Gato-palheiro-pampeano ganha monitoramento com câmeras no Parque Estadual do EspinilhoPor Luís Pereira
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Armadilhas fotográficas instaladas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) estão em campo no Parque Estadual do Espinilho, em Barra do Quaraí (RS). O objetivo é localizar um felino que ainda não apareceu nas câmeras da unidade de conservação. A equipe é ligada ao Projeto Felinos do Pampa.
O principal alvo da equipe é confirmar a presença de pelo menos quatro espécies de pequenos felinos que podem viver na região. O gato-palheiro-pampeano (Leopardus munoai), ameaçado de extinção, ainda não foi registrado pelos equipamentos no parque. “A gente colocou elas aqui para entender um pouco sobre quais são as espécies que estão ocorrendo”, afirmou a mestranda e pesquisadora da UFRGS Mariana Guimarães Xavier da Costa.
Como as câmeras foram posicionadas sem perturbar a fauna do Espinilho
Para o levantamento, a equipe percorreu áreas de campo aberto e trechos de vegetação fechada, de modo a não alterar o comportamento dos animais. Os aparelhos funcionam com sensores de movimento e tecnologia infravermelha, o que permite gravar durante a noite sem disparar flash.
Entre os registros já feitos está um exemplar raro de gato-do-mato-grande de coloração preta, o melânico. Além dele, o monitoramento documentou a circulação de tatu-pelado, zorrilho, graxaim-do-campo, graxaim-do-mato, ema, lontra e uma família de capivaras.
- Local: Parque Estadual do Espinilho, em Barra do Quaraí (RS)
- Instituições responsáveis: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Projeto Felinos do Pampa
- Equipamentos: 18 armadilhas fotográficas com sensores infravermelhos
- Distância entre as câmeras: cerca de 1 quilômetro
- Divulgação dos registros: 23 de outubro de 2026
Gato-palheiro-pampeano perdeu mais de 80% do habitat no Rio Grande do Sul
Endêmico do bioma Pampa, o gato-palheiro-pampeano depende dos campos nativos para sobreviver. A espécie já perdeu mais de 80% do habitat original com o avanço da agricultura. Ela foi registrada pelo Projeto Felinos do Pampa em junho de 2022, em armadilhas instaladas na bacia do rio Tacuarembó, no município gaúcho de Dom Pedrito, mas não aparece com frequência no Espinilho.
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Segundo a bióloga e professora da UFRGS Flávia Pereira Tirelli, responsável pelo projeto, a troca da vegetação nativa por lavouras ameaça o animal. “O gato-palheiro-pampiano é uma espécie que precisa de pasto. Então, ter a questão, por exemplo, da soja em toda a região, arroz, as monoculturas, são muito prejudiciais para uma espécie que precisa do campo para sobreviver. E aqui o parque é uma área que pode proteger espécies como essas”, declarou a coordenadora.
Pampa reúne 7 das 10 espécies de felinos silvestres do país
O bioma ocupa 69% do território do Rio Grande do Sul, único estado brasileiro onde essa formação ocorre. Ele se estende também por partes da Argentina e do Uruguai e abriga 7 das 10 espécies de felinos silvestres registradas no Brasil. Preservar esses predadores é determinante para manter toda a cadeia ecológica da região.
A professora Flávia Pereira Tirelli, idealizadora do projeto, explica que a dieta desses animais regula a fauna local. “A gente chama felinos de hipercarnívoros, ou seja, eles só se alimentam de carne. Não comem frutos ou outras coisas que complementariam a dieta. E, por serem hipercarnívoros, eles controlam a população das presas e o equilíbrio de um ambiente”, disse a bióloga.
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O Projeto Felinos do Pampa foi estruturado entre 2021 e janeiro de 2022 pelos biólogos Felipe Bortolotto Peters e Marina Ochoa Favarini. A equipe atua em conjunto com Flávia Pereira Tirelli na UFRGS, no Rio Grande do Sul e no Uruguai.
Dados da equipe vão embasar o manejo do Espinilho
Criado em 1 de janeiro de 1975 e ampliado em 2002, o Parque Estadual do Espinilho sofre influência do espinal argentino e abriga cerca de 200 espécies de aves. De acordo com o gestor da unidade, Bruno Carvalho Fernandes, o local preserva características de um ecossistema raro, que já teve maior presença no território gaúcho.
Todo o material coletado durante o monitoramento será repassado à administração do parque para orientar políticas públicas de manejo e proteção. “A gente também entrega essa base de dados para o parque, porque aí assim os gestores, os funcionários, os servidores públicos do Estado conseguem saber onde espécies que são críticas, como é o caso do gato-palheiro-pampeano, estão e como pode ser feita então a preservação local para essa espécie”, afirmou Flávia Pereira Tirelli.






