Governo zera imposto de importação: o que muda nos preços dos alimentos no supermercado
A recente decisão do governo federal de zerar o imposto de importação de diversos alimentos da cesta básica tem gerado expectativas entre consumidores e especialistas sobre possíveis reduções de preços nas gôndolas dos supermercados. Anunciada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Geraldo Alckmin, a medida abrange itens como carne, café, açúcar, milho, óleo de girassol, azeite, sardinha, biscoitos e massas alimentícias. A iniciativa busca aumentar a oferta no mercado interno, pressionando os preços para baixo em um cenário de inflação persistente, agravada por fatores como o câmbio elevado e problemas climáticos que afetaram safras recentes. Embora a ação seja vista como um alívio imediato por alguns setores, analistas alertam que os efeitos podem ser limitados e de curto prazo, dependendo de variáveis como a competitividade da produção nacional e a dinâmica do mercado global.
Por trás da medida, está a preocupação do governo com a alta dos preços dos alimentos, que impacta diretamente o bolso dos brasileiros e a popularidade da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A redução das alíquotas, que variavam entre 7,2% e 14,4% dependendo do produto, foi implementada sem prazo definido, sinalizando um esforço contínuo para conter a inflação. Empresários do setor alimentício, como os representantes da indústria de carnes, já preveem uma queda imediata nos custos de importação, o que poderia beneficiar produtos que dependem de insumos externos.
A estratégia também inclui outras ações complementares, como a flexibilização da fiscalização sanitária por um ano e o fortalecimento dos estoques reguladores, que visam garantir o abastecimento e evitar oscilações bruscas de preço. Contudo, o sucesso da iniciativa dependerá de como o mercado reagirá à maior concorrência dos produtos importados e da capacidade de os supermercados repassarem essas reduções aos consumidores.
MENOS IMPOSTOS, MAIS COMIDA NA MESA!
— Geraldo Alckmin ???????? (@geraldoalckmin) March 7, 2025
Participei hoje com os ministros @costa_rui, @sidoniopalmeira, @carloshbfavaro e @pauloteixeira13 de uma reunião de trabalho bastante proveitosa com lideranças dos setores de alimentos, varejo e biocombustíveis. Garantir alimentos de… pic.twitter.com/P7VHOT49T0
Alimentos mais baratos: quais produtos podem ter preços reduzidos
Entre os itens contemplados pela redução do imposto de importação, alguns chamam atenção pelo potencial impacto no dia a dia dos brasileiros. A carne, por exemplo, que tinha alíquota de 10,8%, já registra queda sazonal devido à Quaresma e à menor demanda interna, segundo representantes do setor. Com o imposto zerado, frigoríficos esperam ampliar a importação de cortes específicos, o que pode aliviar os preços em um mercado tradicionalmente dominado pela produção nacional. O café, com alíquota anterior de 9%, é outro produto que pode se beneficiar, embora especialistas apontem que a alta nos preços internacionais, impulsionada por questões climáticas, limite os ganhos.
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O azeite e o óleo de girassol, ambos com imposto reduzido de 9%, também entram na lista de potenciais beneficiados. Esses produtos, amplamente utilizados na culinária brasileira, têm custos atrelados ao mercado externo, e a isenção pode torná-los mais acessíveis. Além disso, itens como sardinha, biscoitos e massas alimentícias, que possuem forte presença na cesta básica, podem registrar quedas pontuais, especialmente em regiões onde a importação já é uma prática comum.
Especialistas questionam impacto duradouro da medida
Embora a redução do imposto de importação seja vista como um passo positivo por parte do governo, economistas alertam que os efeitos podem não ser tão significativos quanto o esperado. Juliana Inhasz, economista e professora do Insper, destaca que a produção nacional de itens como café e carne é robusta, o que reduz a dependência de importações. Para ela, zerar a alíquota nesses casos tem mais apelo político do que impacto econômico real, funcionando como uma espécie de marketing governamental em um momento de pressão inflacionária. A especialista enfatiza que fatores como a taxa de câmbio elevada e a oferta limitada, tanto no Brasil quanto no exterior, são os verdadeiros desafios a serem enfrentados.
A análise ganha eco entre outros profissionais do setor. Matheus Dias, economista do FGV Ibre, explica que produtos como legumes e hortaliças, majoritariamente produzidos localmente, não sentirão os efeitos da medida, já que sua validade curta dificulta a importação em larga escala. No caso de grãos como milho e açúcar, que tinham alíquotas de 7,2% e 14%, respectivamente, o impacto também pode ser limitado, pois o Brasil é um grande exportador desses itens, e os preços internos tendem a seguir as cotações internacionais. Assim, a estratégia pode trazer alívio em produtos industrializados, como massas e biscoitos, mas não resolve os problemas estruturais da inflação.
Para Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, a medida pode gerar efeitos pontuais em itens à base de trigo, como massas, que afetam especialmente a população de baixa renda. No entanto, ela ressalta que a dinâmica inflacionária atual é influenciada por vetores mais complexos, como o dólar alto e uma demanda ainda aquecida, o que reduz o alcance da isenção tributária. Empresários, por outro lado, como Evandro Gussi, presidente da Unica, veem na ação um benefício imediato para produtos já importados, mas concordam que os ganhos serão de curto prazo.
Produtos beneficiados: lista detalhada da isenção
A decisão do governo abrange uma gama variada de alimentos que fazem parte do cotidiano dos brasileiros. Confira os principais itens que tiveram o imposto de importação zerado:
- Carne: Alíquota anterior de 10,8%, com expectativa de queda nos cortes importados.
- Café: Reduzido de 9%, mas influenciado por preços internacionais elevados.
- Açúcar: Antes taxado em 14%, pode ter alívio em regiões de menor produção local.
- Milho: Com alíquota de 7,2%, beneficia indústrias que utilizam o grão como insumo.
- Óleo de girassol: Redução de 9%, ampliando a concorrência com o óleo de soja.
- Azeite: Também com 9% antes da medida, pode ficar mais acessível ao consumidor.
- Sardinha: Item popular na cesta básica, agora sem taxação.
- Biscoitos: Redução beneficia produtos industrializados de consumo diário.
- Massas alimentícias: Impacto positivo em itens à base de trigo importado.
Esses produtos foram selecionados com base em sua relevância na cesta básica e na possibilidade de importação baratear os custos finais. A ausência de prazo para a medida sugere que o governo está aberto a ajustes conforme a resposta do mercado.
Cronograma das ações: como o governo planeja conter a inflação
O plano do governo para reduzir os preços dos alimentos não se limita à isenção de impostos. Um conjunto de medidas foi anunciado para complementar a estratégia, com prazos e objetivos específicos. A flexibilização da fiscalização sanitária, por exemplo, entrou em vigor imediatamente e terá validade de um ano, permitindo que produtos de origem animal circulem entre estados e municípios com inspeção local, sem a necessidade do sistema nacional. Já o fortalecimento dos estoques reguladores, que consiste na compra de alimentos em períodos de baixa para uso em momentos de alta, está em fase de implementação, com foco em itens como arroz e feijão.
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Outra ação prevista é o estímulo à produção no próximo Plano Safra, que deve priorizar alimentos da cesta básica, como grãos e proteínas. A expectativa é que os incentivos sejam detalhados nos próximos meses, com impacto mais significativo a partir da colheita de 2026. Além disso, o governo planeja parcerias com atacadistas para divulgar promoções, uma iniciativa que deve ganhar corpo ainda neste semestre, ampliando a visibilidade de preços mais competitivos.
Setor produtivo reage à nova política de importação
A indústria alimentícia e os produtores rurais têm visões distintas sobre a medida. Representantes do setor de carnes, como Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, celebram a redução do imposto sobre insumos, que pode baratear a produção interna. Para eles, a competitividade do Brasil no mercado global não será afetada, já que a exportação segue em alta. Por outro lado, a Frente Parlamentar da Agropecuária manifesta preocupação, argumentando que a importação facilitada pode prejudicar os produtores locais, especialmente os pequenos, que já enfrentam custos elevados de transporte e insumos.
No varejo, a recepção é mais otimista. Supermercados enxergam na isenção uma oportunidade de diversificar fornecedores e negociar melhores preços, especialmente em itens como azeite e massas, que têm forte apelo entre os consumidores. A Associação Brasileira de Supermercados avalia que a medida, combinada com a queda sazonal de alguns produtos, pode trazer alívio às famílias nos próximos meses.
Limites da medida: o que impede uma queda maior nos preços
Apesar do otimismo inicial, diversos fatores podem limitar o impacto da redução do imposto de importação. O câmbio, que mantém o dólar em patamares elevados, encarece os produtos importados, neutralizando parte dos ganhos da isenção. Além disso, as condições climáticas adversas, que reduziram safras no Brasil e no exterior, mantêm a oferta restrita em itens como café e laranja, dificultando uma queda expressiva nos preços. A logística interna também é um entrave, com custos de transporte elevados que comprometem a competitividade dos produtos importados no mercado nacional.
A dependência de commodities cotadas em dólares é outro ponto crítico. Mesmo com o imposto zerado, itens como milho e açúcar seguem os preços internacionais, que estão em alta devido à demanda global aquecida. Para os especialistas, medidas como crédito agrícola mais acessível e investimentos em infraestrutura teriam efeitos mais duradouros, mas demandam tempo e recursos que o governo ainda não detalhou.
Expectativas para o consumidor: o que esperar nas gôndolas
Para os brasileiros que enfrentam a alta dos alimentos no dia a dia, a promessa de preços mais baixos é um alento, mas os resultados devem variar. Produtos industrializados, como massas e biscoitos, têm maior chance de registrar quedas imediatas, já que dependem de insumos importados como o trigo. Já itens como carne e café podem demorar mais para refletir os benefícios, devido à forte produção local e à influência de fatores externos. A projeção da Companhia Nacional de Abastecimento aponta para uma safra 8% maior em 2025, o que, combinado à isenção, pode ampliar a oferta e pressionar os preços para baixo no médio prazo.
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Nos supermercados, a expectativa é de promoções mais frequentes, estimuladas pela parceria com o governo. Regiões mais próximas de portos, como o Sudeste e o Sul, podem sentir os efeitos da importação com maior rapidez, enquanto o interior do país dependerá da eficiência da distribuição. O consumidor, por sua vez, deve ficar atento às variações de preço, já que o repasse da redução depende das estratégias comerciais de cada varejista.

















