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Cardeais se reúnem no Vaticano para conclave que definirá novo papa

Pietro Parolin
Foto: Pietro Parolin - Pasquale Senatore / Shutterstock.com
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A Cidade do Vaticano vive dias de intensa expectativa com a chegada dos 133 cardeais eleitores que participarão do conclave marcado para iniciar em 7 de maio de 2025. A votação, realizada na histórica Capela Sistina, determinará o sucessor do Papa Francisco, cujo pontificado foi marcado por reformas progressistas e um forte apelo à justiça social. A escolha do novo líder da Igreja Católica, que também atua como chefe de Estado do Vaticano, desperta atenção global, especialmente devido ao perfil diversificado dos candidatos considerados “papabili” — termo italiano que designa os cardeais com maiores chances de serem eleitos. A eleição ocorre em um momento de desafios globais, como conflitos no Oriente Médio, tensões geopolíticas e a necessidade de consolidar as mudanças iniciadas por Francisco.

O conclave é um dos eventos mais significativos da Igreja Católica, carregado de simbolismo e tradição. Durante o processo, os cardeais permanecerão isolados do mundo exterior, sem acesso a comunicações, para garantir a independência de suas decisões. A votação ocorre em sessões diárias, com até quatro escrutínios por dia, até que um candidato alcance a maioria de dois terços dos votos. A fumaça branca, sinal de que um novo papa foi escolhido, é aguardada com ansiedade por fiéis e observadores em todo o mundo.

Entre os nomes cotados, destacam-se figuras como o italiano Pietro Parolin, atual secretário de Estado do Vaticano, e Matteo Zuppi, arcebispo de Bolonha, ambos vistos como continuadores do legado de Francisco. Outros cardeais, como o filipino Luis Antonio Tagle e o italiano Pierbattista Pizzaballa, também aparecem nas listas de possíveis sucessores, trazendo diversidade geográfica e experiências pastorais variadas. A escolha do próximo papa será um reflexo não apenas das prioridades da Igreja, mas também de sua capacidade de dialogar com um mundo em transformação.

  • Principais pontos do conclave:
    • Data de início: 7 de maio de 2025.
    • Local: Capela Sistina, Cidade do Vaticano.
    • Número de eleitores: 133 cardeais com menos de 80 anos.
    • Requisito para eleição: Maioria de dois terços dos votos.
    • Sinal de eleição: Fumaça branca saindo da chaminé da Capela Sistina.

Contexto histórico do conclave

O conclave de 2025 será o primeiro desde 2013, quando o Papa Francisco foi eleito após a renúncia de Bento XVI, um evento raro na história da Igreja. Tradicionalmente, os conclaves ocorrem após a morte de um papa, mas a renúncia de Bento XVI abriu um precedente moderno. O processo é regido por normas detalhadas, estabelecidas na constituição apostólica Universi Dominici Gregis, que define desde o isolamento dos cardeais até os procedimentos de votação. A escolha do novo papa é um momento crucial, pois ele não apenas lidera espiritualmente mais de 1,3 bilhão de católicos, mas também influencia debates globais sobre ética, paz e justiça social.

A composição dos eleitores reflete a internacionalização promovida por Francisco, que nomeou cardeais de regiões menos representadas, como Ásia, África e América Latina. Dos 133 eleitores, cerca de 40% são europeus, com forte presença de italianos, enquanto o restante inclui representantes de todos os continentes. Essa diversidade pode influenciar a escolha, especialmente em um momento em que a Igreja busca equilibrar tradições com demandas contemporâneas, como maior inclusão, diálogo inter-religioso e resposta às crises climáticas.

Perfil dos favoritos: Quem são os papabili?

Os cardeais considerados “papabili” trazem trajetórias distintas, cada um com pontos fortes e desafios. Pietro Parolin, italiano de 70 anos, é frequentemente citado como um dos principais candidatos. Como secretário de Estado desde 2013, ele acumula vasta experiência diplomática, tendo atuado em negociações cruciais, como a reaproximação entre Cuba e os Estados Unidos em 2015. Sua habilidade em lidar com crises geopolíticas, especialmente no Oriente Médio e na Ásia, é vista como um trunfo. No entanto, sua imagem de “burocrata” e a ausência de experiência pastoral direta podem pesar contra ele.

Matteo Zuppi, outro italiano, é apontado como favorito por sua proximidade com o estilo pastoral de Francisco. Arcebispo de Bolonha e presidente da Conferência Episcopal Italiana, Zuppi tem uma trajetória marcada por mediações de paz, como o acordo que encerrou a guerra civil em Moçambique em 1992. Sua atuação na Comunidade de Santo Egídio, conhecida por iniciativas humanitárias, reforça sua imagem como um líder carismático e engajado socialmente.

Pierbattista Pizzaballa, cardeal italiano que lidera o Patriarcado Latino de Jerusalém, emerge como uma figura de destaque em meio aos conflitos no Oriente Médio. Desde 2016, ele tem se posicionado como uma voz pela paz, oferecendo-se inclusive como refém em troca de crianças sequestradas pelo Hamas. Sua espiritualidade e experiência em zonas de guerra o tornam um candidato único, embora sua associação com uma região tão sensível possa dividir opiniões.

  • Outros nomes em destaque:
    • Luis Antonio Tagle: Filipino, conhecido por seu compromisso com os pobres e estilo simples.
    • Jean-Marc Aveline: Francês, moderado e defensor da justiça social.
    • Mario Grech: Maltês, secretário do Sínodo dos Bispos, alinhado às reformas de Francisco.

A influência do legado de Francisco

O pontificado de Francisco, iniciado em 2013, foi marcado por esforços para modernizar a Igreja e torná-la mais acessível. Suas reformas incluíram maior rigor contra a pedofilia, descentralização administrativa e ênfase em questões como pobreza e meio ambiente. O próximo papa terá a tarefa de consolidar essas mudanças ou, em um cenário menos provável, adotar uma postura mais conservadora. A maioria dos cardeais eleitores foi nomeada por Francisco, o que sugere uma tendência a escolher um líder alinhado com sua visão.

A internacionalização da Igreja, promovida por Francisco, também será um fator determinante. Durante seu papado, o número de cardeais de países periféricos aumentou significativamente, reduzindo a predominância europeia. Isso pode favorecer candidatos como Luis Antonio Tagle, cuja origem filipina representa a crescente influência da Ásia no catolicismo global. Tagle, apelidado de “Francisco asiático”, é conhecido por sua simplicidade e defesa dos imigrantes, mas enfrenta críticas por questões administrativas em sua gestão na Caritas Internacional.

Desafios globais e o papel do novo papa

O próximo papa assumirá o comando da Igreja em um momento de múltiplas crises. Conflitos como a guerra na Ucrânia e o confronto entre Israel e Hamas exigem uma liderança capaz de promover o diálogo e a paz. Além disso, questões internas, como a queda no número de fiéis em países ocidentais e os escândalos financeiros no Vaticano, demandam um líder com habilidades administrativas e carisma pastoral.

A Igreja também enfrenta pressões para abordar temas como a inclusão de mulheres em cargos de liderança, o celibato clerical e a aceitação de minorias sexuais. Embora Francisco tenha aberto espaço para discussões sobre esses assuntos, as decisões caberão ao seu sucessor, que precisará navegar entre alas progressistas e conservadoras. A escolha de um cardeal com experiência em mediação, como Zuppi ou Parolin, pode ser vista como uma resposta a esses desafios.

Papa -
Papa – Foto: Instagram
  • Questões prioritárias para o novo papa:
    • Promover a paz em regiões de conflito.
    • Consolidar reformas administrativas e financeiras.
    • Ampliar o diálogo com outras religiões.
    • Responder às demandas por maior inclusão na Igreja.

O processo de votação no conclave

O conclave segue um ritual meticuloso, com raízes que remontam ao século XIII. Os cardeais eleitores, todos com menos de 80 anos, reúnem-se na Capela Sistina após uma missa inicial na Basílica de São Pedro. Cada votação é secreta, e os votos são queimados após cada escrutínio, produzindo fumaça preta (quando não há decisão) ou branca (quando o papa é eleito). O processo pode durar dias, embora os últimos conclaves tenham sido relativamente rápidos — o de 2013, por exemplo, durou dois dias.

Os cardeais votam em silêncio, escrevendo o nome de seu escolhido em uma cédula com a frase Ego eligo (“Eu escolho”). Após a contagem, o candidato que obtiver pelo menos 89 votos (dois terços dos 133 eleitores) é declarado papa. Caso não haja consenso após várias rodadas, os cardeais podem optar por uma votação final entre os dois mais votados, exigindo apenas maioria simples.

  • Etapas do conclave:
    • Missa Pro Eligendo Pontifice: Celebração inicial na Basílica de São Pedro.
    • Extra Omnes: Expulsão de não eleitores da Capela Sistina.
    • Votação: Até quatro escrutínios por dia.
    • Fumaça: Sinal visível do progresso da eleição.

A relevância do conclave para o mundo

A eleição de um novo papa transcende os limites da Igreja Católica, impactando debates globais sobre ética, política e direitos humanos. O Vaticano, apesar de seu tamanho reduzido, exerce influência significativa como mediador em conflitos internacionais e defensor de causas humanitárias. O próximo papa terá a responsabilidade de manter essa relevância, especialmente em um cenário de polarização global.

A escolha de um líder de fora da Europa, como Tagle ou Prevost, poderia reforçar a mensagem de universalidade da Igreja, enquanto um italiano, como Parolin ou Zuppi, poderia trazer estabilidade administrativa. Independentemente do resultado, o conclave de 2025 será um marco na história do catolicismo, definindo os rumos da Igreja para as próximas décadas.

Perspectivas regionais dos candidatos

A diversidade geográfica dos cardeais eleitores reflete as mudanças promovidas por Francisco. A Europa, embora ainda dominante, perdeu espaço para outras regiões. A Ásia, com candidatos como Tagle, representa uma Igreja em crescimento, com mais de 150 milhões de católicos. A América Latina, lar de Francisco, também tem influência significativa, embora nenhum cardeal latino-americano esteja entre os principais favoritos.

Na África, a Igreja enfrenta desafios como a concorrência com o islamismo e o crescimento de igrejas pentecostais. Cardeais como o maltês Mario Grech e o americano Robert Francis Prevost trazem perspectivas globais, mas suas chances são consideradas menores. A escolha de um papa não europeu seria um sinal de continuidade da abertura promovida por Francisco, enquanto um italiano poderia ser visto como um retorno às raízes da Igreja.

  • Regiões representadas no conclave:
    • Europa: 54 cardeais eleitores.
    • América Latina: 24 cardeais eleitores.
    • Ásia: 20 cardeais eleitores.
    • África: 17 cardeais eleitores.
    • América do Norte: 14 cardeais eleitores.

O impacto das reformas de Francisco

As reformas de Francisco, como a criação de novos cardeais e a descentralização da Cúria Romana, moldaram o colégio de eleitores. Mais de 70% dos cardeais que votarão em 2025 foram nomeados por ele, o que aumenta a probabilidade de um sucessor alinhado com sua visão. Entre as mudanças mais significativas estão a maior transparência financeira e a criação do Sínodo dos Bispos como um espaço de diálogo permanente.

No entanto, essas reformas enfrentaram resistência, especialmente de setores conservadores. Cardeais como Peter Erdő, da Hungria, representam uma minoria que pode buscar um retorno a posições mais tradicionais. Erdő, embora respeitado, é visto como improvável devido à sua associação com o governo de Viktor Orbán e à predominância de eleitores progressistas.

Expectativas para o novo pontificado

O próximo papa enfrentará um mundo marcado por desigualdades, conflitos e mudanças climáticas. A Igreja, como uma das maiores organizações religiosas do planeta, tem o potencial de influenciar políticas públicas e mobilizar milhões de fiéis. A escolha de um líder com experiência em crises humanitárias, como Pizzaballa, ou com apelo popular, como Tagle, pode fortalecer essa influência.

Além disso, o novo pontificado precisará abordar a queda no número de vocações sacerdotais na Europa e na América do Norte, enquanto lida com o crescimento do catolicismo em regiões como a África e a Ásia. A capacidade de dialogar com jovens e responder às demandas por maior inclusão será crucial para manter a relevância da Igreja no século XXI.

  • Desafios para o próximo papa:
    • Enfrentar a secularização em países ocidentais.
    • Promover a evangelização em regiões de crescimento.
    • Lidar com escândalos financeiros e administrativos.
    • Fortalecer o papel da Igreja em questões globais.

Cronograma do conclave

O conclave de 2025 seguirá um calendário rigoroso, com eventos que combinam espiritualidade e logística. Antes do início oficial, os cardeais participam de reuniões preparatórias, conhecidas como congregações gerais, para discutir os desafios da Igreja. Essas reuniões começaram em 29 de abril, com a chegada dos primeiros cardeais ao Vaticano.

No dia 7 de maio, a missa inicial marcará o começo do conclave, seguida pelo isolamento dos eleitores na Capela Sistina. A duração do conclave é incerta, mas especialistas estimam que a eleição pode ser concluída em dois ou três dias, com base em conclaves recentes. A apresentação do novo papa, na varanda da Basílica de São Pedro, é o momento mais aguardado, quando o nome escolhido será anunciado ao mundo.

  • Calendário do conclave:
    • 29 de abril: Início das congregações gerais.
    • 7 de maio: Missa Pro Eligendo Pontifice e início do conclave.
    • 7 a 10 de maio (estimado): Votações na Capela Sistina.
    • Data incerta: Anúncio do novo papa.

A escolha de um papa em tempos de crise

A eleição do próximo papa ocorre em um contexto de instabilidade global, com guerras, crises econômicas e desafios ambientais. A Igreja Católica, sob Francisco, posicionou-se como uma voz ativa em questões como a proteção dos refugiados e a luta contra as mudanças climáticas. O novo papa precisará manter esse protagonismo, ao mesmo tempo em que enfrenta divisões internas entre progressistas e conservadores.

Candidatos como Zuppi e Parolin, com experiência em mediação e diplomacia, são vistos como capazes de unir diferentes facções. Já Pizzaballa, com sua atuação em uma região marcada por conflitos, traz uma perspectiva única sobre a espiritualidade em tempos de crise. A escolha final dependerá da visão dos cardeais para o futuro da Igreja e de sua capacidade de responder aos anseios de um mundo em transformação.

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