A Neo Química Arena foi palco de uma noite de emoções intensas nesta quarta-feira, 26 de fevereiro. O Corinthians enfrentou a Universidad Central, da Venezuela, em um jogo decisivo pela segunda fase da pré-Libertadores e saiu vitorioso por 3 a 2, garantindo sua passagem para a próxima etapa do torneio. Yuri Alberto, com dois gols, e Matheus Bidu foram os responsáveis por evitar o que seria um vexame histórico em casa, especialmente após um primeiro tempo marcado por falhas defensivas e domínio adversário. A torcida alvinegra, que lotou as arquibancadas, vibrou com a reviravolta no placar, impulsionada por um gol salvador aos 44 minutos do segundo tempo. O resultado mantém vivo o sonho do clube de alcançar a fase de grupos da competição continental, mas expõe fragilidades que preocupam para os desafios futuros.
Com mais de 40 mil torcedores presentes, o Timão começou a partida com ímpeto. Logo aos dois minutos, Yuri Alberto abriu o placar após uma jogada bem trabalhada envolvendo Martínez e Carrillo. No entanto, a alegria durou pouco, e a Universidad Central aproveitou erros defensivos para virar o jogo ainda na primeira etapa, silenciando a arena. O desempenho abaixo do esperado no início reacendeu críticas sobre a preparação da equipe para um torneio tão exigente, mas a determinação no segundo tempo mudou o cenário e assegurou a classificação.
A vitória, embora suada, dá ao Corinthians a chance de corrigir falhas antes do próximo confronto eliminatório. O adversário na terceira fase ainda será definido, mas a expectativa é de um duelo mais complicado, considerando o nível crescente de competitividade na pré-Libertadores. Enquanto isso, a Fiel celebra o avanço e confia no potencial do elenco comandado por Ramón Díaz para buscar um lugar entre os 32 melhores da América do Sul.
O gol da classificação do Coringão! ⚽️⚽️⚽️#VaiCorinthianspic.twitter.com/86kpvZwEVI
— Corinthians (@Corinthians) February 27, 2025
Reviravolta em Itaquera garante alívio ao Timão
Primeiro tempo expõe fragilidades do Corinthians
O embate contra a Universidad Central começou favorável ao Corinthians, mas rapidamente se transformou em um teste de paciência para os torcedores. Após o gol inicial de Yuri Alberto, que surgiu de uma inversão precisa de Martínez e um cruzamento perfeito de Carrillo, a equipe brasileira perdeu o controle do jogo. A Universidad Central, mesmo sendo considerada tecnicamente inferior, explorou falhas na marcação e na saída de bola alvinegra, virando o placar para 2 a 1 antes do intervalo. A torcida, que esperava uma atuação dominante, vaiou o time ao fim da primeira etapa, refletindo a frustração com a desorganização tática e a falta de consistência.
A vulnerabilidade defensiva do Corinthians não é novidade nesta temporada. Nos últimos cinco jogos disputados em casa, o time sofreu gols em quatro ocasiões, evidenciando uma dificuldade recorrente em manter a solidez. Contra os venezuelanos, os erros de posicionamento e as bolas perdidas no meio-campo permitiram que o adversário criasse chances claras, algo que poderia ter custado caro em uma competição de mata-mata como a Libertadores.
Segundo tempo traz redenção e gritos da Fiel
Retornando do intervalo sob pressão, o Corinthians mostrou outra postura. Matheus Bidu empatou o jogo aos 25 minutos do segundo tempo, aproveitando uma sobra na área após cobrança de escanteio. A igualdade no placar reacendeu a esperança nas arquibancadas, e o time passou a buscar a vitória com mais intensidade. Aos 44 minutos, Yuri Alberto recebeu cruzamento de Garro e finalizou com precisão de pé esquerdo, selando a virada por 3 a 2. O gol, que explodiu a Neo Química Arena, foi o 12º do atacante na temporada, consolidando-o como peça-chave no esquema de Ramón Díaz.
A reação no segundo tempo destacou a capacidade de superação do elenco, mas também levantou questionamentos sobre a dependência de momentos de inspiração individual. A torcida, conhecida por seu apoio incondicional, foi essencial para empurrar o time nos minutos finais, transformando o estádio em um caldeirão que intimidou os visitantes e garantiu a classificação.
Caminho do Corinthians na pré-Libertadores
Números e destaques da partida em Itaquera
O duelo contra a Universidad Central revelou tanto os pontos fortes quanto as fraquezas do Corinthians. Yuri Alberto, com seus dois gols, liderou o ataque e chegou a uma média de 0,75 gol por jogo em competições continentais neste ano. Matheus Bidu, por sua vez, marcou seu primeiro gol na temporada, reforçando a importância de contribuições inesperadas em partidas decisivas. A posse de bola do Timão atingiu 58%, mas os 12 chutes a gol, contra 8 dos venezuelanos, mostram que a equipe ainda precisa melhorar a eficiência ofensiva.
Estatísticas do jogo apontam que o Corinthians cometeu 14 faltas, enquanto a Universidad Central fez 10, refletindo a intensidade do confronto. A virada no placar veio acompanhada de uma melhora na compactação defensiva na segunda etapa, com o time reduzindo os espaços que haviam sido explorados pelos adversários antes do intervalo. Esses ajustes táticos, embora tardios, foram fundamentais para evitar uma eliminação precoce em casa.
Cronograma da pré-Libertadores: o que vem pela frente
Com a vitória, o Corinthians avança para a terceira fase da pré-Libertadores, última etapa antes da fase de grupos. Confira as próximas datas e etapas do torneio:
- Fase 2 (ida e volta): 19 e 26 de fevereiro – Corinthians 3 x 2 Universidad Central (agregado 4 x 3).
- Fase 3 (ida): 4 a 6 de março – jogos de ida contra adversário a ser definido.
- Fase 3 (volta): 11 a 13 de março – jogos de volta, com o Corinthians decidindo em casa por seu ranking na Conmebol.
- Sorteio da fase de grupos: 19 de março – definição dos grupos, caso o Timão se classifique.
O próximo adversário sairá de confrontos envolvendo equipes como Bolívar, El Nacional ou Barcelona de Guayaquil, dependendo dos resultados da segunda fase. A Conmebol divulgará os duelos em breve, mas o Corinthians, 18º no ranking da entidade, terá a vantagem de decidir a vaga em Itaquera.
Desafios e expectativas para o Timão no torneio
Pressão da torcida e ajustes necessários
Mais de 40 mil vozes ecoaram na Neo Química Arena, demonstrando o peso da Fiel na campanha do Corinthians. A torcida, que já viu o clube conquistar a Libertadores em 2012, exige um desempenho à altura da história alvinegra. No entanto, a atuação irregular contra a Universidad Central acende um alerta: o time precisa evoluir taticamente para enfrentar adversários mais qualificados. A dependência de Yuri Alberto no ataque e os lapsos defensivos são pontos que Ramón Díaz terá de trabalhar intensamente nas próximas semanas.
O elenco, reforçado por nomes como Memphis Depay na temporada, tem potencial para ir além, mas a falta de regularidade preocupa. Nos últimos dez jogos em casa pela Libertadores, o Corinthians venceu sete, empatou dois e perdeu apenas um, mas a atual campanha na pré-fase mostra que a margem para erros diminui a cada etapa. A classificação suada reforça a necessidade de foco e preparação para o que está por vir.
Rumo à fase de grupos: o que está em jogo
Avançar à terceira fase coloca o Corinthians a apenas dois jogos da tão sonhada fase de grupos, que reúne os principais clubes da América do Sul. A competição oferece premiações significativas – cerca de 3 milhões de dólares por participação na fase de grupos – e a chance de disputar o Mundial de Clubes em caso de título. Para o Timão, chegar lá também significa recuperar prestígio continental após ficar fora da edição de 2024 e ser eliminado precocemente em 2023.
O próximo confronto será decisivo, e a equipe precisará contar com o apoio maciço da torcida em Itaquera. Enquanto isso, os ajustes táticos e a evolução do elenco serão testados contra um adversário que, pelo nível da competição, deve impor maior resistência. A história do Corinthians na Libertadores é marcada por superação, e a vitória contra a Universidad Central é mais um capítulo dessa trajetória de luta e paixão.
