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Um dia de lazer em família virou um pesadelo para Flaviane Dias Cumerlato, empresária de 33 anos, em Capão da Canoa, no litoral do Rio Grande do Sul. No início de fevereiro, durante uma estadia em uma casa alugada, ela sofreu um acidente grave ao ter o cabelo preso no sugador da piscina. O incidente resultou em uma fratura na vértebra C5 e na quebra das vértebras C6 e C7 de sua cervical, colocando-a a poucos milímetros de uma lesão na medula que poderia tê-la deixado tetraplégica. “Foi um milagre ter sobrevivido e não ter perdido os movimentos”, afirmou Flaviane, que ainda enfrenta um longo processo de recuperação após uma cirurgia delicada. O caso expõe os riscos de piscinas sem dispositivos de segurança adequados e levanta debates sobre responsabilidade e prevenção. Hoje, um mês após o procedimento cirúrgico, a empresária busca justiça e compartilha sua história para alertar outras famílias.

A tranquilidade de um sábado de verão foi interrompida em 1º de fevereiro, quando Flaviane, acompanhada do marido e dos filhos, aproveitava a piscina da casa alugada. Após uma hora de diversão, ela ficou sozinha na água enquanto atendia uma ligação. Ao tentar molhar o cabelo sem mergulhar, inclinando a cabeça para trás, o sugador da piscina entrou em ação com uma força avassaladora, prendendo-a submersa e desencadeando o acidente que quase lhe custou a vida.

Passado o susto inicial, o marido de Flaviane agiu rapidamente para resgatá-la, mas o esforço, embora salvador, foi arriscado devido às lesões na cervical. Levada às pressas para o hospital, a empresária começou uma jornada de exames, imobilização e cirurgia, marcada por momentos de dor intensa e incerteza. O episódio deixou marcas físicas, emocionais e financeiras na família, que agora luta por reparação.

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Uma publicação compartilhada por Flaviane Dias Cumerlato (@flavianediasr)

O momento do acidente: um susto que mudou tudo

Flaviane Dias Cumerlato estava aproveitando um dia comum de férias quando o inesperado aconteceu. Após um dia na praia, a família decidiu relaxar na piscina da casa alugada em Capão da Canoa. Enquanto o marido e os filhos saíram da água, ela permaneceu para atender uma ligação da mãe. Ao terminar o telefonema, inclinou a cabeça para trás com a intenção de apenas molhar os cabelos. Foi então que o sugador da piscina, com uma força surpreendente, puxou seus fios e a prendeu debaixo d’água.

“Eu fui puxada com tudo e fiquei presa ali embaixo. Tentava puxar o cabelo e achava que ia morrer afogada”, relatou Flaviane, relembrando o desespero. Em um esforço para se libertar, ela conseguiu soltar parte do cabelo e emergir por um instante, gritando por socorro antes de ser novamente arrastada para baixo. O marido, que estava na sala com os filhos, inicialmente pensou que fosse uma brincadeira, mas logo percebeu a gravidade ao não ouvir resposta.

Com uma força que Flaviane descreveu como “a maior que ele jamais usou”, o companheiro conseguiu tirá-la da piscina. No entanto, os médicos alertaram posteriormente que o movimento brusco poderia ter agravado as fraturas na cervical, aumentando o risco de danos irreversíveis à medula. Imobilizada e sem forças para andar, ela foi levada de ambulância ao hospital local, onde os primeiros exames revelaram a extensão das lesões.

Da emergência à cirurgia: uma corrida contra o tempo

Após o resgate, Flaviane foi atendida em Capão da Canoa e logo transferida para Porto Alegre, a cerca de 12 horas do acidente. No hospital, os médicos constataram a gravidade: a vértebra C5 estava fraturada, e as C6 e C7, quebradas, com o osso desalinhado a milímetros da medula espinhal. “Você corre o risco de ficar tetraplégica”, alertaram os profissionais, enquanto a empresária, imobilizada, enfrentava dores intensas nas costas e no pescoço.

A transferência para a capital envolveu cuidados extremos. Cinco médicos seguraram seu corpo e pescoço para evitar qualquer movimento que pudesse comprometer a medula. “Era por pouco”, disse Flaviane, destacando a tensão daqueles momentos. Já em Porto Alegre, a cirurgia, essencial para estabilizar a coluna, foi adiada por cinco dias devido a entraves com o plano de saúde, que relutava em liberar os equipamentos solicitados pelo cirurgião. O procedimento só ocorreu em 7 de fevereiro, exatamente um mês antes da data atual.

Realizada com sucesso, a cirurgia permitiu que Flaviane recuperasse os movimentos, mas o processo de recuperação está longe de acabar. Ela recebeu alta em 11 de fevereiro e, desde então, segue com fisioterapia e repouso. Apesar do alívio por evitar a tetraplegia, as sequelas persistem, incluindo limitações no pescoço e perda de sensibilidade nos dedos, sem garantia de recuperação total.

Impactos além do físico: trauma e custos elevados

O acidente não deixou apenas marcas físicas em Flaviane Dias Cumerlato. O trauma emocional afetou toda a família, especialmente sua filha de 4 anos, que desenvolveu crises de pânico após ver a mãe sendo levada pela ambulância. “Ver a reação dela foi devastador”, contou a empresária, que ainda lida com as próprias memórias do ocorrido. A experiência transformou o que deveria ser um momento de alegria em um pesadelo que continua a ecoar.

Financeiramente, o impacto também foi significativo. Os custos hospitalares extras, não cobertos pelo plano de saúde, chegaram a quase R$ 12 mil, incluindo equipamentos e estrutura para a cirurgia. Além disso, a família perdeu passagens aéreas para uma viagem planejada aos Estados Unidos, sem possibilidade de reembolso. A casa alugada, com diárias de R$ 2 mil, também não teve os valores das diárias não utilizadas devolvidos, apesar dos pedidos de Flaviane à proprietária.

Agora, a empresária busca justiça. Ela contatou a dona da propriedade para relatar o acidente e solicitar apoio financeiro, mas não obteve resposta. Para Flaviane, a falta de dispositivos de segurança na piscina é uma negligência grave, e ela defende que a responsabilidade recai sobre quem oferece o imóvel. “Você paga caro por um lugar assim e quase morre por causa de uma falha que poderia ser evitada”, desabafou.

A luta por justiça e a legislação de segurança

Flaviane Dias Cumerlato decidiu transformar sua experiência em um alerta para outras famílias e em uma batalha por responsabilização. Ela argumenta que a proprietária da casa alugada deveria responder pela falta de segurança na piscina, que não contava com uma proteção adequada no sugador. “É uma telinha simples que poderia ter salvado minha vida e tantas outras”, afirmou, destacando a importância de medidas preventivas.

No Brasil, a Lei nº 14.327/2022 estabelece normas claras para a segurança em piscinas. A legislação exige que todas as piscinas, sejam existentes ou em construção, tenham dispositivos que protejam contra o enlace de cabelos, turbilhonamento e sucção de partes do corpo. Apesar disso, acidentes como o de Flaviane continuam a ocorrer, sugerindo falhas na fiscalização e na adoção dessas medidas por proprietários. Dados mostram que incidentes envolvendo sugadores de piscina já resultaram em afogamentos e lesões graves no país, muitas vezes com vítimas crianças.

A empresária, que mora em Canela, na Serra Gaúcha, planeja seguir adiante com sua busca por reparação. Além do reembolso das diárias e dos custos médicos, ela quer garantir que casos como o dela não se repitam. “Se eu conseguir evitar que outra pessoa passe por isso, já vai ter valido a pena”, declarou, enquanto continua sua recuperação física e emocional.

Cronologia do acidente: os dias que marcaram Flaviane

Para entender a gravidade do ocorrido, é útil acompanhar a sequência de eventos que transformaram a vida de Flaviane Dias Cumerlato. Cada etapa reflete a intensidade do acidente e seus desdobramentos.

  • 1º de fevereiro: Flaviane tem o cabelo preso pelo sugador da piscina em Capão da Canoa, sofre fraturas na cervical e é resgatada pelo marido. Levada ao hospital local, é transferida para Porto Alegre no mesmo dia.
  • 2 a 6 de fevereiro: Permanece imobilizada em Porto Alegre, aguardando a liberação do plano de saúde para a cirurgia, sob risco constante de lesão na medula.
  • 7 de fevereiro: Passa por cirurgia bem-sucedida para estabilizar a coluna, marcando o início de sua recuperação.
  • 11 de fevereiro: Recebe alta hospitalar e retorna para casa, começando a fisioterapia.

Esses dias foram apenas o começo de uma jornada que ainda exige meses de cuidados e adaptação às sequelas deixadas pelo acidente.

Recuperação em curso: desafios físicos e emocionais

Hoje, Flaviane enfrenta um processo de recuperação lento e cheio de incertezas. A fisioterapia, iniciada após a alta, é essencial para tentar recuperar o movimento do pescoço e a sensibilidade nos dedos, mas os médicos alertam que ela pode nunca voltar ao estado anterior. “Provavelmente, 100% nunca mais terei”, refletiu a empresária, que precisou pausar suas atividades diárias como empreendedora em Canela.

O impacto emocional também pesa. A filha pequena, traumatizada pelo ocorrido, exige atenção extra da família, enquanto Flaviane lida com o medo e as lembranças do dia em que quase perdeu a vida. “Eu chorava de dor e de desespero no hospital”, contou, lembrando os momentos em que não sentia as costas ou o pescoço. Apesar disso, ela mantém a gratidão por ter sobrevivido e escapado de um destino ainda mais grave.

A rotina agora é marcada por repouso e sessões regulares de fisioterapia, enquanto a família tenta se reerguer financeiramente. O acidente, que poderia ter sido evitado com uma simples tela de proteção, deixou lições dolorosas e um alerta que Flaviane quer espalhar.

Riscos em piscinas: o que você precisa saber

Acidentes como o de Flaviane não são isolados e destacam a importância de medidas de segurança em piscinas. Para evitar situações semelhantes, algumas precauções são fundamentais:

  • Verifique se o sugador da piscina possui uma tela de proteção que impeça o enlace de cabelos.
  • Evite nadar com cabelos soltos próximos a ralos ou sistemas de sucção.
  • Certifique-se de que a manutenção da piscina está em dia e que os dispositivos de segurança estão instalados.
  • Em caso de emergência, saiba onde desligar a bomba da piscina para interromper a sucção.

Essas orientações simples podem fazer a diferença entre um dia de lazer e uma tragédia. Flaviane, que quase perdeu tudo por falta de uma dessas medidas, reforça a necessidade de conscientização.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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