Horário de verão continua suspenso e sem volta prevista em 2026Por Manuela
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O Ministério de Minas e Energia informa que o horário de verão segue suspenso desde 2019 e não deve voltar no ciclo 2026/2027. A suspensão foi anunciada pelo então presidente Jair Bolsonaro, depois de estudos indicarem que a medida já não gerava economia significativa de energia. O assunto segue em debate, com argumentos a favor e contra a volta da prática.
Até 2019, o ajuste valia para Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. A medida foi criada para reduzir a demanda de energia no horário de pico, que o governo situava entre 18h e 21h, e a suspensão atingiu principalmente as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
- Consumo: redução de menos de 0,5% em 2018, segundo estudos da época.
- Rotina: trabalhadores e estudantes precisavam se adaptar ao ajuste dos relógios.
- Debate: parte da população defende a volta para aproveitar a luz do sol.
Como a medida surgiu em 1931 e chegou a 2008
O horário de verão começou a valer no país em 1931, por decreto de Getúlio Vargas, com o Decreto nº 20.466, de 3 de outubro daquele ano. Depois de suspenso em 1933, o ajuste voltou em 1985 e foi oficializado em 2008 pelo Decreto nº 6.558.
Pela regra usada até 2019, os relógios avançavam à 0h do primeiro domingo de novembro e voltavam à 0h do terceiro domingo de fevereiro. Quando a data coincidia com o Carnaval, o fim do período era adiado, e as regiões Norte e Nordeste ficavam de fora.
Por que o governo deixou a medida de lado em 2019
Em 2019, o governo federal revogou a medida pelo Decreto nº 9.772, que também desfez outros 25 decretos anteriores que instituíam a hora de verão desde a década de 1990. A pasta ligou a perda de eficácia à popularização de aparelhos mais eficientes, como as lâmpadas LED.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontou economia mínima, de cerca de 0,4% em 2018. Queixas sobre sono e produtividade também pesaram na decisão, porque a mudança abrupta de relógio afetava a rotina das pessoas.
Com o aumento do uso de ar-condicionado durante o dia, o maior consumo passou para a tarde e deixou de coincidir com o início da noite. Para o governo, esse deslocamento reduziu os benefícios esperados e não justificava mais os transtornos causados.
Como a suspensão mexeu com comércio, turismo e rotina
Setores como comércio e turismo, que se beneficiavam da luz solar no fim do dia, relataram perdas depois da suspensão. Já trabalhadores e estudantes passaram a ter mais conforto, porque deixaram de ajustar o relógio duas vezes por ano.

A falta de consenso mantém o tema em pauta, sobretudo em períodos de crise energética.
Saiba mais: Ministério de Minas e Energia mantém suspensão do horário de verão em 2026
O que defendem os favoráveis ao retorno do horário
Os defensores do horário de verão citam o aproveitamento da luz natural para atividades ao ar livre. Eles também afirmam que a medida poderia reduzir o consumo no horário de pico e aliviar o sistema elétrico.
Parte dos defensores sustenta que, em alguns estados, a economia de energia ainda seria relevante, embora menor do que no passado. A discussão ganha força em períodos de estiagem, quando os reservatórios estão baixos.
Governo descarta a volta para o ciclo 2026/2027
O MME concluiu, no relatório de monitoramento da Agenda Estratégica Eletroenergética 2026, datado de 31 de agosto de 2026, que não há previsão de implantar o horário de verão em 2026/2027. A análise foi aberta na 315ª reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), em 11 de fevereiro de 2026.
Em nota de 21 de setembro de 2026, o ministério repetiu que os estudos do ONS não indicam necessidade da medida para o próximo período seco. A pasta também afirmou que o horário de verão não é considerado medida estrutural para atender a requisitos de potência do sistema elétrico. Na prática, os relógios seguem como estão no fim de 2026 e no verão.
Em quais condições a medida poderia voltar
O MME afirma que o CMSE continuará avaliando periodicamente a política, com foco na segurança e na confiabilidade do abastecimento de energia. Em 2024, durante uma seca severa, o comitê chegou a recomendar a volta, mas o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, descartou a medida em 16 de outubro daquele ano, citando a melhora dos reservatórios.
Qualquer retorno exigiria um decreto publicado no Diário Oficial da União, com data de início definida. Até a apuração desta reportagem, nenhum ato desse tipo havia sido publicado.







