Conclave no Vaticano: os times de futebol dos cardeais brasileiros em destaquePor Thiago Lemos
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O conclave para escolher o sucessor do papa Francisco começou nesta quarta-feira, reunindo 133 cardeais no Vaticano. Entre eles, oito brasileiros participam do processo, sete com direito a voto e um elegível para ser papa. Embora especialistas não apontem os brasileiros como favoritos, a presença deles no evento histórico desperta curiosidade sobre um detalhe peculiar: os times de futebol que conquistaram seus corações. A paixão pelo esporte, tão enraizada na cultura brasileira, também marca esses líderes religiosos.
A diversidade de clubes apoiados pelos cardeais reflete as diferentes regiões do Brasil. Desde o Sul, com o Internacional, até o Rio de Janeiro, com o Vasco, os times escolhidos revelam histórias pessoais e conexões regionais. Essa relação com o futebol humaniza os cardeais, mostrando um lado menos formal de figuras centrais na Igreja Católica.
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- Clubes representados: Internacional, Palmeiras, Santos, Vasco, Botafogo, Athletico-PR e Criciúma.
- Cardeais votantes: Sete brasileiros participam da eleição do novo papa.
- Curiosidade: Um cardeal torce para dois times, algo incomum entre torcedores.
O evento no Vaticano, que começou às 10h (horário de Roma), mobiliza a atenção de fiéis e analistas. Enquanto o mundo aguarda o anúncio do novo pontífice, o futebol surge como uma ponte entre a fé e a cultura popular no Brasil.
Paixão pelo futebol entre os cardeais
Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre, é um dos cardeais mais associados ao futebol. Nascido em Gaspar, Santa Catarina, ele torce pelo Internacional, clube que lhe presenteou com uma camisa oficial durante sua posse em 2013. O religioso, que preside a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), costuma abordar a rivalidade Gre-Nal com humor e poesia. Ele já declarou preferir “cores quentes”, uma referência ao vermelho do Inter, em contraste com o azul do Grêmio, considerado uma “cor fria” no simbolismo artístico.
A ligação de Dom Jaime com o Internacional vai além de gestos simbólicos. Assessores relatam que ele acompanha os jogos do clube sempre que possível, mesmo com a agenda lotada. Em 2024, durante uma visita pastoral, ele chegou a comentar a campanha do Inter no Brasileirão, destacando a importância do esporte para unir comunidades.
Outro cardeal com forte conexão com o futebol é Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo. Diferentemente de seus colegas gaúchos, ele divide sua torcida entre Athletico-PR e Santos. Sua trajetória no Paraná, onde viveu por muitos anos, explica a simpatia pelo clube rubro-negro. Já o Santos, segundo pessoas próximas, reflete sua admiração pelo futebol técnico e histórico do time da Vila Belmiro.
- Times de Dom Odilo: Athletico-PR e Santos.
- Motivação: Influência de sua passagem pelo Paraná e apreço pelo estilo do Santos.
- Participação anterior: Esteve no conclave de 2013, que elegeu Francisco.

Origens regionais e escolhas clubísticas
A escolha dos times pelos cardeais muitas vezes reflete suas raízes geográficas. Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, é um exemplo. Nascido em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, ele torce pelo Santos, um clube que marcou época com Pelé e outros ídolos. Assessores contam que Dom Orani, apesar de discreto, já mencionou em encontros informais sua admiração pela história do alvinegro praiano.
Dom Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus, representa o futebol do Sul do Brasil. Natural de Forquilhinha, Santa Catarina, ele é torcedor do Criciúma, clube que conquistou o coração de muitos catarinenses. Sua ligação com o Tigre é vista como um reflexo de sua identidade regional, mesmo estando hoje em uma região tão distante como o Amazonas.
Enquanto isso, o Palmeiras aparece como o time de dois cardeais: Dom João Braz de Aviz e Dom Sergio da Rocha. Dom João, arcebispo emérito de Brasília, tinha uma paixão mais intensa pelo Verdão na juventude, segundo familiares. Hoje, ele se mantém mais reservado, mas ainda guarda carinho pelo clube. Já Dom Sergio, arcebispo de Salvador, é um torcedor ativo do Palmeiras, com raízes no interior paulista, onde o clube tem forte presença.
Clubes cariocas no conclave
O futebol carioca também está representado no conclave. Dom Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, é vascaíno declarado. Sua torcida pelo Vasco reflete uma conexão com o Rio de Janeiro, onde o clube tem uma base fiel de torcedores. Amigos próximos contam que ele já assistiu a jogos em São Januário e mantém interesse pelas campanhas do time.
Dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo emérito de Aparecida, é o único cardeal brasileiro sem direito a voto no conclave, por ter mais de 80 anos. Mesmo assim, ele pode ser eleito papa. Torcedor do Botafogo, Dom Raymundo carrega a paixão pelo alvinegro carioca, conhecida por sua torcida apaixonada e fiel.
- Cardeais cariocas: Dom Paulo Cezar (Vasco) e Dom Raymundo (Botafogo).
- Detalhe único: Dom Raymundo é o único não votante, mas elegível.
- Conexão com o Rio: Ambos têm laços com a cultura carioca, mesmo sendo de outros estados.
A presença de clubes cariocas entre os cardeais destaca a força do futebol do Rio de Janeiro, que rivaliza com São Paulo e Rio Grande do Sul em representatividade no conclave.
Histórias pessoais e o futebol
A relação dos cardeais com o futebol não se limita aos jogos ou às cores dos times. Para muitos, o esporte é uma forma de conexão com suas comunidades. Dom Jaime Spengler, por exemplo, já utilizou o futebol em homilias para falar sobre união e superação. Em 2023, durante um evento em Porto Alegre, ele destacou como o Internacional inspira jovens a perseguirem seus sonhos, mesmo em contextos desafiadores.
Dom Odilo Scherer, por sua vez, vê no futebol uma metáfora para a vida pastoral. Em uma entrevista em 2022, ele comparou o trabalho em equipe nos gramados à colaboração necessária na Igreja. Sua torcida dupla, embora rara, é vista por amigos como um reflexo de sua personalidade conciliadora.
Dom Paulo Cezar Costa, o vascaíno, também já mencionou o futebol em eventos religiosos. Durante uma missa em Brasília, ele brincou sobre a paciência dos torcedores do Vasco, comparando-a à perseverança dos fiéis. Essa habilidade de conectar o esporte à espiritualidade é comum entre os cardeais brasileiros.
A influência do papa Francisco
O papa Francisco, falecido recentemente, deixou um legado marcante no que diz respeito à relação entre a Igreja e o futebol. Torcedor fanático do San Lorenzo, ele nunca escondeu sua paixão. Em 2014, o clube argentino enviou uma camisa autografada ao Vaticano, e Francisco posou com o presente, reforçando sua ligação com o time.
Essa abertura de Francisco ao futebol inspirou outros líderes religiosos a expressarem suas preferências clubísticas. No Brasil, onde o esporte é quase uma religião, os cardeais encontraram no exemplo do papa argentino um incentivo para compartilhar suas paixões. Dom Orani Tempesta, por exemplo, já citou Francisco como uma influência para falar abertamente sobre o Santos.
- Legado de Francisco: Aberto sobre sua torcida pelo San Lorenzo.
- Impacto no Brasil: Inspirou cardeais a serem mais expressivos sobre futebol.
- Curiosidade: Francisco recebeu camisas de vários clubes, incluindo brasileiros.
O conclave e o simbolismo do futebol
O conclave, que ocorre na Capela Sistina, é um evento carregado de simbolismo e tradição. A escolha do novo papa envolve rituais seculares, como a queima de votos que produz a fumaça branca ou preta. No entanto, a presença de cardeais brasileiros e suas conexões com o futebol trazem um toque de modernidade e proximidade com o público.
Cada cardeal carrega não apenas sua fé, mas também sua história pessoal. O Internacional de Dom Jaime, o Palmeiras de Dom Sergio, o Vasco de Dom Paulo Cezar e os outros clubes representados são reflexos de suas trajetórias. Esses detalhes, embora aparentemente triviais, ajudam a humanizar os participantes do conclave.
O processo de votação, que pode durar dias, mantém o mundo em expectativa. A cada fumaça preta, os fiéis aguardam ansiosamente por notícias. Enquanto isso, no Brasil, a curiosidade sobre os times dos cardeais adiciona uma camada de leveza a um momento tão solene.
Regionalidade e diversidade clubística
A diversidade de times apoiados pelos cardeais brasileiros é um reflexo da riqueza cultural do país. O Internacional, presente no Sul, contrasta com o Criciúma, também catarinense, mas menos conhecido nacionalmente. O Palmeiras e o Santos, gigantes paulistas, dividem espaço com o Vasco e o Botafogo, ícones cariocas. Até o Athletico-PR, com sua torcida apaixonada, aparece na lista.
Essa variedade mostra como o futebol transcende barreiras geográficas e sociais. Dom Leonardo Steiner, por exemplo, leva o Criciúma, um clube de sua terra natal, para o Amazonas, onde atua. Já Dom Odilo Scherer, com sua torcida dupla, representa a possibilidade de unir diferentes identidades regionais.
- Clubes por região: Sul (Internacional, Criciúma, Athletico-PR), Sudeste (Palmeiras, Santos, Vasco, Botafogo).
- Diversidade: Sete clubes diferentes entre oito cardeais.
- Curiosidade: O Palmeiras é o único com dois torcedores.
O papel do futebol na cultura brasileira
O futebol não é apenas um esporte no Brasil; é uma expressão cultural que une milhões de pessoas. Para os cardeais, torcer por um time é uma forma de se conectar com suas comunidades e raízes. Dom Sergio da Rocha, por exemplo, já participou de eventos com torcedores do Palmeiras em Salvador, onde sua presença foi celebrada por fiéis e fãs do clube.
Dom Raymundo Damasceno Assis, o botafoguense, também já foi visto em encontros com jovens onde o futebol era o tema central. Sua torcida pelo Botafogo, mesmo aos 80 anos, é um lembrete de como o esporte permanece relevante em todas as fases da vida.
A relação dos cardeais com o futebol também reflete a influência do esporte na formação de valores como disciplina e trabalho em equipe. Em um país onde o futebol é tão central, esses líderes religiosos encontram no esporte uma ferramenta para dialogar com os fiéis.
Expectativas para o novo papa
Enquanto o conclave avança, a atenção se volta para os possíveis candidatos ao papado. Embora os cardeais brasileiros não estejam entre os favoritos, sua participação é significativa. Dom Odilo Scherer, que já foi cotado em 2013, é um dos nomes mais experientes. Dom Jaime Spengler, por sua liderança na CNBB, também tem relevância no cenário eclesiástico.
O futebol, embora não seja o foco do conclave, serve como um lembrete da humanidade dos cardeais. Seja torcendo pelo Internacional, Palmeiras ou Vasco, esses líderes carregam consigo as paixões de seu povo. O novo papa, seja ele brasileiro ou não, terá a missão de guiar a Igreja em um mundo em transformação, e o exemplo de Francisco, com sua abertura ao futebol, pode continuar a inspirar.














