Saúde

Tumores infantis têm causas biológicas distintas de adultos

mão segurando uma fita laranja. campanha de prevenção ao câncer de pele
mão segurando uma fita laranja. campanha de prevenção ao câncer de pele - Leonidas Santana/shutterstock.com

Lydia Begoña Horndler Gil, professora de imunologia e biologia do câncer na Universidade San Jorge, detalhou as disparidades que separam os diagnósticos oncológicos de crianças daqueles observados em adultos. Enquanto indivíduos maduros enfrentam neoplasias frequentes de pulmão, cólon, mama e próstata após anos de exposições acumuladas, os pacientes pediátricos desenvolvem principalmente leucemias, patologias cerebrais, linfomas e neuroblastomas provocados por mutações originadas nas primeiras fases celulares do crescimento.

Discrepância nos índices de sobrevida entre faixas etárias

Aproximadamente 80% das crianças diagnosticadas com a enfermidade conseguem superar o quadro clínico, índice superior à média de 50% observada no grupo adulto somando todas as variantes tumorais.

O corpo infantil reage melhor. Cerca de 40% dos diagnósticos em pessoas maduras derivam do uso de tabaco, ingestão de álcool, obesidade e contato com compostos tóxicos ao longo da vida. Nas crianças, apenas entre 5% e 10% dos registros possuem ligação com síndromes hereditárias familiares.

Origem genética precoce substitui fatores ambientais

Alterações cromossômicas surgem durante o desenvolvimento embrionário e permanecem latentes por anos antes de provocar manifestações clínicas no organismo da criança. A ausência de agentes externos acumulados retira a culpa comportamental das famílias acolhidas por entidades assistenciais como a ASPANOA.

O neuroblastoma exemplifica como anomalias embrionárias se manifestam cedo.

Medula óssea jovem altera o comportamento celular

Ao contrário da medula de idosos com 70 anos infiltrada por gordura e com redução na formação de células sanguíneas, o tecido ósseo infantil mantém alta mineralização e atividade constante para sustentar o crescimento. Esse ambiente permite que linhagens de leucemia mieloide aguda se escondam em nichos profundos, resistam provisoriamente aos remédios e causem recidivas perigosas aos pacientes pediátricos.

A rotina clínica exige atenção diagnóstica imediata. Os sinais iniciais diferem dos nódulos perceptíveis no corpo adulto. Diversas reações corporais comuns acionam a necessidade de investigação hospitalar:

  • Febre persistente sem causa aparente
  • Fadiga excessiva fora do padrão habitual
  • Infecções recorrentes e sucessivas
  • Hematomas frequentes espalhados pela pele
  • Dores ósseas contínuas sem histórico de trauma

Terapias buscam proteger a qualidade de vida adulta

A aplicação de quimioterapia ou radioterapia durante a infância acarreta riscos de sequelas no crescimento, alterações hormonais, problemas cardíacos e redução da fertilidade. Cientistas desenham protocolos adaptados às particularidades da infância para assegurar o controle definitivo da doença com menor impacto físico futuro.

Lydia Begoña Horndler Gil recebe financiamento da associação espanhola ASPANOA para aprofundar investigações sobre a biologia tumoral infantil na Universidade San Jorge.

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