Projeção de calor extremo com El Niño não tem datas definidas pelos órgãos

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El Nino - Sergio Photone / Shutterstock.com Foto: El Nino - Sergio Photone / Shutterstock.com

A projeção de até seis ondas de calor no país até dezembro de 2026 ganhou força com o El Niño muito forte. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) havia emitido, em 24 de setembro de 2026, um alerta vermelho de grande perigo para o calor extremo que atingiu partes de oito estados. O aviso venceu às 18h de 30 de setembro, e a projeção de novas ondas não tem datas nem locais definidos.

O aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial segue em alta, segundo os órgãos que acompanham o fenômeno. A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima que o El Niño atinja intensidade histórica entre outubro e dezembro, mas essa previsão ainda depende da evolução das condições atmosféricas nas próximas semanas.

El Niño - coffeekai/istockphoto.com
Foto: El Niño – coffeekai/istockphoto.com

Oito estados com partes sob aviso vermelho em setembro

O alerta vermelho do Inmet, o nível mais alto da escala do instituto, previa que as temperaturas ficassem até 5°C acima da média mensal em áreas do Centro-Sul. A área de maior risco incluía partes de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. O aviso previa calor intenso e umidade do ar em níveis críticos, o que exigia prontidão das defesas civis locais.

Para Cuiabá, os modelos previam máximas de até 41°C nas horas mais quentes da tarde. Em Brasília, a umidade relativa do ar poderia cair a 10% no pior momento do dia, um patamar que as autoridades sanitárias tratam como emergência por causa do estresse cardiovascular e respiratório. Essas eram as previsões divulgadas na época do aviso.

Critério de 5°C e diferença entre Inmet e Cemaden

O Inmet classifica uma onda de calor quando as temperaturas máximas superam em pelo menos 5°C a média climatológica por cinco dias consecutivos ou mais. Por esse critério, algumas regiões com dias quentes não entram no aviso vermelho, caso não atinjam os dois requisitos ao mesmo tempo. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) usa uma base metodológica diferente, com períodos de desvio térmico de grande magnitude sustentados por no mínimo três dias seguidos.

Projeção de seis ondas de calor com base em 47 anos de registros

A estimativa de seis episódios de calor extremo entre setembro e dezembro de 2026 veio de um estudo estatístico baseado em cerca de 47 anos de registros meteorológicos. A análise relacionou o comportamento das massas de ar com a frequência de pulsos térmicos anormais em primaveras que ocorreram sob episódios intensos de El Niño. Segundo a pesquisadora Mabel Calim Costa, especialista em ondas de calor do Cemaden, a intensidade do fenômeno pode favorecer esses eventos extremos.

O número, porém, não é um calendário. A projeção considera o período iniciado em setembro, por isso inclui episódios que já passaram e não significa seis novas ondas a partir de outubro. Dados compilados pelo Cemaden indicam que o Brasil registra entre 8 e 14 ondas de calor por ano, conforme a região monitorada.

Painel El Niño e NOAA dão probabilidades acima de 80%

O acompanhamento oficial do fenômeno foi reunido em um painel do Governo Federal, com participação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Inmet, Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, Cemaden, Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia, Serviço Geológico do Brasil e Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. As probabilidades mais recentes são estas:

  • Painel El Niño, boletim divulgado em 1º de outubro de 2026: 95% de chance de intensidade muito forte entre outubro e dezembro.
  • NOAA, atualização de 8 de outubro de 2026: 83% de chance de intensidade histórica no mesmo trimestre.
  • Monitoramento semanal de outubro de 2026: o indicador da região Niño passou de 2,4°C acima da média.

Calor e estiagem têm efeitos diferentes por região

O padrão típico de um El Niño muito forte aponta impactos desiguais no território. A Região Sul tende a receber chuvas acima da média, enquanto o Centro-Oeste, o Sudeste, o Norte e o Nordeste enfrentam maior chance de estiagem prolongada e de temperaturas acima da média. Para outubro de 2026, o Inmet previu desvios de mais de 2°C em partes de Goiás, do Distrito Federal e de Minas Gerais.

Com ar seco e solo sem umidade, a vegetação fica mais vulnerável a incêndios e queimadas. Órgãos de saúde e a Defesa Civil recomendaram evitar atividades ao ar livre nos horários de maior sol, manter a hidratação de idosos e crianças e suspender práticas agrícolas que usem fogo para manejo do solo.

Previsão sem datas fixas e aviso vencido em 30 de setembro

A data e a duração de novas ondas de calor até o fim do ano não podem ser definidas pelas ferramentas de curto prazo, por isso a projeção segue como estimativa baseada em registros passados. O monitoramento diário dos sistemas de alta pressão continua para identificar novas ondas antes que atinjam áreas urbanas e agrícolas. Para saber se uma cidade terá calor extremo, a orientação é consultar as previsões de curto prazo e os alertas do Inmet e da Defesa Civil.

A transição definitiva para o verão está marcada para 21 de dezembro de 2026, e o El Niño segue sob acompanhamento dos centros nacionais de meteorologia até lá.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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