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O preço da memória dos celulares subiu cerca de 5,5 vezes nos últimos 12 meses, segundo Hu Xinxin, gerente de produtos da Redmi, marca da Xiaomi. A alta dificulta a produção de aparelhos com preço competitivo e ameaça a continuidade de algumas linhas de smartphones e tablets, que podem deixar de receber novos modelos para evitar prejuízo.

O caso mais recente é o Redmi K100, lançado na China no fim de outubro. A versão com 12 GB de RAM e 256 GB de armazenamento custa 3.499 yuans, cerca de R$ 2.659, e as configurações com mais espaço ficam mais caras:

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  • 12 GB + 512 GB: 4.099 yuans (cerca de R$ 3.115)
  • 16 GB + 512 GB: 4.499 yuans (cerca de R$ 3.419)

O preço ficou acima do antecessor, o Redmi K90, que saiu por 2.599 yuans. A linha K100 Pro, lançada em agosto, começa em 3.699 yuans.

Custo de memória já pesa no preço de celulares da Xiaomi

Segundo Hu Xinxin, módulos de memória com 12 GB de RAM e 256 GB de armazenamento estão perto de 2.000 yuans, cerca de R$ 1.520. A própria Xiaomi diz que não consegue absorver a alta sozinha, e o aumento precisa ser equilibrado entre custo de produção e preço cobrado do consumidor.

Em abril, a empresa afirmou que os preços de memória para configurações comparáveis tinham quase quadruplicado em um ano. Na mesma época, a companhia disse que pagava 1.500 yuans a mais por uma configuração de 12 GB de RAM com 512 GB de armazenamento do que no primeiro trimestre de 2025. Os reajustes, segundo a empresa, ficaram restritos à China, já que não havia aumentos equivalentes anunciados para o mercado global.

Em outubro de 2025, quando a linha Redmi K90 chegou ao mercado, o presidente da Xiaomi, Lu Weibing, escreveu no Weibo que a pressão de custos tinha sido transferida ao preço dos novos produtos. Em tradução livre, ele afirmou que a alta dos custos de memória estava “muito além das expectativas” e podia se intensificar.

Xiaomi, Huawei e Honor reajustaram preços na China

Honor X70 Pro Max
Honor X70 Pro Max – divulgação

Em 1º de setembro de 2026, as três marcas aumentaram preços de vários celulares na China, com altas de até 1.000 yuans, cerca de US$ 140. A Xiaomi reajustou modelos das linhas Xiaomi 17, Redmi K90 e Turbo. A Huawei citou custo mais alto de componentes, e a Honor disse que ajustou os preços conforme o mercado.

A memória, que antes pesava pouco no custo dos celulares, passou a ocupar uma parcela muito maior nos aparelhos premium.

Meizu, Realme e OnePlus mudam planos de lançamento em 2026

Em fevereiro de 2026, a Meizu confirmou que deixaria de desenvolver celulares próprios para o mercado chinês, em uma mudança voltada à inteligência artificial. Em janeiro, o diretor de marketing da marca na China, Wan Zhiqiang, havia dito que a alta da memória afetou fortemente o plano de celulares e que o Meizu 22 Air tinha sido cancelado. Desde então, relatos da imprensa chinesa dizem que o Meizu 23 não avança, mas a empresa não comentou publicamente.

No começo de 2026, a Realme já tinha voltado a ser submarca da Oppo. Em 16 de julho de 2026, a Oppo anunciou uma reformulação da estratégia de suas submarcas: a Realme deixou de lançar produtos na China e passou a concentrar lançamentos em mercados internacionais. A OnePlus manteve lançamentos na China e na Índia, mas parou de apresentar aparelhos novos na Europa e na América do Norte.

Essas decisões chegam no mesmo período de alta dos custos de memória, mas os comunicados encontrados nesta apuração não citam a memória como motivo.

Xiaomi promete baixar preços quando memória ficar mais barata

Lu Weibing afirmou que os preços voltarão a cair assim que a memória baixar de novo. Ainda não é possível prever quando a crise terminará. Algumas fornecedoras acreditam que a escassez pode durar até 2030, enquanto alguns analistas esperam queda dos preços a partir de 2028.

No fim de 2025, durante a divulgação de balanço, Lu Weibing disse esperar uma pressão “muito maior” em 2026 do que em 2025, e admitiu que os reajustes não cobririam todo o custo.

Segundo a apuração disponível, não há anúncio de lançamento do Redmi K100 no Brasil.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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