Peña anuncia renúncia à Presidência do Paraguai em meio à crise do Ueno BankPor Luís Henrique Costa
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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) sua renúncia ao cargo, em meio à crise do Ueno Bank. O anúncio foi feito em vídeo publicado em sua conta no X, em Assunção. A renúncia, porém, ainda depende de decisão do Congresso paraguaio.
Em tradução livre, Peña disse no vídeo: “Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República”. O anúncio veio dias depois de o Banco Central do Paraguai intervir no Ueno Bank, na terça-feira (3), e de a população ir às ruas pedir o impeachment do presidente.
Peña anuncia renúncia, mas Congresso ainda decide
Antes do anúncio, o Congresso paraguaio discutia um pedido de juízo político contra Peña. Trata-se de um processo que pode levar ao afastamento do presidente, e a acusação é de conflito de interesses ligado ao Ueno Bank. Segundo informações apuradas, o pedido também cita créditos concedidos a empresas relacionadas ao caso.
O juízo político é o instrumento que o Legislativo usa para decidir sobre o afastamento de um chefe de Estado, e a etapa final cabe aos parlamentares. Segundo informações apuradas, a Câmara de Deputados já registrou 78 votos favoráveis à acusação contra Peña. Por isso, a saída do presidente depende agora de uma decisão do Congresso, e não apenas do anúncio feito no vídeo.
Ainda não se sabe se o Congresso aceitará a renúncia nem quando a votação ocorrerá. Segundo as fontes consultadas, o vice-presidente Pedro Alliana deve assumir a Presidência, mas não há confirmação da data de posse.
Confira também: Impeachment de Santiago Peña no Paraguai: deputados acionam Câmara após colapso no Ueno Bank
- 78 votos favoráveis na Câmara de Deputados à acusação para juízo político contra Peña, segundo informações apuradas
- 5 dias úteis: prazo fixado por lei promulgada por Peña para devolver a maior parte dos fundos aos clientes do Ueno Bank
- 2023: ano em que Peña assumiu a Presidência
- 2028: fim do mandato previsto para Peña
Ueno Bank: intervenção do Banco Central e bloqueio de contas
O Banco Central do Paraguai decidiu intervir no Ueno Bank, um banco digital, e suspendeu suas atividades. A medida também bloqueou as contas de milhões de clientes, o que levou a população às ruas. Segundo informações apuradas, o órgão identificou que o índice de solvência da instituição estava abaixo da metade do mínimo exigido por lei. Os créditos concedidos a empresas relacionadas ao caso, citados no pedido de juízo político, somam US$ 123 milhões.
A intervenção foi decidida pelo Banco Central do Paraguai em 3 de novembro de 2026. Uma lei promulgada por Peña fixou em 5 dias úteis o prazo para devolver a maior parte dos fundos aos clientes do Ueno Bank. Para quem teve as contas bloqueadas, esse prazo é o ponto que mais afeta o dia a dia, enquanto a disputa política segue no Congresso.
Peña foi ministro da Fazenda antes de chegar à Presidência. Segundo informações apuradas, ele tinha ações de um grupo que controlava o banco e se desvinculou dessa sociedade até março de 2025. Ainda de acordo com a apuração, o Partido Colorado, do governo, havia respaldado o juízo político antes da renúncia.
Senadora cobra que Peña não deixe o país
A senadora paraguaia Esperanza Martínez disse nesta quinta-feira (5) que as autoridades precisam agir com rapidez para evitar que Peña deixe o país, “como Bolsonaro fez”. Segundo a imprensa paraguaia, ela afirmou que não basta a renúncia e defendeu que o presidente seja julgado, investigado e preso.
Peña justifica a decisão pela estabilidade do país
No vídeo, Peña afirmou que a decisão foi tomada “pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas”. O pronunciamento não trouxe detalhes sobre o pedido de juízo político nem sobre o prazo para a votação no Congresso.
Ainda não confirmado: votação, posse e investigação penal
Uma chamada da imprensa paraguaia menciona investigação penal da Fiscalía contra Peña, mas o tema não foi aprofundado. A fala da senadora sobre Bolsonaro também não foi localizada em outras fontes consultadas pela reportagem. Não se sabe quando a votação no Congresso ocorrerá.








