O futebol brasileiro vive um momento de transformação. Após meses de negociações e especulações, Carlo Ancelotti, um dos técnicos mais renomados do mundo, foi anunciado como o novo comandante da seleção brasileira. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) finalizou o acordo com o italiano, que deixa o Real Madrid após o término da temporada espanhola. A chegada do treinador marca o início de uma nova fase para a equipe canarinho, que busca recuperação nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026.
A expectativa em torno do nome de Ancelotti é alta. Ele assume o cargo em um cenário de pressão, com o Brasil na quarta colocação das Eliminatórias Sul-Americanas, após uma campanha irregular sob o comando de Dorival Júnior. A CBF aposta na experiência do italiano, conhecido por conquistar cinco títulos da Liga dos Campeões, para reestruturar a seleção. A primeira missão será preparar o time para os jogos contra Equador e Paraguai, em junho.
🚨🇧🇷 Carlo Ancelotti will be new Brazil head coach, plan confirmed and agreement done.
— Fabrizio Romano (@FabrizioRomano) May 12, 2025
The staff has been decided, documents signed and exit process from Real Madrid will follow with special farewell.
Ancelotti will start working for Brazil from the end of May.
Here we go! 🤝🏻 pic.twitter.com/IibmP3bzyX
O anúncio da contratação veio após intensas tratativas. A CBF aguardava a liberação de Ancelotti, que tinha contrato com o Real Madrid até 2026. A decisão foi acelerada pela derrota do clube espanhol para o Barcelona, em um clássico eletrizante que terminou 4 a 3, sinalizando o fim de um ciclo para o treinador no clube merengue.
- Cronologia recente: Ancelotti informou os jogadores do Real Madrid sobre sua saída antes da final da Copa do Rei, em abril.
- Negociações: A CBF manteve contatos com o treinador desde 2023, mas só agora conseguiu viabilizar o acordo.
- Desafios imediatos: A convocação para os jogos de junho deve ser feita até 18 de maio, exigindo agilidade na transição.
Negociações intensas com a CBF
A contratação de Carlo Ancelotti pela CBF foi marcada por um longo processo de negociações, iniciado ainda em 2022, quando o presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues, apontou o italiano como o “sonho” para o comando da seleção. As tratativas, no entanto, enfrentaram obstáculos, especialmente devido ao contrato do treinador com o Real Madrid, que se estendia até junho de 2026. A CBF precisou esperar o momento certo para avançar, o que só ocorreu após a temporada irregular do clube espanhol.
Em abril, a eliminação do Real Madrid na Liga dos Campeões, contra o Arsenal, e a derrota na final da Copa do Rei, para o Barcelona, intensificaram as especulações sobre a saída de Ancelotti. A CBF, ciente da situação, acelerou os contatos com o treinador. Uma reunião entre Ancelotti e o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, definiu os termos da rescisão, permitindo que o italiano ficasse livre para assinar com a seleção brasileira.
As negociações também envolveram ajustes financeiros. A CBF ofereceu um contrato robusto, com salário anual estimado em cifras competitivas no mercado internacional, superando o que o treinador recebia no Real Madrid. Além disso, a entidade garantiu autonomia para Ancelotti formar sua comissão técnica, trazendo profissionais de confiança para auxiliar na preparação da equipe.
- Pontos acordados: Salário competitivo, autonomia na escolha da comissão técnica e residência flexível, com possibilidade de manter base na Europa.
- Encontros decisivos: Reuniões em maio, em Madri, selaram o acordo entre CBF e Ancelotti.
- Intermediários: Empresários como Diego Fernandes, próximo à CBF, participaram das tratativas, mas sem vínculo oficial com a entidade.
Cenário do Real Madrid antes da saída
O ciclo de Ancelotti no Real Madrid, embora vitorioso, chegou ao fim em meio a resultados abaixo do esperado. O treinador, que acumula 15 títulos com o clube, incluindo três Ligas dos Campeões, enfrentou críticas pela falta de criatividade tática na temporada 2024/2025. A eliminação nas quartas de final da Liga dos Campeões e a derrota na final da Copa do Rei, somadas à desvantagem de quatro pontos para o Barcelona na La Liga, sinalizaram a necessidade de mudanças.
O clássico contra o Barcelona, disputado em 11 de maio, foi decisivo. O jogo, marcado por sete gols e uma virada do time catalão, terminou com vitória do Barcelona por 4 a 3, com destaque para os dois gols de Raphinha. A derrota enfraqueceu a posição de Ancelotti, que já havia comunicado aos jogadores sua intenção de deixar o clube. O Real Madrid, por sua vez, começou a planejar a sucessão, com Xabi Alonso, técnico do Bayer Leverkusen, como principal candidato.
A relação de Ancelotti com o presidente Florentino Pérez permaneceu amigável, o que facilitou a rescisão. O treinador optou por não cumprir o último ano de contrato, priorizando o desafio de comandar a seleção brasileira. O clube espanhol, agora, foca no Mundial de Clubes, em junho, com a possibilidade de um técnico interino, como Santiago Solari ou Raúl, assumir temporariamente.
Perfil de Ancelotti como treinador
Carlo Ancelotti, aos 65 anos, é um dos técnicos mais respeitados do futebol mundial. Nascido em Reggiolo, na Itália, ele começou a carreira como treinador em 1995, no Reggiana, e passou por clubes como Juventus, Milan, Chelsea, Paris Saint-Germain, Bayern de Munique e Real Madrid. Sua trajetória é marcada por conquistas expressivas, incluindo cinco títulos da Liga dos Campeões, um recorde no futebol europeu.
O italiano é conhecido por sua abordagem tática flexível, adaptando-se às características dos jogadores disponíveis. No Real Madrid, ele implementou um estilo de jogo baseado em transições rápidas e aproveitamento de talentos individuais, como Vinicius Jr., Rodrygo e Jude Bellingham. Sua capacidade de gerir elencos repletos de estrelas será essencial na seleção brasileira, que conta com jovens promissores e veteranos experientes.
- Conquistas principais: Cinco Ligas dos Campeões (duas com Milan, três com Real Madrid), dois Mundiais de Clubes, três campeonatos nacionais (Itália, Inglaterra, Espanha).
- Estilo de gestão: Comunicação direta com jogadores, foco em equilíbrio tático e valorização de talentos individuais.
- Experiência internacional: Passagem por cinco ligas europeias, com adaptação a diferentes culturas futebolísticas.
Expectativas para a seleção brasileira
A chegada de Ancelotti à seleção brasileira gera grande expectativa entre torcedores e dirigentes. A equipe, que viveu momentos de instabilidade sob o comando de Fernando Diniz e Dorival Júnior, busca recuperar o protagonismo nas Eliminatórias. O Brasil venceu apenas um dos últimos quatro jogos, ocupando a quarta posição na tabela, atrás de Argentina, Colômbia e Uruguai.
Os primeiros desafios de Ancelotti serão os jogos contra Equador, em 5 de junho, fora de casa, e Paraguai, em 10 de junho, na Neo Química Arena, em São Paulo. A CBF espera que o treinador traga uma nova identidade tática, explorando a qualidade técnica de jogadores como Vinicius Jr., Neymar e Endrick. A convocação, prevista para 18 de maio, será o primeiro teste da nova gestão.
A torcida brasileira, conhecida por sua paixão, já manifesta apoio nas redes sociais. Postagens no X destacam a experiência de Ancelotti e sua proximidade com jogadores do Real Madrid, como Vinicius Jr. e Rodrygo, como fatores positivos para a reconstrução da equipe. A CBF, por sua vez, planeja uma apresentação oficial do treinador no final de maio, no Rio de Janeiro.
Desafios logísticos da transição
A mudança de Ancelotti para o Brasil envolve questões logísticas complexas. O treinador, que mantém residência em Madri, negocia com a CBF a possibilidade de viajar ao Brasil apenas durante os períodos de convocação, mantendo sua base na Europa. Essa flexibilidade é inspirada em outros técnicos de seleções, como Lionel Scaloni, da Argentina, que reside em La Coruña, na Espanha.
A CBF, inicialmente, exigia que o treinador morasse no Rio de Janeiro, onde está a sede da entidade. No entanto, as negociações avançaram com a concessão de maior liberdade para Ancelotti, considerando que a seleção brasileira se reúne esporadicamente. A observação de jogadores, tanto no Brasil quanto na Europa, será feita por meio de viagens estratégicas, com apoio de assistentes técnicos.
- Residência: Ancelotti poderá manter base em Madri, viajando ao Brasil para jogos e períodos de treinamento.
- Comissão técnica: O treinador trará assistentes de confiança, possivelmente incluindo Davide Ancelotti, seu filho, que atua como auxiliar no Real Madrid.
- Planejamento: A CBF organiza uma estrutura de suporte para facilitar a adaptação do treinador ao futebol brasileiro.
Histórico de negociações com outros técnicos
Antes de fechar com Ancelotti, a CBF considerou outros nomes para o comando da seleção. Jorge Jesus, ex-técnico do Flamengo e Al-Hilal, foi uma das opções mais cotadas. O português, que estava desempregado após deixar o clube saudita, demonstrou interesse, mas ficou incomodado por ser tratado como segunda opção. As negociações com Jesus foram pausadas quando a CBF intensificou os contatos com Ancelotti.
Abel Ferreira, treinador do Palmeiras, também esteve no radar. O português ganhou força nos bastidores, especialmente após sua declaração pública sobre o lema “Ordem e Progresso”, presente na bandeira brasileira. No entanto, a preferência por Ancelotti prevaleceu, devido à sua experiência em grandes competições internacionais. Pep Guardiola, do Manchester City, chegou a ser sondado, mas as conversas não avançaram.
A escolha por Ancelotti reflete a estratégia da CBF de investir em um nome de peso, capaz de atrair respeito imediato dos jogadores e da torcida. A entidade espera que o italiano consiga unir o elenco e implementar um estilo de jogo competitivo, aproveitando a qualidade técnica dos atletas brasileiros.
Reações no futebol europeu
A saída de Ancelotti do Real Madrid gerou repercussão no futebol europeu. Jornais espanhóis, como o Marca, destacaram que a derrota no clássico contra o Barcelona foi o ponto de inflexão para a decisão do treinador. A imprensa inglesa, incluindo a Sky Sports, também acompanhou de perto as negociações, apontando que o acerto com a CBF era iminente desde abril.
No Real Madrid, os jogadores receberam a notícia com respeito, mas sem surpresa. Ancelotti já havia comunicado sua intenção de deixar o clube, e o elenco, liderado por nomes como Vinicius Jr. e Luka Modric, se prepara para uma transição sob novo comando. Xabi Alonso, favorito para assumir o cargo, é elogiado por seu trabalho no Bayer Leverkusen, onde conquistou a Bundesliga na temporada anterior.
- Imprensa espanhola: Jornais como Marca e As destacaram o “fim de ciclo” de Ancelotti no Real Madrid.
- Imprensa inglesa: Sky Sports e The Athletic confirmaram a proximidade do acordo com a CBF.
- Jogadores: Vinicius Jr. e Rodrygo, próximos de Ancelotti, devem ser peças-chave na seleção brasileira.
Preparação para os jogos de junho
Os jogos de junho serão o primeiro teste prático de Ancelotti à frente da seleção brasileira. Contra o Equador, em Quito, o Brasil enfrentará um adversário que tem se destacado nas Eliminatórias, ocupando a quinta posição. A altitude da capital equatoriana, a 2.850 metros, será um desafio adicional para o time, que precisará de uma preparação física específica.
Já o confronto contra o Paraguai, em São Paulo, terá um caráter especial. A Neo Química Arena, casa do Corinthians, receberá a seleção em um momento de alta expectativa. A CBF planeja lotar o estádio, com ingressos esgotados semanas antes do jogo. Ancelotti terá pouco tempo para implementar suas ideias, mas contará com a base de jogadores que já conhece, como os atletas do Real Madrid.
A convocação, que deve ser anunciada em 18 de maio, será acompanhada de perto pela imprensa e pela torcida. Nomes como Neymar, que se recupera de lesão, e jovens como Endrick, do Palmeiras, estão entre os cotados para integrar a lista. A escolha dos jogadores refletirá a visão tática de Ancelotti, que prioriza velocidade e criatividade no ataque.
Reestruturação tática da seleção
Ancelotti é esperado para trazer uma abordagem tática mais equilibrada à seleção brasileira. No Real Madrid, ele alternava entre formações como 4-3-3 e 4-2-3-1, dependendo dos adversários. Para o Brasil, a expectativa é que o treinador adote um sistema que valorize a posse de bola, mas sem abrir mão das transições rápidas, marca do futebol brasileiro.
A defesa, que sofreu com desorganização nos últimos jogos, será um ponto de atenção. A goleada de 4 a 1 sofrida contra a Argentina, em março, expôs fragilidades no sistema defensivo, especialmente na compactação das linhas. Ancelotti, conhecido por sua capacidade de ajustar defesas, deve trabalhar na integração de zagueiros como Marquinhos e Gabriel Magalhães.
- Formação provável: 4-3-3, com ênfase em laterais ofensivos e um meio-campo criativo.
- Foco defensivo: Compactação das linhas e maior proteção à área.
- Ataque: Exploração da velocidade de Vinicius Jr. e da versatilidade de Neymar.
Relação com jogadores brasileiros
A proximidade de Ancelotti com jogadores brasileiros é um dos trunfos da CBF. No Real Madrid, o treinador desenvolveu uma relação de confiança com Vinicius Jr., Rodrygo e Endrick, que devem ser pilares da seleção. Vinicius, em particular, é visto como o principal nome do Brasil na atualidade, com atuações decisivas na Europa.
Neymar, que enfrenta críticas por lesões recorrentes, também terá um papel central. Ancelotti já elogiou o camisa 10 publicamente, destacando sua capacidade de desequilibrar jogos. A gestão do elenco, que mistura jovens como Savinho, do Manchester City, e veteranos como Casemiro, do Manchester United, exigirá habilidade do treinador para manter a harmonia.
A CBF aposta que a experiência de Ancelotti em lidar com elencos estrelados, como os de Milan, Chelsea e Real Madrid, será um diferencial. O treinador é conhecido por sua comunicação direta e por criar ambientes positivos, o que pode ajudar a unir a seleção em um momento de reconstrução.
Planejamento da CBF para 2026
A contratação de Ancelotti é parte de um projeto maior da CBF para a Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá. A entidade busca recuperar o prestígio da seleção, que não vence um Mundial desde 2002. O torneio, que terá 48 equipes, representa uma oportunidade para o Brasil voltar ao topo do futebol mundial.
Além dos jogos das Eliminatórias, Ancelotti comandará a seleção em amistosos preparatórios ao longo de 2025. A CBF planeja confrontos contra seleções europeias, como Inglaterra e Alemanha, para testar o time em cenários competitivos. A entidade também investe em melhorias na Granja Comary, centro de treinamento da seleção, com novas instalações para análise de desempenho.
A chegada do treinador italiano é vista como um marco na gestão de Ednaldo Rodrigues, que enfrentou críticas por resultados recentes. A CBF espera que Ancelotti traga estabilidade e resultados, consolidando a seleção como uma das favoritas para 2026.
Curiosidades sobre Ancelotti
A trajetória de Carlo Ancelotti é repleta de fatos marcantes. O treinador, que começou como jogador, atuou como meio-campista em clubes como Roma e Milan, conquistando três títulos da Liga dos Campeões como atleta. Sua transição para a carreira de técnico foi natural, e ele rapidamente se destacou por sua capacidade de adaptação.
- Primeiro clube: Ancelotti estreou como treinador no Reggiana, em 1995, levando o time à Série A italiana.
- Recorde histórico: É o único técnico a vencer as cinco principais ligas europeias (Itália, Inglaterra, Espanha, Alemanha, França).
- Apelido: Conhecido como “Don Carlo”, ele é respeitado por sua calma e elegância no comando das equipes.

