Golpe do CadÚnico cobra taxa falsa de R$ 39,78 via Pix em mensagens

Cadúnico

Cadúnico - Foto: Divulgação/MDS

Criminosos estão usando o nome do Cadastro Único (CadÚnico), base que identifica famílias de baixa renda no Brasil, para enviar links falsos por WhatsApp, SMS e e-mail. As mensagens exigem senhas, dados pessoais e pagamentos via Pix sob a ameaça de bloqueio imediato de benefícios sociais.

A Secretaria de Avaliação, Gestão da Informação e Cadastro Único (SAGICAD), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), afirma que a administração pública não faz contato eletrônico para pedir recadastramento. Chefiada pela secretária Letícia Bartholo de Oliveira e Silva, a pasta diz que a inscrição e a revisão de informações são gratuitas e feitas de forma presencial.

Foto: Fotos: Depositphotos/ Agência Brasil

Em comunicado oficial, a secretaria do MDS afirmou: “A Secretaria de Avaliação, Gestão da Informação e Cadastro Único NÃO envia links para atualização cadastral.” Segundo o comunicado, a inscrição e a atualização acontecem exclusivamente de forma presencial, nos municípios onde as famílias moram.

Golpistas imitam gov.br, Caixa e CRAS para ameaçar benefícios

Os criminosos copiam a identidade visual do Governo Federal, do portal gov.br, da Caixa Econômica Federal e dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), unidades públicas municipais que fazem o atendimento assistencial. Os textos têm tom de urgência e dizem que o cidadão perderá o Bolsa Família, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, ou a Tarifa Social de Energia Elétrica, que dá desconto na conta de luz, caso não preencha um formulário na hora.

Ao clicar nos endereços enviados, a vítima cai em páginas falsas que imitam portais públicos, prática conhecida como phishing. Essas páginas costumam exibir dados reais obtidos em vazamentos anteriores, como CPF, data de nascimento, endereço e nomes de familiares, para dar aparência de legitimidade. Depois, o formulário pede o Número de Identificação Social (NIS), dados bancários e a senha da conta gov.br, credencial digital única para acessar serviços federais. Com esse material, os grupos esvaziam contas bancárias e contratam empréstimos em nome dos titulares.

Uma forma de checar a fraude está no endereço exibido no navegador. Os órgãos federais usam exclusivamente a terminação oficial .gov.br, enquanto as páginas falsas são hospedadas em domínios genéricos privados.

  • Terminações .sbs, .app e .org, usadas em páginas falsas
  • Terminações .shop, .site e .cfd, também registradas em páginas falsas

Taxa de R$ 39,78 aparece em QR Code com prazo de 10 minutos

Além da captura de senhas, algumas versões exigem transferências para quitar supostas taxas administrativas do CRAS ou liberar vagas na CNH Social, programa que oferece habilitação de trânsito gratuita para baixa renda. Em um dos formatos identificados, a página aponta uma suposta inadimplência cadastral e gera um QR Code de Pix no valor de R$ 39,78, com prazo de 10 minutos para pagamento sob ameaça de cancelamento definitivo do benefício. Em nota de 14 de janeiro de 2026, a Receita Federal já havia declarado que mensagens sobre “taxa do Pix” são falsas.

A administração do portal gov.br declarou: “Nenhum órgão do governo entra em contato via WhatsApp para cobrar dívidas, oferecer benefícios ou ameaçar bloqueios.” Segundo o órgão, cobranças legítimas seguem processos formais, com prazos legais, e são comunicadas por canais oficiais.

A inscrição e a manutenção do registro no Cadastro Único não têm nenhum custo. Estar na base, porém, não garante entrada automática em programas sociais, porque cada iniciativa tem regras e limites de renda próprios. No Paraná, o acesso de inscritos à CNH Social exige renda familiar mensal de até 3 salários mínimos. Em Minas Gerais, a isenção de taxas na emissão da segunda via da Carteira de Identidade Nacional (CIN) exige renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa.

Diante do uso do programa de habilitação como isca para cobranças, o diretor-presidente do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), Santin Roveda, orientou os moradores a conferir apenas os canais formais da administração estadual. Ele afirmou: “Não clique em links, não ceda seus dados para um estranho.” Roveda acrescentou que as pessoas devem “verificar sempre as páginas e aplicativos oficiais do Governo do Estado para não ter prejuízo”.

Comunicados do governo e de prefeituras desde março de 2024

Desde 2024, órgãos federais e municipais publicaram comunicados sobre mensagens que enganam famílias inscritas em programas sociais. Os principais registros estão listados abaixo, em ordem cronológica.

  • 20 de março de 2024: alerta oficial do MDS contra mensagens que prometiam atualização do Cadastro Único pela internet
  • 20 de março de 2025: Informe nº 64 do MDS sobre e-mails falsos que alegavam instabilidade no Portal de Gestão do Cadastro Único
  • 11 de fevereiro de 2026: comunicado do portal gov.br sobre páginas falsas que simulam sistemas oficiais para exigir taxas via Pix
  • 13 de fevereiro de 2026: aviso do portal gov.br sobre contas comerciais no WhatsApp com símbolos da República para cobrar pagamentos indevidos
  • 1 de abril de 2026: novos alertas sobre campanhas pelo WhatsApp que prometiam recadastramento online
  • 8 de julho de 2026: alerta da Prefeitura de Franca (SP) sobre golpistas que usavam o nome do CRAS Leste, com orientação para confirmar a identidade de servidores diretamente com a unidade
  • 15 de julho de 2026: publicação da Portaria MDS nº 1.199, que altera regras de atualização de famílias unipessoais e prorroga o cronograma até 31 de dezembro de 2026

Onde fazer a atualização e como denunciar a tentativa

Famílias inscritas, ou que precisam se inscrever no Cadastro Único, devem procurar atendimento presencial no CRAS ou nos postos de cadastramento da prefeitura do município onde moram. Para isso, o responsável familiar precisa apresentar documentos pessoais, como o CPF, além de informações de endereço e dos demais moradores da casa. Nenhuma etapa do processo cobra taxa.

Ao receber mensagens suspeitas por celular ou e-mail, o cidadão não deve clicar nos links, não informar CPF ou NIS a desconhecidos e não pagar nada via Pix ou boleto. Dúvidas sobre o cadastro e denúncias de tentativa de golpe podem ser feitas gratuitamente pelo telefone 121, do Disque Social do MDS, ou pela plataforma Fala.BR, canal de Ouvidoria e Acesso à Informação do Governo Federal.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.