PanSports desiste de comprar a SAF do Figueirense após 4 meses

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Figueirense Foto: Figueirense - Foto: Instagram

A empresa PanSports desistiu do processo de aquisição de 90% das ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF, modelo de empresa voltado à gestão de clubes) do Figueirense Futebol Clube, em Florianópolis. O encerramento oficial das tratativas foi divulgado pelo Conselho Deliberativo da instituição catarinense nesta quarta-feira (21), encerrando uma relação que durou aproximadamente quatro meses e terminou sem o cumprimento dos aportes previstos e com salários atrasados no clube.

Em nota oficial assinada pelo presidente do Conselho Deliberativo do Figueirense Futebol Clube, Antônio Miranda, a instituição detalhou que a comunicação formal do recuo ocorreu quatro dias antes do anúncio público. “O Conselho Deliberativo do Figueirense Futebol Clube informa que foi oficialmente notificado no último sábado (17) pela PanSports acerca de sua desistência em dar prosseguimento ao processo de aquisição das ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Figueirense”, informou o órgão na abertura do documento.

Figueirense
Foto: Figueirense – Foto: X

PanSports condicionou permanência no Figueirense a novos investidores

A PanSports, que tem como representante legal o empresário Guillermo Vieira, alegou na notificação oficial enviada ao clube a impossibilidade de dar sequência ao projeto. Antes dessa desistência formalizada no sábado (17), o Conselho Deliberativo já havia estabelecido um ultimato para que a empresa apresentasse uma proposta concreta acompanhada de garantias financeiras dentro de um prazo de 48 horas, exigência que não foi atendida pelos representantes do grupo.

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“Agora, por meio de comunicação oficial, a PanSports manifesta sua impossibilidade de dar continuidade ao projeto, condicionando uma eventual permanência à chegada de novos investidores, circunstância que evidencia a incapacidade de cumprir, nas condições originalmente apresentadas, os compromissos assumidos perante o clube”, declarou o Conselho Deliberativo do Figueirense Futebol Clube no comunicado oficial.

Crise financeira no Figueirense soma R$ 15 milhões em verbas emergenciais

Ao longo dos cerca de quatro meses de negociação, o Figueirense conviveu com impasses envolvendo a estrutura da Clave/Lift e a ausência de entrada de recursos financeiros. A falta dos repasses prometidos agravou o quadro administrativo do clube, que enfrenta aproximadamente R$ 15 milhões em verbas emergenciais em aberto, um processo de recuperação judicial pendente (medida legal para renegociar dívidas e evitar a falência) e uma punição de transfer ban (proibição imposta a clubes de registrar novos jogadores) motivada por uma dívida com o Cascavel.

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“Entretanto, transcorridos aproximadamente quatro meses desde a escolha, os compromissos assumidos não foram devidamente cumpridos, frustrando as expectativas depositadas no projeto e contribuindo para a manutenção de um cenário de dificuldades financeiras, inclusive com atrasos nos pagamentos de salários de colaboradores, atletas e integrantes da comissão técnica”, afirmou o Conselho Deliberativo no texto assinado por Antônio Miranda, acrescentando os impactos na rotina da equipe. “O Conselho Deliberativo lamenta profundamente o desfecho deste processo, especialmente pelos reflexos negativos causados à instituição, aos profissionais que diariamente trabalham pelo Figueirense e à sua torcida, que mais uma vez vê frustrada a expectativa de um caminho de recuperação e estabilidade.”

Votação unânime em junho e recuo de Edson Silva na SAF do Figueirense

A escolha da PanSports ocorreu após um processo concorrencial no Conselho Deliberativo contra a proposta da Kactus Capital, contando na época com a atuação conjunta de Guillermo Vieira e do empresário parceiro Edson Silva, responsável por liderar a interlocução inicial do negócio. As tratativas perderam força no começo de outubro, quando o Conselho de Administração da SAF do Figueirense apontou que as conversas conduzidas por Edson Silva não haviam resultado na entrada de dinheiro com garantias viáveis, gerando atritos que levaram ao afastamento do empresário antes do rompimento definitivo.

  • 2 de junho de 2026: o Conselho Deliberativo aprova a proposta da PanSports contra a da Kactus Capital por 57 votos favoráveis, 0 contrários e 3 abstenções (entre 64 conselheiros presentes e 60 aptos a votar).
  • 7 de outubro de 2026: o empresário Edson Silva anuncia seu recuo das tratativas do projeto da PanSports no clube após os impasses sobre garantias financeiras.
  • 17 de outubro de 2026: a PanSports notifica oficialmente o Conselho Deliberativo sobre a desistência na compra das ações da SAF.
  • 21 de outubro de 2026: o Conselho Deliberativo confirma publicamente, às 15h20 (horário de Brasília), o encerramento das negociações.

Comitê da SAF do Figueirense busca novos investidores para 90% das ações

Com a saída da PanSports e a defesa declarada pela transparência institucional, os cinco membros que integram a estrutura da SAF do Figueirense, cujo comitê gestor é presidido por Eduardo Mafra, trabalham na construção de uma alternativa junto ao mercado financeiro para negociar os 90% das ações da sociedade com novos investidores. O clube mantém as portas abertas a quaisquer grupos interessados no ativo, incluindo empresários que faziam parte do bloco anterior ligado à PanSports.

Até o momento, não foram confirmados os nomes das empresas ou fundos de investimento com os quais os integrantes da SAF do Figueirense conversam nessa nova frente, nem a data exata da próxima reunião do Conselho Deliberativo em que os avanços das negociações serão apresentados aos conselheiros.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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