Xbox Game Pass muda modelo após estagnar em até 35 milhões

6 min de leitura
Xbox Game Pass Foto: Xbox Game Pass - Foto: Miguel Lagoa / Shutterstock.com

A Microsoft planeja reformular o Xbox Game Pass nos Estados Unidos para adotar um modelo de assinatura personalizável, em que o usuário paga apenas pelas funções que escolher utilizar. A reestruturação comandada pela diretora-executiva (CEO) do Xbox, Asha Sharma, ocorre em um período que também inclui testes para venda avulsa de horas de jogos em nuvem e a previsão de cortar cerca de 3.200 postos de trabalho na divisão até o fim do ano fiscal de 2027.

As informações sobre o novo formato, tratado no mercado pelo termo francês à la carte (expressão para itens escolhidos separadamente), vieram a público na terça-feira, 20 de outubro de 2026, por meio de fontes familiarizadas com a estratégia da empresa. “O Xbox está planejando uma grande reformulação do Game Pass que permitiria aos jogadores escolher recursos à la carte, incluindo complementos para jogos exclusivos de console, jogos em nuvem e modo multijogador, com o sistema operando em uma estrutura de níveis, de acordo com pessoas familiarizadas com a estratégia”, afirmaram as fontes em tradução livre.

Como vai funcionar a escolha de recursos no Xbox Game Pass

Pelo desenho estudado internamente na Microsoft, o serviço manterá uma base dividida em níveis de assinatura, mas passará a comercializar funções específicas como pacotes complementares pagos à parte. Na prática, o assinante poderá montar o próprio plano adicionando ou removendo o acesso ao catálogo de títulos exclusivos para console, à transmissão de jogos em nuvem e à permissão para disputar partidas online no modo multijogador.

Com o modelo modular, o assinante que utiliza apenas uma parte do ecossistema tende a pagar menos do que o valor cheio dos pacotes atuais. Em contrapartida, o jogador que decidir contratar todas as funções separadamente poderá ter um custo mensal somado superior ao praticado nas assinaturas fechadas.

O estudo desse formato circulava nos bastidores da companhia desde abril de 2026. Na ocasião, a proposta interna de montagem de planos buscava permitir que o consumidor retirasse benefícios agregados como o serviço de nuvem ou o pacote de assinatura Fortnite Crew para reduzir o valor final da fatura mensal.

Preços do Xbox Cloud Playtime e planos atuais do Xbox Game Pass

O primeiro passo prático para desmembrar os serviços começou nesta quarta-feira (21), quando a Microsoft iniciou testes com participantes do programa Xbox Insiders (grupo de usuários cadastrados para avaliar recursos antecipados). A fabricante desvinculou a transmissão de jogos pela internet da assinatura tradicional e rebatizou a ferramenta como Xbox Cloud Playtime, operando no sistema pré-pago por hora para todos os jogadores a partir de novembro de 2026.

Enquanto a reformulação geral não entra em vigor, o serviço principal segue dividido nas modalidades Essential, Premium, Ultimate e PC Game Pass, com valores mensais nos Estados Unidos que variam de US$ 10 a US$ 23 (teto cobrado pelo plano Ultimate, que inclui limite mensal de 15 horas de transmissão em nuvem). Os novos pacotes avulsos de horas para jogar via nuvem no Xbox Cloud Playtime foram fixados nas seguintes faixas (equivalentes a um custo a partir de US$ 0,40 por hora):

  • Pacote de 10h de transmissão: US$ 4
  • Pacote de 25h de transmissão: US$ 8
  • Pacote de 50h de transmissão: US$ 12

Apesar do início dos testes na nuvem, a Microsoft não confirmou oficialmente a mudança do Xbox Game Pass para o formato de assinatura montada pelo usuário. A empresa tampouco divulgou datas de lançamento ou a tabela de preços individuais para cada complemento do serviço.

Estagnação do Xbox Game Pass e mudanças de Asha Sharma

A tentativa de flexibilizar a cobrança busca contornar o desgaste registrado em 2025, quando a empresa aplicou reajustes que chegaram a 100% no valor da assinatura ao embutir pacotes de Fortnite e de títulos da produtora Riot Games. A recepção negativa dos usuários acompanhou a desaceleração no crescimento da plataforma, que estacionou na faixa de 30 milhões a 35 milhões de assinantes, abaixo das metas internas estipuladas pela corporação.

Além do freio nas adesões, ex-funcionários da empresa relataram que o serviço gerou tensões internas nos estúdios da marca. Embora a assinatura garantisse receita recorrente para a Microsoft, a disponibilização imediata de grandes estreias reduziu as vendas avulsas de jogos próprios de preço cheio durante as janelas de lançamento.

Desde que assumiu o comando do Xbox em fevereiro de 2026 no lugar de Phil Spencer, Asha Sharma alterou diretrizes da gestão anterior para tentar reequilibrar as contas. Nos primeiros meses no cargo, a executiva reduziu o preço da modalidade Game Pass Ultimate, mas retirou do catálogo os lançamentos da franquia Call of Duty no primeiro dia de estreia, além de instituir travas mensais de 5, 10 ou 15 horas para o uso de jogos em nuvem conforme o plano contratado.

Demissões no Xbox e console Project Helix de até US$ 1.800

A reformulação das assinaturas faz parte de um plano mais amplo de reestruturação financeira conduzido por Asha Sharma, que prevê o corte de mais de 3.000 vagas total estimado em cerca de 3.200 demissões na divisão Xbox até o encerramento do ano fiscal de 2027. Uma nova rodada de desligamentos de funcionários está programada para ocorrer em janeiro de 2027.

No setor de equipamentos, a gestão da executiva mantém o cronograma para estrear duas novas máquinas nos próximos anos. A Microsoft planeja colocar no mercado um console portátil do Xbox na temporada de fim de ano de 2027 e, no fim de 2028, lançar o videogame de próxima geração da marca, desenvolvido sob o codinome Project Helix e com preço máximo estimado em até US$ 1.800.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

Notícias relacionadas