta para o pouso da cápsula de retorno na Área Proibida de Woomera, na Austrália, com as amostras coletadas em Fobos.

Após a confirmação da trajetória interplanetária, o próximo passo operacional da JAXA é conduzir a viagem da sonda MMX até a chegada à órbita de Marte, programada para agosto de 2027.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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