O meteorito Murchison guarda grãos de poeira estelar mais antigos que o próprio Sol, e são os materiais sólidos mais antigos já medidos na Terra. Um estudo publicado na revista PNAS em janeiro de 2020 datou esses grãos em até cerca de 7 bilhões de anos. O Sistema Solar tem cerca de 4,6 bilhões.
O meteorito caiu em 28 de setembro de 1969, perto da cidade de Murchison, no estado de Victoria, no sudeste da Austrália. Uma bola de fogo cortou o céu, e os fragmentos se espalharam por uma área rural. Parte deles chegou ao Field Museum, em Chicago, que tem a maior porção do material.
Grãos de carbeto de silício foram isolados com ácido
Os grãos foram separados há cerca de 30 anos, na Universidade de Chicago, a partir de fragmentos triturados e dissolvidos em ácido. Restou apenas o carbeto de silício, um mineral muito duro. Grãos pré-solares como esses aparecem em cerca de 5% dos meteoritos.
- Publicação: revista PNAS, em janeiro de 2020
- Liderança: Philipp Heck, curador do Field Museum e professor da Universidade de Chicago
- Grãos datados: 40 grãos grandes de carbeto de silício
- Idades: a maioria entre 4,6 e 4,9 bilhões de anos; alguns acima de 5,5 bilhões; o mais antigo, cerca de 7 bilhões
- Instituições: Field Museum, Universidade de Chicago, ETH Zurique e Universidade Nacional Australiana, entre outras
Raios cósmicos serviram de relógio para os grãos
A idade foi calculada pela exposição a raios cósmicos, partículas de alta energia que atravessam a galáxia. Ao atingir o carbeto de silício, essas partículas criam isótopos de neônio. Quanto mais tempo o grão fica exposto no espaço, mais neônio acumula, e a quantidade medida em laboratório revela a idade. Heck compara o método a um balde deixado na chuva: a água acumulada indica por quanto tempo choveu.
Maioria dos grãos é mais jovem do que o esperado
Heck afirmou que a maioria dos grãos é mais jovem do que a equipe esperava. A hipótese dos pesquisadores é que eles se formaram em um período de formação estelar acima do normal, antes do nascimento do Sol. Se confirmada, essa hipótese indica um surto de nascimento de estrelas na Via Láctea há cerca de 7 bilhões de anos.
Estudo mostra a vida útil da poeira no espaço
Para Heck, os grãos são amostras sólidas de estrelas, e não apenas luz vinda de longe. Segundo ele, o trabalho determinou diretamente quanto tempo essa poeira dura no espaço. Ele espera que outros cientistas usem os resultados em modelos do ciclo de vida da galáxia. A equipe planeja continuar datando grãos de Murchison e de outros meteoritos.
