Cerca de 300 milhões de moradores dos Estados Unidos voltam ao horário padrão em 1º de novembro de 2026, quando os relógios devem ser atrasados em uma hora exatamente às 2h locais. A mudança ocorre na maior parte do território norte-americano e segue a Lei de Tempo Uniforme de 1966, legislação federal criada para deslocar a claridade natural para o período da manhã ao longo do inverno. Com o recuo dos ponteiros para a 1h local, a população ganha uma hora extra de sono na madrugada da virada, mas passa a ter o pôr do sol mais cedo nas semanas seguintes.
A manutenção do calendário ocorre mesmo sob críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do Partido Republicano, que classifica a troca semestral como um evento inconveniente e caro para a administração pública. Desde antes de assumir o cargo em janeiro de 2026, o chefe do Executivo cobra do Congresso a aprovação de uma lei para encerrar o ajuste duas vezes por ano. Em maio de 2026, Donald Trump declarou que trabalharia para sancionar a legislação que torna o horário adiantado definitivo no país.
O calendário varia a cada ano porque a regra estabelece datas móveis baseadas nos domingos de março e novembro. No ciclo de 2025, por exemplo, o encerramento ocorreu em 2 de novembro. As principais regras e exceções vigentes no território norte-americano para a temporada de 2026 incluem:
- Início da vigência em 2026: 8 de março, às 2h locais.
- Término da vigência em 2026: 1º de novembro, às 2h locais.
- Duração total do período adiantado: oito meses (34 semanas ou 238 dias, o equivalente a cerca de 65% do ano).
- Estados fora da mudança: Havaí e a maior parte do Arizona (com exceção da Nação Navajo, que adota a regra).
- Territórios sem alteração nos relógios: Porto Rico, Guam, Samoa Americana, Ilhas Marianas do Norte e Ilhas Virgens Americanas.
Primeira Guerra Mundial e crise do petróleo moldaram o calendário
A criação do horário de verão nos Estados Unidos data de 31 de março de 1918, durante a Primeira Guerra Mundial, em uma medida voltada à economia de combustível que seguiu o modelo implantado pela Alemanha em 1916. O dispositivo foi revogado após o conflito e retomado em momentos de emergência energética, como na Segunda Guerra Mundial e durante o embargo do petróleo de 1973. Antes disso, os fusos horários haviam sido introduzidos no país em 1883 pelas companhias ferroviárias.
O formato de oito meses entrou em vigor em 2007, determinado pela Lei de Política Energética de 2005. Desde então, os ponteiros avançam no segundo domingo de março e recuam no primeiro domingo de novembro. O cronograma acompanha o calendário adotado em países vizinhos, como Canadá e México, para manter o alinhamento entre as fronteiras.
Estudos apontam queda de 7% em crimes contra perdas bilionárias
Pesquisas sobre o aproveitamento da claridade no fim da tarde indicam redução de até 7% nas ocorrências de crimes durante os horários iluminados. Setores de comércio varejista e de turismo defendem a manutenção de tardes mais claras para estimular o consumo e as atividades ao ar livre. Uma enquete de 2021 registrou que 58% dos norte-americanos preferem o modelo de horário adiantado justamente para contar com mais luz após o expediente.
A sincronia com parceiros comerciais também é usada como argumento por empresas de logística e finanças para evitar descompassos em operações internacionais. Em contrapartida, críticos da mudança semestral apontam perdas de produtividade estimadas em bilhões de dólares por ano durante os dias de transição. Levantamentos do Congresso mostram ainda que a economia de energia elétrica é mínima, já que o menor uso de lâmpadas é compensado pelo acionamento mais intenso de aparelhos de ar-condicionado.
Entidades médicas alertam para alta de 6% em acidentes de trânsito
A Academia Americana de Medicina do Sono (American Academy of Sleep Medicine, entidade médica norte-americana especializada em distúrbios do sono) registra aumento de 6% nas colisões de trânsito logo após o adiantamento dos relógios na primavera, efeito atribuído à privação de sono. Os médicos da instituição defendem a adoção do horário padrão de forma permanente, sob o argumento de que a luz matinal preserva o ritmo biológico humano.
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A resistência ao modelo atual de duas trocas anuais aparece nas pesquisas de opinião: levantamentos de 2021 apontam 75% da população contra o avanço e recuo dos ponteiros, enquanto consultas públicas de 2024 registraram 62% de apoio ao fim das alterações. Em março de 2025, Donald Trump já havia mencionado a divisão entre os defensores do horário de verão fixo e os que preferem o horário padrão permanente como um entrave político. Ao menos 30 estados, entre eles Flórida e Texas, discutem ou aprovaram leis estaduais para fixar o fuso, mas a mudança depende de autorização do Congresso federal.
Câmara aprova fuso permanente por 308 a 117, mas Senado adia decisão
A tentativa legislativa mais avançada para encerrar a troca semestral é o Sunshine Protection Act (Lei de Proteção da Luz Solar, projeto federal que torna o horário de verão permanente nos Estados Unidos). O texto original chegou a ser aprovado por unanimidade no Senado em 2022, mas perdeu validade sem votação na Câmara dos Representantes. Reapresentado sob o número H.R. 139 pelo deputado federal Vern Buchanan, do Partido Republicano da Flórida, e apoiado por 45 copatrocinadores bipartidários, o projeto foi aprovado pela Câmara dos Representantes em 14 de julho de 2026 por 308 votos a 117.
Após a aprovação na Câmara, a proposta seguiu para a Comissão de Comércio do Senado, onde não houve votação antes da mudança de novembro. O líder da maioria no Senado, John Thune, afirmou em outubro de 2026 que ainda não há consenso entre os senadores para pautar o texto em plenário. Enquanto estados como Oregon e Washington articulam blocos regionais pelo horário fixo, a Comissão Europeia analisa propostas semelhantes conduzidas por Polônia e Lituânia para 2027.
Mudança afeta 40% dos trabalhadores e altera malha aérea
A alteração nos relógios provoca reflexos imediatos no transporte público, nas escolas e nas jornadas de trabalho, com 40% dos trabalhadores relatando fadiga nas primeiras semanas após a mudança, conforme estudo de 2023. No setor aéreo, terminais com grande volume de rotas transatlânticas, como os aeroportos de Nova York, exigem ajustes na grade de voos internacionais para evitar atrasos.
Dispositivos conectados à internet e sistemas de empresas de tecnologia atualizam o horário de forma automática às 2h locais, enquanto companhias de comércio exterior utilizam manuais de adaptação para alinhar operações com os Estados Unidos. Caso o Senado não aprove a mudança na lei federal nos meses seguintes, os relógios norte-americanos voltarão a ser adiantados em uma hora em 14 de março de 2027, após o inverno que tem seu dia mais curto nos Estados Unidos continentais em 21 de dezembro e períodos de até 24 horas de escuridão nas zonas polares.
