Santiago Peña é reportado como renunciante em meio a impeachmentPor Luís Henrique Costa
6 min de leitura
![]() |
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, é reportado como tendo renunciado ao cargo enquanto a Câmara dos Deputados analisa um pedido de impeachment contra ele. Segundo a imprensa paraguaia e agências internacionais, a saída seria apresentada ao Congresso, mas não há confirmação de que o pedido tenha sido formalizado.
Se a renúncia se confirmar, o vice-presidente Pedro Alliana assumiria a Presidência, segundo o Partido Colorado. A crise tem origem no fechamento do Ueno Bank, determinado pelo Banco Central do Paraguai por insolvência.
Renúncia de Peña é reportada, mas não há confirmação formal
Na véspera, a Presidência paraguaia negou rumores de que Peña renunciaria. Em comunicado, afirmou que o presidente seguia no exercício de suas funções. Já o Partido Colorado, presidido por Horacio Cartes, presidente da Asociación Nacional Republicana, disse que Peña apresentaria sua renúncia ao Congresso e que a intenção é que Alliana assuma a Presidência.
Segundo a imprensa paraguaia, cabe ao Congresso decidir se aceita ou não a renúncia, e Peña deveria apresentar o pedido formalmente ao Legislativo. Caso a renúncia seja negada, o Congresso pode seguir com o processo de impeachment já aberto contra o mandatário. As fontes consultadas divergem sobre se a renúncia já ocorreu, e nenhuma delas registra o recebimento do documento pelo Congresso.
Câmara inicia sessão sobre pedido de impeachment de Peña
A Câmara dos Deputados do Paraguai realizou sessão extraordinária em 5 de novembro de 2026 para analisar o pedido de julgamento político contra Peña. O pedido acusa o presidente de conflito de interesses, manipulação regulatória, ultrapassagem de limites de crédito, benefício patrimonial e dano à confiança no sistema financeiro. Esse é o primeiro passo formal do processo, que, no caso paraguaio, depende de votação na Câmara para que o libelo acusatório seja aprovado.
Veja também: Paraguai decreta feriado nacional para festejar vitória histórica contra Alemanha na Copa do Mundo FIFA 2026
As fontes divergem sobre o andamento da votação. Uma delas afirma que a Câmara aprovou a abertura do processo de impeachment. As demais tratam a sessão como início da discussão e não registram votação concluída. Segundo a imprensa paraguaia, a Bancada ANR ‘A’ confirmou apoio ao libelo, e a Bancada ANR ‘B’ já havia anunciado apoio unânime. As bancadas são grupos internos da ANR, sigla do Partido Colorado, e os votos somados ultrapassariam os dois terços exigidos na Câmara, segundo essa mesma fonte.
Horário, local e números do pedido de impeachment de Peña
- Local: Assunção, Paraguai
- Horário da sessão extraordinária na Câmara: 10h, horário de Brasília
- Autores do pedido de impeachment: 35 deputados
- Maioria exigida na Câmara para aprovar o libelo: 2/3 dos presentes, o equivalente a 53 de 80 deputados
- Votos necessários no Senado para destituir o presidente: 30 de 45 senadores
- Presidente da Câmara dos Deputados: Raúl Latorre
- Presidente do Congresso: Basilio Núñez
Crise do Ueno Bank: cronologia dos últimos dias
- 3 de novembro: o Banco Central do Paraguai determina a resolução do Ueno Bank por insolvência e suspende as operações da instituição.
- Após a resolução, o Ministério Público pede investigação criminal sobre o banco e a prisão de dois dirigentes. A Justiça decreta prisão preventiva para Miguel Vásquez, um dos fundadores do Ueno Bank.
- Carlos Carvallo deixa a presidência do Banco Central do Paraguai após a crise. Segundo a imprensa paraguaia, a saída ocorreu após pedido de renúncia feito por Peña. A data exata não foi informada.
- 4 de novembro de 2026: a Presidência nega rumores de renúncia de Peña.
- 5 de novembro: a Câmara dos Deputados inicia a sessão extraordinária sobre o pedido de impeachment.
- 5 de novembro: o Partido Colorado anuncia que Peña apresentará sua renúncia ao Congresso.
- 5 de novembro: a oposição no Senado afirma que votará pela destituição de Peña e rejeitará qualquer tentativa de renúncia.
O Banco Central do Paraguai (BCP) justificou a medida com a insolvência, situação em que uma instituição financeira não consegue honrar seus compromissos. Com a decisão, a autoridade suspendeu as operações e iniciou o procedimento de resolução do banco digital. Carvallo presidia o BCP desde 2023 e já havia ocupado posição de direção no Ueno Bank.
Peña é economista de formação e foi acionista da Ueno Holding até março de 2025, empresa ligada ao grupo controlador do banco. A oposição usa esse vínculo como base da acusação contra o presidente. A dissolução do banco, segundo as fontes, afeta especialmente Peña, que chefia o Estado e o governo paraguaios e deveria ser o principal responsável pela resposta à crise.
Ueno Bank: clientes afetados podem receber até 40 salários mínimos
O Banco Central do Paraguai informou o limite de ressarcimento aos clientes afetados pela resolução do banco. O material apurado não traz o procedimento para solicitar o pagamento, nem prazos para a devolução dos valores. Por isso, a redação não tem como orientar o leitor sobre como pedir o ressarcimento.
- Quem é afetado: clientes do Ueno Bank
- Limite de ressarcimento informado pelo Banco Central: até 40 salários mínimos
- Órgão responsável pela informação: Banco Central do Paraguai
- Situação do banco: operações suspensas desde 3 de novembro
Ueno Bank: mais de três milhões de clientes e 40% da população
O Ueno Bank era o maior banco digital do Paraguai. Segundo reportagem do Metrópoles, a instituição tinha mais de três milhões de clientes e atendia cerca de 40% da população paraguaia. Esse tamanho explica por que a resolução do banco se tornou uma crise política, e não apenas bancária. Ao mesmo tempo, o vínculo do presidente com a Ueno Holding, que ele deixou em março de 2025, passou a ser o centro da acusação na Câmara.
Pontos sem confirmação: votação, vice-presidência e acusações
Ainda não se sabe se a renúncia foi formalmente apresentada ao Congresso, nem se o Legislativo a aceitará. Também não há resultado final da votação do libelo acusatório na Câmara. Se o pedido for aprovado, a tramitação seguirá para o Senado, onde são necessários 30 de 45 votos para a destituição. A oposição no Senado já disse que votará pela destituição.
Não há confirmação oficial sobre a posse de Alliana como presidente. A Infobae, citada pela imprensa paraguaia, relata que Antonio Barrios seria o favorito para a vice-presidência, sem confirmação oficial. Senadores opositores anunciaram acusações de enriquecimento ilícito e tráfico de influência contra Peña, mas essas acusações aparecem em apenas uma fonte. Também há relato de investigação criminal de ofício contra o presidente, atribuída a fontes do Ministério Público, que não foi confirmada por outra fonte independente. A Câmara deve votar o libelo, mas o horário e o resultado da votação ainda não foram informados.







