Cláudia Abreu retorna às novelas após quase uma década, trazendo ao público uma personagem que promete emocionar e informar. Em Dona de Mim, nova trama das sete da Globo, a atriz interpreta Filipa, uma mulher que enfrenta frustrações pessoais e profissionais enquanto lida com o transtorno bipolar. A escolha do papel, segundo a artista, foi motivada pela chance de discutir saúde mental na TV aberta, um tema ainda envolto em estigmas. A novela, que estreou em 28 de abril, já desperta atenção por sua abordagem sensível e realista.
Filipa, casada com Abel, personagem de Tony Ramos, vive altos e baixos emocionais que refletem a complexidade do transtorno. A trama, ambientada no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, combina drama, comédia e suspense, mas é a atuação de Abreu que tem roubado a cena. A volta da atriz à Globo, após um hiato de nove anos, marca também uma mudança em sua relação com a emissora: agora, ela trabalha por obra, sem contrato fixo. Essa liberdade, segundo ela, permite escolhas mais alinhadas com seus objetivos artísticos.
A decisão de aceitar o papel veio de dois fatores principais:
- Saúde mental em foco: A oportunidade de abordar o transtorno bipolar, um tema que afeta muitas pessoas, mas é pouco compreendido.
- Parceria com Tony Ramos: Contracenar novamente com o ator, com quem trabalhou em Belíssima (2005), foi um atrativo irresistível.
- Complexidade da personagem: Filipa é uma figura multifacetada, que oscila entre euforia, depressão e agressividade, exigindo profundidade na interpretação.
A novela, escrita por Rosane Svartman, já é apontada como um marco por trazer temas sociais relevantes, como saúde mental, maternidade e diversidade, de forma acessível ao grande público. A seguir, detalhes sobre a construção do papel de Filipa e os impactos da trama.
Abordagem inédita sobre transtorno bipolar
Filipa, a personagem de Cláudia Abreu, não é apenas uma figura dramática; ela é um retrato de uma condição que afeta milhões de pessoas. O transtorno bipolar, caracterizado por episódios de mania e depressão, é explorado na novela com cuidado e responsabilidade. Abreu revelou que a preparação para o papel envolveu estudos profundos, incluindo documentários e conversas com especialistas. A atriz assistiu, por exemplo, a um documentário sobre a cantora Nina Simone, que também enfrentava a bipolaridade, para compreender as nuances da instabilidade emocional.
A personagem vive momentos de euforia intensa, nos quais organiza festas grandiosas ou se lança em projetos artísticos, mas também enfrenta períodos de tristeza profunda. Essas oscilações, segundo a atriz, são um reflexo de como o transtorno pode impactar a vida de uma pessoa e de quem está ao seu redor. A abordagem da novela busca desmistificar a condição, mostrando que o diagnóstico, embora cercado de estigma, pode ser um passo para o tratamento e a compreensão.
Na trama, Filipa é casada com Abel, um empresário rico interpretado por Tony Ramos. A relação dos dois é marcada por amor, mas também por desafios. Abel, que guarda segredos do passado, tenta apoiar a esposa, mas nem sempre compreende suas reações. A dinâmica entre o casal é um dos pontos altos da novela, com cenas que misturam ternura e tensão.
Preparação intensa para um papel desafiador
Cláudia Abreu mergulhou de cabeça na construção de Filipa. Além de estudar a bipolaridade, a atriz trabalhou com professores de canto para cenas em que a personagem, uma ex-cantora, se apresenta. Uma das primeiras sequências gravadas, segundo Abreu, foi um momento em que Filipa canta “Dia Branco”, de Geraldo Azevedo, vestida de noiva. A cena, gravada com som direto, foi um desafio que exigiu preparação rápida e dedicação.
A escolha de interpretar uma personagem com transtorno bipolar também trouxe reflexões pessoais para a atriz. Ela destacou que muitas pessoas com instabilidade de humor são incompreendidas, especialmente mulheres, que frequentemente são rotuladas como “histéricas” ou “malucas”. A novela, segundo ela, tem o potencial de ajudar o público a reconhecer sinais do transtorno e buscar ajuda profissional.
A preparação de Abreu incluiu:
- Estudo de casos reais: A atriz pesquisou histórias de pessoas com bipolaridade para trazer autenticidade à personagem.
- Consultoria com especialistas: Profissionais da saúde mental orientaram a equipe da novela para garantir uma representação fiel.
- Aulas de canto: Filipa, como ex-cantora, exige que Abreu explore suas habilidades vocais em várias cenas.
- Observação do cotidiano: A atriz buscou inspiração em pessoas próximas que enfrentam instabilidades emocionais.
A dedicação de Abreu tem sido elogiada por críticos e pelo público, que destacam sua capacidade de dar vida a uma personagem tão complexa com naturalidade e emoção.
Reencontro com Tony Ramos eleva a trama
Um dos grandes atrativos de Dona de Mim é a química entre Cláudia Abreu e Tony Ramos. Os dois, que já contracenaram em Belíssima, trazem para a novela uma cumplicidade que enriquece as cenas. Abreu não esconde a admiração pelo colega, descrevendo-o como uma “luz da televisão” que a faz rir e, às vezes, perder a concentração durante as gravações.
Na trama, Abel é um empresário que comanda a fábrica de lingeries Boaz, herdada de seus pais. Ele é pai de quatro filhos e guarda um segredo do passado: uma tentativa de tirar a própria vida. A chegada de Sofia, uma menina adotada por Abel, traz novos desafios para o casal, especialmente para Filipa, que enfrenta dificuldades na relação com a enteada. A interação entre os personagens cria momentos de grande impacto emocional, que têm conquistado o público.
A parceria entre Abreu e Ramos é reforçada pela direção artística de Allan Fiterman, que aposta em uma estética naturalista para contar a história. As cenas do casal, muitas vezes gravadas em locações reais no bairro de São Cristóvão, transmitem autenticidade e proximidade com o espectador.
Saúde mental ganha espaço na TV aberta
A decisão de abordar o transtorno bipolar em uma novela das sete é um passo significativo para a televisão brasileira. Tradicionalmente voltada para tramas leves e cômicas, a faixa das 19h da Globo tem se reinventado, trazendo temas sociais relevantes sem perder o entretenimento. Dona de Mim, escrita por Rosane Svartman, combina humor, romance e drama, mas é a discussão sobre saúde mental que tem gerado maior repercussão.
Filipa não é a única personagem que aborda questões emocionais. A protagonista Leona, interpretada por Clara Moneke, também enfrenta traumas do passado, enquanto Abel lida com lapsos de memória que podem indicar um problema de saúde. A novela, assim, cria um mosaico de histórias que refletem as complexidades da mente humana.
A abordagem da saúde mental na trama inclui:
- Desmistificação do diagnóstico: Mostrar que o transtorno bipolar não é uma escolha, mas uma condição tratável.
- Incentivo à busca por ajuda: Cenas em que Filipa começa a entender sua condição reforçam a importância do acompanhamento profissional.
- Quebra de estigmas: A novela evita estereótipos, apresentando Filipa como uma mulher multifacetada, e não apenas como “bipolar”.
- Impacto familiar: A trama explora como o transtorno afeta as relações de Filipa com Abel, Sofia e outros personagens.
A iniciativa tem sido elogiada por especialistas, que veem na novela uma oportunidade de informar o público e reduzir preconceitos.
Recepção do público e crítica especializada
Desde sua estreia, Dona de Mim tem conquistado audiência e elogios. A atuação de Cláudia Abreu, em particular, é apontada como um dos pontos altos da trama. Críticos destacam que a atriz consegue equilibrar a intensidade emocional de Filipa com momentos de leveza, tornando a personagem cativante e relatable. A escolha de abordar a saúde mental também recebeu comentários positivos, com muitos espectadores compartilhando suas próprias experiências nas redes sociais.
A novela registrou índices de audiência satisfatórios em sua primeira semana, superando a antecessora Volta por Cima em algumas praças. O público tem se identificado com a mistura de drama e comédia, além da representatividade trazida por personagens como Leona, uma jovem negra que enfrenta desafios financeiros e emocionais. A direção de Allan Fiterman, que aposta em um ritmo dinâmico e cenários realistas, também contribui para o sucesso da trama.
Momentos marcantes de Filipa na trama
Filipa já protagonizou cenas que entraram para a lista de momentos memoráveis de Dona de Mim. Uma delas é a festa que ela organiza na mansão dos Boaz, desafiando a sogra Rosa, interpretada por Suely Franco, a chamar a polícia. O evento, marcado por música alta e muitos convidados, reflete o lado eufórico da personagem, mas também gera conflitos com Abel, que a critica por agir de forma impulsiva.
Outra sequência de destaque envolve um beijo entre Filipa e Danilo, um motorista de aplicativo interpretado por Felipe Simas. A cena, que ocorre durante um ensaio teatral, provoca ciúmes em Jaques, cunhado de Filipa, vivido por Marcello Novaes. O momento, que mistura ficção e desejo real, adiciona uma camada de suspense à trama, sugerindo possíveis triângulos amorosos.
Esses episódios mostram a versatilidade de Filipa, que transita entre a alegria desmedida e a vulnerabilidade. A personagem, segundo Abreu, é uma oportunidade de mostrar que pessoas com transtorno bipolar podem viver vidas plenas, desde que recebam o suporte adequado.
Representatividade e diversidade na novela
Além da saúde mental, Dona de Mim aborda outros temas sociais, como a maternidade não biológica e a diversidade cultural. Filipa enfrenta dificuldades em se conectar com Sofia, a filha adotiva de Abel, o que reflete os desafios de construir laços familiares em contextos complexos. A personagem de Clara Moneke, Leona, traz à tona questões de classe e raça, enquanto outros personagens, como Marlon, um lutador de kickboxing, exploram a busca por identidade e realização pessoal.
A novela também destaca a riqueza cultural do bairro de São Cristóvão, com cenas que mostram a vida comunitária, a música e as tradições locais. A escolha do cenário, segundo a autora Rosane Svartman, foi uma forma de homenagear o Rio de Janeiro e suas múltiplas facetas, indo além dos cartões-postais tradicionais.
Elenco estelar reforça o impacto da trama
Dona de Mim reúne um elenco de peso, que combina nomes consagrados e novos talentos. Além de Cláudia Abreu e Tony Ramos, a novela conta com Marcello Novaes, Marcos Pasquim, Suely Franco, Camila Pitanga e Clara Moneke. A participação de jovens atores, como Juan Paiva e Rafael Vitti, traz frescor à trama, enquanto veteranos como Sylvia Bandeira adicionam profundidade aos personagens secundários.
A interação entre os atores é um dos pontos fortes da novela. Cenas de embate entre Filipa e Jaques, por exemplo, revelam a tensão familiar que permeia a trama, enquanto momentos de cumplicidade entre Leona e Sofia emocionam o público. A direção artística de Allan Fiterman valoriza o trabalho do elenco, com enquadramentos que destacam as expressões e as emoções dos personagens.
Perspectiva social da novela
A abordagem de temas como saúde mental, diversidade e maternidade faz de Dona de Mim uma novela com potencial transformador. A trama não se limita a entreter; ela provoca reflexões sobre questões que afetam a sociedade brasileira. A representação de Filipa, em particular, é um convite para que o público olhe com mais empatia para pessoas que enfrentam transtornos mentais.
A novela também destaca a importância da arte e da cultura como formas de expressão e resistência. Filipa, apesar de suas frustrações como artista, encontra na música e no teatro maneiras de se reconectar consigo mesma. Essas cenas, muitas vezes acompanhadas por trilhas sonoras marcantes, reforçam o papel da arte na construção de identidades e na superação de desafios.
