Reforma tributária: apenas 9,1% dos contadores têm plano ativo para transição no BrasilPor Maria
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Profissionais contábeis e tributários com planos estruturados para a reforma tributária somam apenas 9,1% em todo o Brasil, revela levantamento divulgado pelo Thomson Reuters Institute em 6 de novembro de 2026. O percentual confirma a lentidão na preparação técnica do mercado a poucas semanas do início do calendário de transição, marcado para 2027 com a cobrança da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
Mesmo superando os 3,8% registrados na edição de 2025 do estudo, o avanço deixa a maior parte das bancas estagnada em etapas preliminares. Do total de entrevistados, 52,9% declararam que apenas acompanham o noticiário e as normas legais, sem adotar qualquer protocolo interno para orientar clientes.
A sondagem presencial e remota ouviu 577 especialistas do setor fiscal em todo o país entre julho e agosto de 2026. O levantamento identificou que 23,4% dos profissionais conduzem análises preparatórias, 13,2% mantêm contato incipiente com o tema e 1,6% não souberam avaliar a própria situação.
No âmbito institucional, 74% dos escritórios contábeis admitiram que ainda não montaram comitês técnicos para medir os efeitos das mudanças tributárias. A sobrecarga de trabalho nas apurações mensais desponta como o principal obstáculo para a modernização.
Rotina operacional e indefinição de regras atrasam bancas contábeis
As obrigações cotidianas e a falta de horas livres no expediente foram apontadas por 36,8% dos participantes como o maior gargalo para formatar planos estruturados de atendimento corporativo.
A falta de clareza nas diretrizes oficiais também trava o cronograma interno das bancas de assessoria:
- Concorrência com a rotina e falta de tempo: 36,8%
- Incerteza regulatória e falta de clareza nas normas oficiais: 27,3%
- Falta de treinamentos e conteúdo educativo: 13,2%
- Escassez de mão de obra qualificada no mercado: 11,7%
- Complexidade das novas regras aprovadas: 9,0%
- Limitações orçamentárias internas: 6,6%
- Resistência ou dificuldades operacionais de clientes: 5,4%
- Excesso de informações desencontradas: 3,3%
As restrições de planejamento afetam o controle orçamentário das próprias bancas e das empresas atendidas. Cerca de 70% dos participantes relataram que ainda não calcularam os gastos exigidos pela transição, sendo que 46% planejam começar as contas e 23% não pretendem estimar os custos, que podem consumir até 2% da receita bruta anual de uma companhia.
Retenção imediata de tributos deve pressionar capital de giro
A chegada da liquidação financeira instantânea de impostos, chamada no mercado de split payment, surge como o maior desafio prático para as finanças corporativas. O mecanismo desconta o imposto devido no exato momento da operação financeira, retirando o montante do caixa transitório da empresa que vende mercadorias ou presta serviços.
Para o vice-presidente do segmento contábil e tributário da Thomson Reuters, Marcondes de Borba, o modelo altera profundamente a gestão financeira empresarial. Ele frisou que a prática tradicional de cobrir compromissos imediatos e financiar fornecedores com a receita temporária de tributos precisará ser reformulada para evitar colapsos de liquidez.
“Isso exige planejamento financeiro, revisão de contratos e precificação, limpeza de dados cadastrais e simulação de cenário. E aí que o contador pode ajudar”, afirmou Borba.
A preocupação com a estabilidade bancária é compartilhada pela maioria dos especialistas ouvidos. Um contingente de 51% dos profissionais calcula impacto negativo moderado ou severo sobre a liquidez das empresas atendidas com a entrada da CBS, enquanto 26% esperam ganho na disponibilidade de recursos.
Demanda por consultoria estratégica cresce nos escritórios
A elevação da complexidade operacional prevista por 55% dos entrevistados desloca o foco de atuação dos escritórios. Em vez de emitir guias rotineiras de arrecadação, contadores passam a concentrar esforços na auditoria preventiva de contratos e na reformulação das tabelas de preços de indústrias e estabelecimentos comerciais.
As expectativas positivas dos profissionais para a transição concentram-se no suporte analítico:
- Escritórios que preveem aumento na demanda por consultoria: 73%
- Bancas contábeis com foco em simulação de cenários: 55%
- Estimativa de aperto financeiro nas empresas clientes: 51%
- Custos previstos para atualização de sistemas e processos: até 2% da receita
O cronograma de migração definitiva para o modelo unificado de tributação sobre o consumo no país segue em etapas até 2033.







