O Clube de Regatas do Flamengo apresentou um protesto formal à Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) questionando a escalação do defensor Marcos Rojo, de 36 anos, pelo Estudiantes de La Plata no jogo de volta da semifinal da Copa Libertadores, disputado no Maracanã. Eliminado nos pênaltis por 3 a 2 na quinta-feira (22), após dois empates por 0 a 0, o clube carioca apoia-se em quatro precedentes da entidade para pleitear a vitória por 3 a 0 e a vaga na decisão.
Em comunicado oficial divulgado no sábado (24), a diretoria rubro-negra afirmou que não iniciou o procedimento sobre o registro do atleta e só ingressou na disputa após ser incluída pelo próprio Estudiantes no recurso enviado à Corte Arbitral do Esporte (CAS), tribunal internacional sediado na Suíça. “Não se trata de buscar um resultado fora de campo. Trata-se de garantir que as normas de uma competição internacional valham por igual para todos os clubes”, declarou o Flamengo, em tradução livre do documento.
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Contratação de Marcos Rojo pelo Estudiantes e o impasse na Conmebol
A disputa jurídica começou após o Estudiantes perder os defensores titulares González Pirez e Tomás Palacios, suspensos no jogo de ida da semifinal, e buscar a contratação de Marcos Rojo junto ao Racing, clube presidido por Diego Milito. Na negociação, a equipe de La Plata acertou o pagamento de US$ 500 mil (R$ 2,5 milhões) pela liberação imediata do jogador, além de prever bônus em contrato de US$ 250 mil (R$ 1,2 milhão) em caso de classificação para a final da Libertadores e de US$ 450 mil (R$ 2,2 milhões) pela conquista do título continental. O entrave regulamentar ocorreu porque a janela de transferências na Argentina já havia fechado, e a tentativa de inscrever o reforço na vaga médica do lesionado Gabriel Neves esbarrou nos critérios de prazo de recuperação exigidos pela confederação sul-americana.
Mesmo sem a liberação definitiva da entidade organizadora do torneio, o técnico do Estudiantes, Cacique Medina, escalou Marcos Rojo como titular na defesa na partida de volta no Rio de Janeiro, mantendo o jogador em campo até os 77 minutos, quando foi substituído por Tomás Palacios. Antes do confronto, o Flamengo notificou o CAS e o adversário argentino de que apresentaria reclamação formal caso o atleta atuasse, amparado no artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol, segundo o qual “qualquer equipe cuja responsabilidade se determina o resultado de uma partida, será considerada perdedora desse encontro por 3 a 0”.
- 2 de setembro de 2026: Fechamento da janela de transferências na Argentina.
- 27 de setembro de 2026: Última partida oficial disputada por Marcos Rojo pelo Racing antes da transferência.
- 9 de outubro de 2026: Estudiantes solicita à Conmebol a inclusão de Marcos Rojo na lista da semifinal.
- 14 e 15 de outubro de 2026: Após consultar a Fifa, a Conmebol rejeita o pedido de substituição de atleta e mantém a recusa no dia seguinte.
- 16 de outubro de 2026: Clube argentino recorre ao CAS e inclui o Flamengo como parte no processo.
- 21 de outubro de 2026: CAS concede autorização provisória para o defensor atuar na quarta-feira (21), mas nega o pedido do Estudiantes para afastar eventuais consequências esportivas e disciplinares no julgamento de mérito.
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Precedentes da Conmebol com Santos, Chapecoense, Temuco e Barcelona
Para sustentar o pedido de reversão do resultado, o departamento jurídico rubro-negro utiliza casos anteriores em que a Conmebol aplicou a derrota por 3 a 0 por escalação irregular. O episódio mais conhecido no futebol brasileiro envolveu o Santos nas oitavas de final da Libertadores de 2018, quando o time empatou por 0 a 0 com o Independiente na Argentina em 21 de agosto daquele ano utilizando o meia uruguaio Carlos Andrés Sánchez Arcosa, irmão do atual jogador do Flamengo De la Cruz. O atleta tinha um jogo de suspensão pendente de 2015, quando atuava pelo River Plate e foi expulso contra o Huracán na Copa Sul-Americana — pena original de três partidas e multa de US$ 3 mil (R$ 11 mil na cotação da época), reduzida na anistia do centenário da entidade em 2016 —, o que levou a confederação a declarar vitória argentina por 3 a 0 em 28 de agosto de 2018, antes do novo empate sem gols no Pacaembu, encerrado aos 81 minutos, que eliminou a equipe paulista.
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Um ano antes, na fase de grupos da Libertadores de 2017, a Chapecoense venceu o Lanús por 2 a 1 em 17 de maio com um gol do zagueiro Luiz Otávio, que estava suspenso por expulsão contra o Nacional, do Uruguai. Embora o clube catarinense tenha alegado falta de notificação oficial após ser avisado minutos antes da partida, a Conmebol transferiu os pontos ao adversário argentino pelo placar de 3 a 0 em 23 de maio de 2017, resultando na eliminação brasileira.
Outros dois julgamentos de torneios continentais completam a lista de decisões favoráveis à punição. Na segunda fase da Copa Sul-Americana de 2018, o San Lorenzo denunciou o Deportes Temuco, do Chile, por relacionar Jonathan Requena, que havia constado na súmula do Defensa y Justicia contra o El Nacional em 18 de julho daquele ano; a entidade deu vitória por 3 a 0 aos argentinos na ida, e o triunfo chileno por 1 a 0 na volta não evitou a queda. Já na segunda fase da Libertadores de 2019, o Barcelona de Guayaquil venceu o Defensor Sporting por 2 a 1 no Uruguai com Sebastián Pérez em campo por 67 minutos, mas o Certificado Internacional de Transferência (CTI), documento obrigatório para registros internacionais, chegou fora do prazo regulamentar de 48 horas antes do duelo, motivando a punição de 3 a 0 a 24 horas do confronto de volta, no qual a vitória equatoriana por 1 a 0 foi insuficiente.
Julgamento do caso Marcos Rojo e a final da Libertadores em Montevidéu
Ainda não há confirmação da data exata em que a Conmebol e o CAS julgarão o mérito definitivo da ação envolvendo a inscrição de Marcos Rojo. A decisão definirá qual clube enfrentará o Palmeiras na final da Copa Libertadores de 2026, marcada para 28 de novembro de 2026, em Montevidéu.
