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O esqueleto de Nanotyrannus batizado de Jodi foi arrematado por US$ 47,3 milhões em leilão organizado pela Sotheby’s, em Nova York. O montante final, que inclui as taxas administrativas da casa de eventos, superou em mais de cinco vezes a estimativa inicial máxima de US$ 9 milhões. Antes dos encargos, o lance de martelo encerrou a disputa em US$ 40,5 milhões. Com 67 milhões de anos, a estrutura óssea ingressa na lista dos fósseis mais caros já comercializados no mercado global de colecionismo.

Com quase seis metros de comprimento, a ossada reúne 191 elementos mineralizados e conserva um crânio praticamente intacto. O exemplar representa um dos três únicos esqueletos identificados de sua espécie em todo o planeta. A fazendeira Jodi Pierson encontrou o material em 2019 dentro da Formação Hell Creek, no estado de Montana.

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Classificação biológica impulsionou disputa de colecionadores em leilão

O debate científico em torno da identidade da criatura atraiu grande atenção durante a exibição pública do fóssil. Paleontólogos sustentaram por décadas teorias divergentes sobre o animal ser uma linhagem autônoma ou apenas um jovem Tyrannosaurus rex. Um trabalho publicado na revista científica Nature confirmou evidências sólidas de que o predador formava um gênero biológico independente.

A trajetória comercial do fóssil começou antes do leilão em solo norte-americano. Em 2023, o comerciante de antiguidades David Aaron expôs o animal na feira Frieze Masters sob a alcunha de Chomper, pedindo US$ 20 milhões quando ainda era classificado como um T. rex jovem. A transação fracassou na época. O proprietário que colocou a peça à venda agora havia adquirido o lote em 2021, obtendo neste ano mais do que o dobro daquela marca anterior.

A venda bilionária ocorre na esteira de negociações astronômicas de materiais pré-históricos de grande porte. A mesma Sotheby’s leiloou três meses antes o exemplar Gus, um Tyrannosaurus rex, pela quantia recorde de US$ 50,1 milhões. Já em 2024, o esqueleto de Stegosaurus denominado Apex foi negociado por US$ 44,6 milhões.

Paleontólogos alertam para risco de privatização de espécimes científicos

A ascensão vertiginosa dos preços consolida fósseis raros no topo das preferências de investidores de alto padrão ao lado de obras de arte e joias históricas. O predador carnívoro Stan, um T. rex leiloado pela Christie’s em 2020 por US$ 31,8 milhões, marcou o início dessa sequência inflacionária. Meses antes do leilão de Jodi, um exemplar juvenil de Ceratosaurus também superou prognósticos e encerrou a disputa em US$ 30,5 milhões.

A saída de materiais únicos rumo a salas particulares de colecionadores anônimos desperta protestos contínuos entre cientistas. Especialistas de museus argumentam que orçamentos institucionais não conseguem cobrir lances de dezenas de milhões de dólares, impedindo análises aprofundadas sobre a evolução das espécies do período Cretáceo. Em resposta, as organizadoras dos pregões sustentam que o aporte privado financia escavações complexas e fomenta a conservação de fragmentos fósseis que ficariam expostos ao desgaste natural.

O destino do esqueleto Jodi permanece sob sigilo da instituição organizadora até que o novo adquirente decida se concederá autorização para empréstimos a exibições públicas.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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