O sistema de aposentadoria do Brasil caiu da 40ª para a 44ª colocação na 18ª edição do Índice Global de Previdência Marsh CFA Institute, divulgada na terça-feira (20). Apesar de recuar quatro posições na lista de 55 países, o país elevou sua pontuação geral de 56,2 pontos em 2025 para 57,0 pontos em 2026 e manteve a classificação geral C.
O desempenho mais fraco do modelo brasileiro ocorreu no subíndice de sustentabilidade, que mede a capacidade de manter o pagamento dos benefícios no longo prazo diante das mudanças demográficas. Nessa categoria, o país somou 32,1 pontos e registrou a quinta pior nota de todo o levantamento, ficando à frente apenas de Áustria, Itália, Turquia e Argentina.
Notas do Brasil no Índice Global de Previdência de 2026
O estudo é elaborado pela Marsh, controladora da consultoria Mercer, em parceria com o CFA Institute (associação global de profissionais de investimentos) e o Monash Centre for Financial Studies, ligado à Universidade Monash. A avaliação considera tanto os regimes públicos quanto os mecanismos privados de poupança para a aposentadoria, utilizando mais de 50 indicadores distribuídos em três pilares com pesos distintos.
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Na tabela geral de 2026, o Brasil empatou em pontuação exatamente com Botsuana, ambos com 57,0 pontos e acima da Áustria, que registrou 56,9 pontos. A entrada de três novos sistemas na edição deste ano República Dominicana, Quênia e Catar ampliou a base comparativa de 52 para 55 países, cobrindo 66% da população mundial.
- Data de divulgação do relatório: 20 de outubro de 2026
- Instituições responsáveis: Marsh, CFA Institute e Monash Centre for Financial Studies
- Colocação e nota geral do Brasil em 2026: 44ª posição entre 55 países, com 57,0 pontos (conceito C)
- Subíndice de Adequação (peso de 40%, sobre benefícios atuais): 69,1 pontos
- Subíndice de Sustentabilidade (peso de 35%, sobre resiliência futura): 32,1 pontos
- Subíndice de Integridade (peso de 25%, sobre governança, regulação e confiança no sistema privado): 72,6 pontos
Sustentabilidade da previdência brasileira e pressão demográfica
A nota de 32,1 pontos em sustentabilidade reflete os desafios de financiamento futuro. Na parte inferior desse recorte específico, a Áustria marcou 23,9 pontos, acompanhada nas últimas posições por Itália, Turquia e Argentina. As pontuações exatas de Turquia e Argentina no subíndice de sustentabilidade de 2026 não foram detalhadas na divulgação aberta e constam apenas no relatório fechado.
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De acordo com as conclusões do documento de 2026, a queda nas taxas de fertilidade, o envelhecimento da população e o aumento da expectativa de vida pressionam os regimes de aposentadoria em escala mundial. Para reduzir o risco sobre o bolso dos futuros aposentados e sobre as contas públicas, o relatório recomenda ampliar a cobertura previdenciária, fortalecer o financiamento das obrigações futuras e adotar regras e idades de aposentadoria mais flexíveis.
O diretor de Investimentos e Aposentadoria da Marsh, Marc Heemskerk, avaliou no levantamento a mudança estrutural dos planos pelo mundo. “A transição de pensões de benefício definido para contribuição definida não trata de abandonar o que funciona; trata-se de evoluir esses pontos fortes para atender melhor às pessoas, em um mercado de trabalho cada vez mais dinâmico”, afirmou Heemskerk, em tradução livre.
Países Baixos lideram o Índice Global de Previdência pelo quarto ano
No topo da tabela, apenas seis sistemas previdenciários atingiram o conceito A em 2026, atribuído a notas acima de 80 pontos. Os Países Baixos mantiveram a liderança geral pelo quarto ano consecutivo, e a Austrália ingressou pela primeira vez no grupo de nota máxima.
- 1º lugar — Países Baixos: 85,8 pontos (conceito A)
- 2º lugar — Dinamarca: 84,1 pontos (conceito A)
- 3º lugar — Islândia: 84,0 pontos (conceito A)
- 4º lugar — Singapura: 82,0 pontos (conceito A)
- 5º lugar — Israel: 81,9 pontos (conceito A)
- 6º lugar — Austrália: 80,6 pontos (conceito A)
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Nos recortes individuais por pilar em 2026, o Kuwait ficou em primeiro lugar em Adequação. A Dinamarca liderou o indicador de Sustentabilidade com 84,8 pontos, enquanto a Finlândia obteve a maior nota global em Integridade, com 90,5 pontos.
Histórico do Brasil em rankings de aposentadoria de 2025 e 2026
Na edição de 2025 do estudo então denominado Índice Global de Pensões Mercer CFA Institute e acompanhado no país por executivos como o diretor da área de Wealth da Mercer Brasil, Tiago Calçada, o Brasil havia ocupado a 40ª posição entre 52 sistemas avaliados. Naquele ano, a nota geral foi de 56,2 pontos (conceito C), com classificação B nos pilares de Adequação e Integridade e conceito E em Sustentabilidade.
O resultado divulgado em outubro soma-se a outra avaliação internacional recente sobre o setor. Em setembro de 2026, o Índice Global de Aposentadoria, elaborado separadamente pela consultoria Natixis, posicionou o Brasil no 41º lugar entre 44 países analisados, com pontuação de 42%.
