Governo avalia incluir remédio para obesidade na rede do SUSPor Jeronimo Santos
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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou em 17 de setembro, durante agenda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cidade mineira de Montes Claros, os diagnósticos preliminares sobre a inclusão de canetas emagrecedoras no Sistema Único de Saúde. O governo federal pretende distribuir o tratamento de obesidade sem custos aos usuários com base em critérios técnicos e na formatação de um protocolo clínico.
“O Brasil é hoje o país com a maior diversidade de medicamentos registrados para o combate à obesidade, as chamadas canetas emagrecedoras. Já temos 14 produtos registrados. E isso derrubou o preço para a população. O que estava custando R$ 1,7 mil, R$ 2 mil, já está entre R$ 300 e R$ 400 na farmácia, aumentando o acesso. Isso já ajuda muita gente. Mas a gente quer uma outra coisa: colocar essa medicação no SUS como um direito. E vamos fazer isso de forma responsável”, afirmou Padilha.
Durante inspeção às instalações da farmacêutica Eurofarma, Padilha declarou que a inclusão do remédio não funcionará como recurso puramente estético. “Estamos avaliando pessoas que estavam na fila de cirurgia bariátrica para saber se o uso dessa medicação consegue controlar a obesidade sem a necessidade de cirurgia; se melhora a situação de pessoas que têm obesidade e problemas cardíacos; e de mulheres que tiveram câncer de mama, avaliando se a utilização dessa medicação pode reduzir o risco de o câncer voltar. São pessoas que precisam do medicamento, com orientação médica. Vamos deixar pronto o protocolo para podermos disponibilizá-lo no SUS, em todo o Brasil, de forma responsável”, explicou o ministro.
O titular da pasta apontou que a apuração teve início após a Organização Mundial da Saúde publicar um relatório que recomendou a avaliação sobre esses fármacos devido aos potenciais benefícios para diferentes condições clínicas.
“Assim que a OMS divulgou esse relatório, o Ministério da Saúde e a Anvisa chamaram empresas nacionais e internacionais, lançaram um edital e perguntaram quem teria condições de produzir, aqui no Brasil, a caneta emagrecedora à base de semaglutida, cuja patente expirava neste ano de 2026. Tivemos uma resposta muito boa”, disse o ministro.
O planejamento financeiro compõe a estratégia governamental aliada à avaliação sobre análogos de GLP-1 em pacientes da rede pública. A primeira aplicação ocorreu no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Os dados iniciais foram apresentados.
“O primeiro paciente que recebeu essa medicação pelo SUS estava na fila da cirurgia bariátrica. Ele já perdeu seis quilos e reduziu a circunferência. E o que é mais legal: ele conta que já mudou os hábitos de vida. Começou a ajudar a mãe em casa, a sair de casa e a fazer atividade física”, contou Padilha.
Batizada de Real-Bari, a pesquisa elaborada em conjunto pelo Ministério da Saúde e pelos profissionais do Grupo Hospitalar Conceição utiliza um protocolo específico para administração de semaglutida. O procedimento visa assegurar proteção aos participantes e fixar parâmetros para a assistência prestada pelos médicos especialistas do centro hospitalar gaúcho. O hospital acompanhará 250 indivíduos diagnosticados com obesidade grave ou complicações de saúde associadas.








