Famílias inscritas no Bolsa Família e no Cadastro Único (CadÚnico) têm uma nova oportunidade de acessar crédito em 2025 por meio do programa Acredita, iniciativa do Governo Federal que oferece empréstimos de R$ 5 mil a R$ 21 mil para fomentar o empreendedorismo. Lançado em 2024, o programa foi ampliado neste ano, com foco em microempreendedores individuais (MEIs), trabalhadores informais e pequenos produtores rurais, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e parte do Sudeste, como Minas Gerais. A ideia é proporcionar inclusão financeira, permitindo que beneficiários invistam em pequenos negócios ou ampliem atividades produtivas, com taxas de juros reduzidas e prazos flexíveis de até 48 meses. A liberação ocorre por bancos regionais, como Banco do Nordeste, Banco da Amazônia e Banpará, e exige cadastro atualizado no CadÚnico, além de um plano básico de uso do dinheiro.
O programa Acredita no Primeiro Passo, um dos eixos da iniciativa, já destinou R$ 500 milhões em 2024, com previsão de mais R$ 500 milhões em 2025, podendo gerar até R$ 12 bilhões em operações de crédito. Os valores variam conforme o perfil do solicitante: iniciantes podem acessar até R$ 21 mil, enquanto MEIs com negócios ativos têm limite de 30% do faturamento anual anterior, com média estimada de R$ 6 mil por operação. Mulheres, que representam 67% dos beneficiários do Bolsa Família, recebem incentivos extras, como acesso a até 50% do faturamento em casos de negócios com selo Mulher Emprega Mais. A análise é simplificada, sem necessidade de fiador, graças ao Fundo Garantidor de Operações (FGO), que cobre até 100% do crédito.
Cerca de 41 milhões de famílias inscritas no CadÚnico são elegíveis, mas o uso do empréstimo é restrito a fins produtivos, como compra de equipamentos, insumos ou capacitação profissional. O processo começa com a inscrição no portal do programa ou em agências bancárias, exigindo documentos como RG, CPF e comprovante de residência. Até 2026, o governo projeta 1,25 milhão de transações, priorizando a redução da pobreza e a geração de renda sustentável.
Elegibilidade para o crédito
Famílias que recebem o Bolsa Família e estão no CadÚnico podem solicitar o empréstimo, desde que atendam a critérios básicos. É necessário ter renda per capita de até R$ 218,00 mensais e interesse em empreender ou expandir um negócio existente. Pequenos produtores rurais participantes do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) ou do Fomento Rural têm prioridade.
O programa também abrange trabalhadores informais e MEIs de baixa renda, com foco em atividades que gerem retorno financeiro. A análise considera a capacidade de pagamento, mas não exige renda formal além do benefício, facilitando o acesso para quem tradicionalmente enfrenta barreiras no mercado de crédito.
Passos para solicitar o empréstimo
Solicitar o crédito exige poucos passos. O interessado deve atualizar seus dados no CadÚnico em um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), acessar o portal do programa Acredita ou uma agência bancária parceira, preencher um formulário com informações pessoais e apresentar um plano simples de investimento. A aprovação pode levar até 15 dias, dependendo da instituição.
Valores e condições do crédito
- R$ 5 mil a R$ 21 mil: para iniciantes ou novos negócios
- Até 30% do faturamento: para MEIs com atividade consolidada
- Taxas de juros: reduzidas, abaixo do mercado, com variação por banco
- Prazo: até 48 meses, ajustado ao valor solicitado
Como o programa Acredita funciona
O programa Acredita foi lançado em abril de 2024 com quatro eixos, sendo o Acredita no Primeiro Passo o principal para beneficiários do Bolsa Família. Ele oferece microcrédito produtivo orientado, com suporte do FGO, que elimina a necessidade de garantias tradicionais. Bancos como o Banco do Nordeste, Banco da Amazônia e Banpará já liberam os valores em regiões específicas, enquanto a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil expandem a operação em 2025, começando por Brasília via BRB.
A iniciativa prevê R$ 1 bilhão em aportes iniciais, sendo R$ 500 milhões já aplicados em 2024 e mais R$ 500 milhões planejados para este ano. Isso deve gerar até R$ 12 bilhões em crédito, com média de R$ 6 mil por operação. O foco é apoiar pequenos negócios, como venda de alimentos, artesanato ou agricultura familiar, incentivando a formalização e a autonomia financeira.
Benefícios para mulheres empreendedoras
Mulheres recebem atenção especial no programa Acredita. Com 67% dos beneficiários do Bolsa Família sendo do sexo feminino, o governo destinou 50% dos recursos para elas. Empresas lideradas por mulheres ou com selo Mulher Emprega Mais podem acessar até 50% do faturamento anual anterior, contra 30% para outros casos, fortalecendo a liderança feminina na economia familiar.
A priorização reflete dados que mostram que mulheres investem mais em educação e saúde da família, ampliando o impacto social do crédito. Em 2024, cerca de 60% dos empréstimos liberados no Norte e Nordeste foram para empreendedoras, como vendedoras de roupas e produtoras rurais.
Regras de uso do empréstimo
O crédito deve ser usado exclusivamente para fins produtivos, como compra de máquinas, insumos ou capacitação. Gastos pessoais ou quitação de dívidas são proibidos, e os bancos exigem comprovação do investimento, como notas fiscais ou recibos. A medida visa garantir que o dinheiro gere renda, evitando endividamento.
Em 2023, o empréstimo consignado do Bolsa Família foi suspenso por comprometer até 45% do benefício com parcelas, levando a dificuldades financeiras. O Acredita corrige isso, limitando o impacto no orçamento e focando em sustentabilidade.
Passo a passo da solicitação
O processo é acessível e pode ser feito presencialmente ou online. Primeiro, o beneficiário atualiza o CadÚnico no CRAS. Depois, acessa o portal do Acredita ou vai a uma agência do Banco do Nordeste, Banco da Amazônia ou Banpará, dependendo da região. É preciso apresentar RG, CPF, comprovante de residência e um plano básico de uso do crédito, como abrir uma loja ou comprar ferramentas. A análise leva até 15 dias, e o valor é depositado na conta indicada.
- Atualizar CadÚnico no CRAS
- Acessar o portal Acredita ou agência bancária
- Apresentar documentos e plano de investimento
- Aguardar aprovação e liberação
Impacto econômico esperado
O programa Acredita projeta atender 1,25 milhão de famílias até 2026, com potencial de aumentar a renda familiar em até 30% quando o crédito é bem aplicado. Em 2024, cerca de 200 mil operações foram realizadas no Norte e Nordeste, gerando pequenos negócios como vendas de lanches e artesanato. A iniciativa também incentiva a formalização, com 15% dos beneficiários se tornando MEIs após o empréstimo.
No Brasil, o microcrédito já beneficiou milhões em programas como o CrediAmigo, do Banco do Nordeste, que inspirou o Acredita. A meta é reduzir a dependência do Bolsa Família, promovendo autonomia financeira e diminuindo a pobreza em regiões vulneráveis.
Diferenças com o consignado suspenso
Diferente do consignado de 2022, suspenso em 2023 por endividar famílias, o Acredita não desconta parcelas do benefício. O consignado permitia até R$ 2.569,00 com taxas de 2,5% ao mês e comprometia até 45% do Bolsa Família, levando a dificuldades. O novo programa foca em crédito produtivo, com taxas menores e pagamento ajustado à renda gerada pelo investimento.
A suspensão do consignado veio após o Supremo Tribunal Federal identificar riscos sociais, como a redução do poder de compra das famílias. O Acredita, com R$ 5 mil a R$ 21 mil, visa evitar esse cenário, priorizando a geração de renda sustentável.
Cronograma de liberação em 2025
O programa segue um calendário gradual:
- Janeiro a março: expansão no Norte e Nordeste
- Abril a junho: início em Brasília via BRB
- Julho a dezembro: operação plena com Caixa e Banco do Brasil
Cuidados ao solicitar o crédito
Beneficiários devem planejar o uso do dinheiro para evitar dívidas. O governo recomenda investir em negócios viáveis, como vendas locais ou agricultura, e evitar gastos pessoais. A análise bancária considera a capacidade de pagamento, mas a falta de planejamento pode levar a inadimplência, mesmo com taxas reduzidas.
Em 2024, 10% dos empréstimos no Nordeste enfrentaram atrasos por uso inadequado, como compra de bens de consumo. Orientação financeira gratuita está disponível nos CRAS para ajudar na gestão do crédito.
Resultados iniciais no Norte e Nordeste
No último ano, o Acredita liberou R$ 1,2 bilhão em microcrédito no Norte e Nordeste, beneficiando 200 mil famílias. Cerca de 60% dos empréstimos foram para mulheres, com destaque para negócios como costura e venda de alimentos. A média de R$ 6 mil por operação ajudou a criar 50 mil novos MEIs, segundo estimativas preliminares.
Regiões como Maranhão e Pará lideraram as solicitações, com 70% dos créditos aplicados em atividades rurais, como cultivo de mandioca e criação de aves. O impacto foi maior em cidades pequenas, onde o acesso a crédito tradicional é limitado.
Curiosidades sobre o programa
- 67% dos beneficiários do Bolsa Família são mulheres
- Média de R$ 6 mil por empréstimo no Acredita
- 50% dos recursos priorizam empreendedoras
- 1,25 milhão de operações previstas até 2026
