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Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) passaram a monitorar a fauna do Parque Estadual do Espinilho, em Barra do Quaraí (RS), com armadilhas fotográficas instaladas para localizar o gato-palheiro-pampeano, espécie ameaçada de extinção. A iniciativa é conduzida pelo Projeto Felinos do Pampa, e os registros foram divulgados em 23 de outubro de 2026. Até agora, os equipamentos captaram imagens de várias espécies nativas, entre elas um exemplar raro de gato-do-mato-grande de coloração preta, o chamado melânico.

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O principal objetivo da equipe é confirmar a presença de pelo menos quatro espécies de pequenos felinos que podem viver na região. O gato-palheiro-pampeano, identificado pelo nome científico Leopardus munoai, ainda não aparece nas imagens do parque. A mestranda e pesquisadora da UFRGS Mariana Guimarães Xavier da Costa explicou o propósito do levantamento: “A gente colocou elas aqui para entender um pouco sobre quais são as espécies que estão ocorrendo”.

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Como as 18 armadilhas foram posicionadas no Espinilho

Os cientistas percorreram campos abertos e trechos de vegetação fechada antes de definir os pontos de instalação. A equipe usou 18 armadilhas fotográficas, com cerca de 1 quilômetro de distância entre uma câmera e outra, para não interferir no comportamento dos animais. Os aparelhos são acionados por sensores de movimento e têm tecnologia infravermelha, o que permite gravar durante a noite sem disparar flash.

Além do gato-do-mato-grande melânico, o monitoramento registrou a circulação de tatu-pelado, zorrilho, graxaim-do-campo, graxaim-do-mato, ema, lontra e uma família de capivaras. Segundo os pesquisadores, esses registros ajudam a entender os hábitos da fauna local, o comportamento reprodutivo e a distribuição das espécies dentro da área protegida.

Perda de campo nativo ameaça o gato-palheiro-pampeano

Endêmico do bioma, o gato-palheiro-pampeano depende da conservação dos campos nativos, mas já perdeu mais de 80% do habitat original com o avanço da agricultura. A espécie foi registrada pelo Projeto Felinos do Pampa em junho de 2022, por armadilhas fotográficas instaladas na bacia do rio Tacuarembó, no município gaúcho de Dom Pedrito. Desde então, o animal não apareceu mais em registros recentes no Espinilho.

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A bióloga e professora responsável pelo projeto na UFRGS, Flávia Pereira Tirelli, afirmou que a substituição da vegetação nativa por lavouras compromete a sobrevivência do animal. Para ela, a espécie precisa de pasto e de campo para viver, e as monoculturas prejudicam esse habitat. “O gato-palheiro-pampeano é uma espécie que precisa de pasto. Então, ter a questão, por exemplo, da soja em toda a região, arroz, as monoculturas, são muito prejudiciais para uma espécie que precisa do campo para sobreviver. E aqui o parque é uma área que pode proteger espécies como essas”, declarou a coordenadora.

Bioma gaúcho reúne sete das dez espécies de felinos silvestres

O bioma Pampa ocupa 69% do território do Rio Grande do Sul, único estado brasileiro onde essa formação ocorre. Ele se estende também por partes da Argentina e do Uruguai e abriga 7 das 10 espécies de felinos silvestres registradas no Brasil. A preservação desses predadores é determinante para manter toda a cadeia ecológica da região.

A professora Flávia Pereira Tirelli, idealizadora do projeto, explica que a dieta estrita desses animais regula a fauna local. “A gente chama felinos de hipercarnívoros, ou seja, eles só se alimentam de carne. Não comem frutos ou outras coisas que complementariam a dieta. E, por serem hipercarnívoros, eles controlam a população das presas e o equilíbrio de um ambiente”, disse a bióloga.

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O Projeto Felinos do Pampa foi estruturado entre 2021 e janeiro de 2022 pelos biólogos Felipe Bortolotto Peters e Marina Ochoa Favarini, em atuação conjunta com Flávia Pereira Tirelli na UFRGS. O trabalho busca estudar e proteger esses animais no Rio Grande do Sul e no Uruguai.

Dados do monitoramento seguem para a gestão do parque

Criado em 1 de janeiro de 1975 e ampliado em 2002, o Parque Estadual do Espinilho sofre influência do espinal argentino. A unidade abriga cerca de 200 espécies de aves e está entre as mais relevantes para espécies ameaçadas dos Campos Sulinos. Segundo o gestor do parque, Bruno Carvalho Fernandes, o local preserva características de um ecossistema raro que já teve maior presença no território gaúcho.

Todo o material coletado pelas equipes da universidade será repassado à administração da unidade para orientar políticas públicas de manejo e proteção. Para Flávia Pereira Tirelli, a base permitirá que gestores e servidores saibam onde as espécies críticas estão. “A gente também entrega essa base de dados para o parque, porque aí assim os gestores, os funcionários, os servidores públicos do Estado conseguem saber onde espécies que são críticas, como é o caso do gato-palheiro-pampeano, estão e como pode ser feita então a preservação local para essa espécie”, afirmou.

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