Bolsa Família sobe piso para R$ 691 e atinge média de R$ 777

6 min de leitura
Bolsa Família Foto: Bolsa Família - Gabriel Lyon/ MDS/ Gov.br

O reajuste de 15,04% no Bolsa Família, programa federal de transferência de renda, elevou o valor mínimo garantido por família de R$ 600 para R$ 691 a partir da folha de pagamento de outubro de 2026 em todo o Brasil. Já a quantia de R$ 777 divulgada pelo governo federal não representa uma parcela fixa para todos os inscritos, mas a estimativa do benefício médio nacional, que antes era de R$ 675.

A atualização dos valores tem vigência financeira desde quinta-feira (1º) e resulta na primeira recomposição inflacionária do programa desde a retomada do modelo atual em março de 2023. “A recomposição busca preservar o poder de compra das famílias beneficiárias diante da inflação acumulada no período, especialmente para despesas essenciais, como alimentação e outros itens básicos”, informou o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), comandado pelo ministro Wellington Dias.

Cálculo do Bolsa Família entre o piso de R$ 691 e a média de R$ 777

A diferença entre os dois valores anunciados para a folha de outubro ocorre porque o cálculo do pagamento varia de acordo com a composição de cada domicílio cadastrado. O patamar de R$ 691 funciona como o piso oficial do programa, garantindo que nenhuma família beneficiária receba menos que essa quantia mensal. Quando a soma das parcelas individuais por morador, chamadas de Benefício de Renda de Cidadania, não atinge esse valor mínimo, o sistema acrescenta automaticamente o Benefício Complementar (BCO) para cobrir a diferença exata até chegar aos R$ 691.

O valor de R$ 777, por sua vez, é uma média estatística calculada pelo governo federal que leva em conta a soma do piso com os benefícios extras pagos a grupos específicos, como crianças, adolescentes, gestantes e nutrizes (mães que amamentam). Como famílias maiores ou com crianças pequenas acumulam esses adicionais, os repasses mais altos elevam a média nacional acima do mínimo garantido. Uma família que recebe o piso de R$ 691 somado a duas cotas destinadas a crianças menores de sete anos, por exemplo, passa a receber R$ 1.037 mensais, demonstrando por que os depósitos variam entre os titulares na mesma data de pagamento.

Novos valores dos adicionais do Bolsa Família em outubro de 2026

A aplicação do percentual de 15,04% corrigiu todas as parcelas que compõem a estrutura de cálculo do programa social. A recomposição alterou tanto o valor pago por pessoa quanto os adicionais vinculados à faixa etária e à condição de saúde dos integrantes da família.

  • Piso mínimo mensal por família: subiu de R$ 600 para R$ 691.
  • Benefício médio nacional estimado: passou de R$ 675 para R$ 777 por família.
  • Benefício de Renda de Cidadania (valor pago por cada integrante da família): aumentou de R$ 142 para R$ 164.
  • Benefício Primeira Infância (BPI, pago por criança de zero a sete anos incompletos): subiu de R$ 150 para R$ 173.
  • Benefício Variável Familiar (BVF, pago a gestantes, nutrizes e crianças ou adolescentes de sete a 18 anos incompletos): passou de R$ 50 para R$ 58 por integrante.

Reajuste de 15,04% no Bolsa Família e impacto no orçamento federal

A correção monetária foi oficializada pelo Decreto nº 13.120, assinado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e publicado em edição extra do Diário Oficial da União em 17 de setembro de 2026. O índice de 15,04% corresponde à variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), medidor oficial da inflação para famílias de menor renda, registrado entre março de 2023 e agosto de 2026. O piso anterior de R$ 600 vigorava desde 2022, época do antigo Auxílio Brasil, e havia sido mantido sem reajuste inflacionário desde a recriação do Bolsa Família.

Veja também: Bolsa Família de outubro encerra pagamentos nesta quarta-feira para NIS de 3 a 0 com novo piso de R$ 691

A medida segue as regras da Lei nº 14.601/2023, legislação que instituiu o formato atual do programa e autoriza o Poder Executivo a atualizar os valores dos benefícios em intervalos de no máximo 24 meses, proibindo qualquer redução nominal. No orçamento federal, o reajuste tem impacto estimado pelo governo, que conta com Bruno Moretti como secretário-executivo do Ministério do Planejamento, de R$ 5,8 bilhões entre os meses de outubro e dezembro de 2026. Para os anos de 2027 e 2028, a projeção de custo anual da medida é de R$ 22,7 bilhões.

Antecipação do calendário do Bolsa Família e consulta pelo Caixa Tem

Os depósitos da folha de outubro com os valores reajustados começaram na segunda-feira (19) pela Caixa Econômica Federal, mas tiveram o cronograma alterado pelo governo federal. O MDS antecipou e unificou o restante dos repasses para esta quarta-feira, 21 de outubro de 2026. A pasta justificou a unificação das folhas de outubro, novembro e dezembro de 2026 como uma medida preventiva para reduzir os impactos climáticos provocados pelo fenômeno El Niño sobre as famílias em situação de vulnerabilidade.

  • Final do Número de Identificação Social (NIS) 1: pagamento liberado na segunda-feira (19).
  • Final do NIS 2: pagamento liberado na terça-feira (20).
  • Finais do NIS 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0: pagamento antecipado e unificado nesta quarta-feira (21).

Para verificar a quantia exata depositada conforme a composição familiar e movimentar os recursos, o responsável familiar deve acessar os aplicativos oficiais Bolsa Família ou Caixa Tem. O beneficiário também tem o prazo de até 120 dias após a liberação da parcela para efetuar o saque presencialmente nas agências da Caixa Econômica Federal, em casas lotéricas ou nos terminais de autoatendimento.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

Notícias relacionadas