Ancelotti assume seleção brasileira após saída do Real Madrid em maio

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Ancelotti Foto: Ancelotti - Foto: Cesar Ortiz Gonzalez / Shutterstock.com

O futebol brasileiro vive um momento de transformação. Após meses de negociações e especulações, Carlo Ancelotti, um dos técnicos mais renomados do mundo, foi anunciado como o novo comandante da seleção brasileira. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) finalizou o acordo com o italiano, que deixa o Real Madrid após o término da temporada espanhola. A chegada do treinador marca o início de uma nova fase para a equipe canarinho, que busca recuperação nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026.

A expectativa em torno do nome de Ancelotti é alta. Ele assume o cargo em um cenário de pressão, com o Brasil na quarta colocação das Eliminatórias Sul-Americanas, após uma campanha irregular sob o comando de Dorival Júnior. A CBF aposta na experiência do italiano, conhecido por conquistar cinco títulos da Liga dos Campeões, para reestruturar a seleção. A primeira missão será preparar o time para os jogos contra Equador e Paraguai, em junho.

O anúncio da contratação veio após intensas tratativas. A CBF aguardava a liberação de Ancelotti, que tinha contrato com o Real Madrid até 2026. A decisão foi acelerada pela derrota do clube espanhol para o Barcelona, em um clássico eletrizante que terminou 4 a 3, sinalizando o fim de um ciclo para o treinador no clube merengue.

  • Cronologia recente: Ancelotti informou os jogadores do Real Madrid sobre sua saída antes da final da Copa do Rei, em abril.
  • Negociações: A CBF manteve contatos com o treinador desde 2023, mas só agora conseguiu viabilizar o acordo.
  • Desafios imediatos: A convocação para os jogos de junho deve ser feita até 18 de maio, exigindo agilidade na transição.

Negociações intensas com a CBF

A contratação de Carlo Ancelotti pela CBF foi marcada por um longo processo de negociações, iniciado ainda em 2022, quando o presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues, apontou o italiano como o “sonho” para o comando da seleção. As tratativas, no entanto, enfrentaram obstáculos, especialmente devido ao contrato do treinador com o Real Madrid, que se estendia até junho de 2026. A CBF precisou esperar o momento certo para avançar, o que só ocorreu após a temporada irregular do clube espanhol.

Em abril, a eliminação do Real Madrid na Liga dos Campeões, contra o Arsenal, e a derrota na final da Copa do Rei, para o Barcelona, intensificaram as especulações sobre a saída de Ancelotti. A CBF, ciente da situação, acelerou os contatos com o treinador. Uma reunião entre Ancelotti e o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, definiu os termos da rescisão, permitindo que o italiano ficasse livre para assinar com a seleção brasileira.

As negociações também envolveram ajustes financeiros. A CBF ofereceu um contrato robusto, com salário anual estimado em cifras competitivas no mercado internacional, superando o que o treinador recebia no Real Madrid. Além disso, a entidade garantiu autonomia para Ancelotti formar sua comissão técnica, trazendo profissionais de confiança para auxiliar na preparação da equipe.

  • Pontos acordados: Salário competitivo, autonomia na escolha da comissão técnica e residência flexível, com possibilidade de manter base na Europa.
  • Encontros decisivos: Reuniões em maio, em Madri, selaram o acordo entre CBF e Ancelotti.
  • Intermediários: Empresários como Diego Fernandes, próximo à CBF, participaram das tratativas, mas sem vínculo oficial com a entidade.

Cenário do Real Madrid antes da saída

O ciclo de Ancelotti no Real Madrid, embora vitorioso, chegou ao fim em meio a resultados abaixo do esperado. O treinador, que acumula 15 títulos com o clube, incluindo três Ligas dos Campeões, enfrentou críticas pela falta de criatividade tática na temporada 2024/2025. A eliminação nas quartas de final da Liga dos Campeões e a derrota na final da Copa do Rei, somadas à desvantagem de quatro pontos para o Barcelona na La Liga, sinalizaram a necessidade de mudanças.

O clássico contra o Barcelona, disputado em 11 de maio, foi decisivo. O jogo, marcado por sete gols e uma virada do time catalão, terminou com vitória do Barcelona por 4 a 3, com destaque para os dois gols de Raphinha. A derrota enfraqueceu a posição de Ancelotti, que já havia comunicado aos jogadores sua intenção de deixar o clube. O Real Madrid, por sua vez, começou a planejar a sucessão, com Xabi Alonso, técnico do Bayer Leverkusen, como principal candidato.

A relação de Ancelotti com o presidente Florentino Pérez permaneceu amigável, o que facilitou a rescisão. O treinador optou por não cumprir o último ano de contrato, priorizando o desafio de comandar a seleção brasileira. O clube espanhol, agora, foca no Mundial de Clubes, em junho, com a possibilidade de um técnico interino, como Santiago Solari ou Raúl, assumir temporariamente.

Perfil de Ancelotti como treinador

Carlo Ancelotti, aos 65 anos, é um dos técnicos mais respeitados do futebol mundial. Nascido em Reggiolo, na Itália, ele começou a carreira como treinador em 1995, no Reggiana, e passou por clubes como Juventus, Milan, Chelsea, Paris Saint-Germain, Bayern de Munique e Real Madrid. Sua trajetória é marcada por conquistas expressivas, incluindo cinco títulos da Liga dos Campeões, um recorde no futebol europeu.

O italiano é conhecido por sua abordagem tática flexível, adaptando-se às características dos jogadores disponíveis. No Real Madrid, ele implementou um estilo de jogo baseado em transições rápidas e aproveitamento de talentos individuais, como Vinicius Jr., Rodrygo e Jude Bellingham. Sua capacidade de gerir elencos repletos de estrelas será essencial na seleção brasileira, que conta com jovens promissores e veteranos experientes.

  • Conquistas principais: Cinco Ligas dos Campeões (duas com Milan, três com Real Madrid), dois Mundiais de Clubes, três campeonatos nacionais (Itália, Inglaterra, Espanha).
  • Estilo de gestão: Comunicação direta com jogadores, foco em equilíbrio tático e valorização de talentos individuais.
  • Experiência internacional: Passagem por cinco ligas europeias, com adaptação a diferentes culturas futebolísticas.

Expectativas para a seleção brasileira

A chegada de Ancelotti à seleção brasileira gera grande expectativa entre torcedores e dirigentes. A equipe, que viveu momentos de instabilidade sob o comando de Fernando Diniz e Dorival Júnior, busca recuperar o protagonismo nas Eliminatórias. O Brasil venceu apenas um dos últimos quatro jogos, ocupando a quarta posição na tabela, atrás de Argentina, Colômbia e Uruguai.

Os primeiros desafios de Ancelotti serão os jogos contra Equador, em 5 de junho, fora de casa, e Paraguai, em 10 de junho, na Neo Química Arena, em São Paulo. A CBF espera que o treinador traga uma nova identidade tática, explorando a qualidade técnica de jogadores como Vinicius Jr., Neymar e Endrick. A convocação, prevista para 18 de maio, será o primeiro teste da nova gestão.

A torcida brasileira, conhecida por sua paixão, já manifesta apoio nas redes sociais. Postagens no X destacam a experiência de Ancelotti e sua proximidade com jogadores do Real Madrid, como Vinicius Jr. e Rodrygo, como fatores positivos para a reconstrução da equipe. A CBF, por sua vez, planeja uma apresentação oficial do treinador no final de maio, no Rio de Janeiro.

Desafios logísticos da transição

A mudança de Ancelotti para o Brasil envolve questões logísticas complexas. O treinador, que mantém residência em Madri, negocia com a CBF a possibilidade de viajar ao Brasil apenas durante os períodos de convocação, mantendo sua base na Europa. Essa flexibilidade é inspirada em outros técnicos de seleções, como Lionel Scaloni, da Argentina, que reside em La Coruña, na Espanha.

A CBF, inicialmente, exigia que o treinador morasse no Rio de Janeiro, onde está a sede da entidade. No entanto, as negociações avançaram com a concessão de maior liberdade para Ancelotti, considerando que a seleção brasileira se reúne esporadicamente. A observação de jogadores, tanto no Brasil quanto na Europa, será feita por meio de viagens estratégicas, com apoio de assistentes técnicos.

  • Residência: Ancelotti poderá manter base em Madri, viajando ao Brasil para jogos e períodos de treinamento.
  • Comissão técnica: O treinador trará assistentes de confiança, possivelmente incluindo Davide Ancelotti, seu filho, que atua como auxiliar no Real Madrid.
  • Planejamento: A CBF organiza uma estrutura de suporte para facilitar a adaptação do treinador ao futebol brasileiro.

Histórico de negociações com outros técnicos

Antes de fechar com Ancelotti, a CBF considerou outros nomes para o comando da seleção. Jorge Jesus, ex-técnico do Flamengo e Al-Hilal, foi uma das opções mais cotadas. O português, que estava desempregado após deixar o clube saudita, demonstrou interesse, mas ficou incomodado por ser tratado como segunda opção. As negociações com Jesus foram pausadas quando a CBF intensificou os contatos com Ancelotti.

Abel Ferreira, treinador do Palmeiras, também esteve no radar. O português ganhou força nos bastidores, especialmente após sua declaração pública sobre o lema “Ordem e Progresso”, presente na bandeira brasileira. No entanto, a preferência por Ancelotti prevaleceu, devido à sua experiência em grandes competições internacionais. Pep Guardiola, do Manchester City, chegou a ser sondado, mas as conversas não avançaram.

A escolha por Ancelotti reflete a estratégia da CBF de investir em um nome de peso, capaz de atrair respeito imediato dos jogadores e da torcida. A entidade espera que o italiano consiga unir o elenco e implementar um estilo de jogo competitivo, aproveitando a qualidade técnica dos atletas brasileiros.

Reações no futebol europeu

A saída de Ancelotti do Real Madrid gerou repercussão no futebol europeu. Jornais espanhóis, como o Marca, destacaram que a derrota no clássico contra o Barcelona foi o ponto de inflexão para a decisão do treinador. A imprensa inglesa, incluindo a Sky Sports, também acompanhou de perto as negociações, apontando que o acerto com a CBF era iminente desde abril.

No Real Madrid, os jogadores receberam a notícia com respeito, mas sem surpresa. Ancelotti já havia comunicado sua intenção de deixar o clube, e o elenco, liderado por nomes como Vinicius Jr. e Luka Modric, se prepara para uma transição sob novo comando. Xabi Alonso, favorito para assumir o cargo, é elogiado por seu trabalho no Bayer Leverkusen, onde conquistou a Bundesliga na temporada anterior.

  • Imprensa espanhola: Jornais como Marca e As destacaram o “fim de ciclo” de Ancelotti no Real Madrid.
  • Imprensa inglesa: Sky Sports e The Athletic confirmaram a proximidade do acordo com a CBF.
  • Jogadores: Vinicius Jr. e Rodrygo, próximos de Ancelotti, devem ser peças-chave na seleção brasileira.

Preparação para os jogos de junho

Os jogos de junho serão o primeiro teste prático de Ancelotti à frente da seleção brasileira. Contra o Equador, em Quito, o Brasil enfrentará um adversário que tem se destacado nas Eliminatórias, ocupando a quinta posição. A altitude da capital equatoriana, a 2.850 metros, será um desafio adicional para o time, que precisará de uma preparação física específica.

Já o confronto contra o Paraguai, em São Paulo, terá um caráter especial. A Neo Química Arena, casa do Corinthians, receberá a seleção em um momento de alta expectativa. A CBF planeja lotar o estádio, com ingressos esgotados semanas antes do jogo. Ancelotti terá pouco tempo para implementar suas ideias, mas contará com a base de jogadores que já conhece, como os atletas do Real Madrid.

A convocação, que deve ser anunciada em 18 de maio, será acompanhada de perto pela imprensa e pela torcida. Nomes como Neymar, que se recupera de lesão, e jovens como Endrick, do Palmeiras, estão entre os cotados para integrar a lista. A escolha dos jogadores refletirá a visão tática de Ancelotti, que prioriza velocidade e criatividade no ataque.

Reestruturação tática da seleção

Ancelotti é esperado para trazer uma abordagem tática mais equilibrada à seleção brasileira. No Real Madrid, ele alternava entre formações como 4-3-3 e 4-2-3-1, dependendo dos adversários. Para o Brasil, a expectativa é que o treinador adote um sistema que valorize a posse de bola, mas sem abrir mão das transições rápidas, marca do futebol brasileiro.

A defesa, que sofreu com desorganização nos últimos jogos, será um ponto de atenção. A goleada de 4 a 1 sofrida contra a Argentina, em março, expôs fragilidades no sistema defensivo, especialmente na compactação das linhas. Ancelotti, conhecido por sua capacidade de ajustar defesas, deve trabalhar na integração de zagueiros como Marquinhos e Gabriel Magalhães.

  • Formação provável: 4-3-3, com ênfase em laterais ofensivos e um meio-campo criativo.
  • Foco defensivo: Compactação das linhas e maior proteção à área.
  • Ataque: Exploração da velocidade de Vinicius Jr. e da versatilidade de Neymar.

Relação com jogadores brasileiros

A proximidade de Ancelotti com jogadores brasileiros é um dos trunfos da CBF. No Real Madrid, o treinador desenvolveu uma relação de confiança com Vinicius Jr., Rodrygo e Endrick, que devem ser pilares da seleção. Vinicius, em particular, é visto como o principal nome do Brasil na atualidade, com atuações decisivas na Europa.

Neymar, que enfrenta críticas por lesões recorrentes, também terá um papel central. Ancelotti já elogiou o camisa 10 publicamente, destacando sua capacidade de desequilibrar jogos. A gestão do elenco, que mistura jovens como Savinho, do Manchester City, e veteranos como Casemiro, do Manchester United, exigirá habilidade do treinador para manter a harmonia.

A CBF aposta que a experiência de Ancelotti em lidar com elencos estrelados, como os de Milan, Chelsea e Real Madrid, será um diferencial. O treinador é conhecido por sua comunicação direta e por criar ambientes positivos, o que pode ajudar a unir a seleção em um momento de reconstrução.

Planejamento da CBF para 2026

A contratação de Ancelotti é parte de um projeto maior da CBF para a Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá. A entidade busca recuperar o prestígio da seleção, que não vence um Mundial desde 2002. O torneio, que terá 48 equipes, representa uma oportunidade para o Brasil voltar ao topo do futebol mundial.

Além dos jogos das Eliminatórias, Ancelotti comandará a seleção em amistosos preparatórios ao longo de 2025. A CBF planeja confrontos contra seleções europeias, como Inglaterra e Alemanha, para testar o time em cenários competitivos. A entidade também investe em melhorias na Granja Comary, centro de treinamento da seleção, com novas instalações para análise de desempenho.

A chegada do treinador italiano é vista como um marco na gestão de Ednaldo Rodrigues, que enfrentou críticas por resultados recentes. A CBF espera que Ancelotti traga estabilidade e resultados, consolidando a seleção como uma das favoritas para 2026.

Curiosidades sobre Ancelotti

A trajetória de Carlo Ancelotti é repleta de fatos marcantes. O treinador, que começou como jogador, atuou como meio-campista em clubes como Roma e Milan, conquistando três títulos da Liga dos Campeões como atleta. Sua transição para a carreira de técnico foi natural, e ele rapidamente se destacou por sua capacidade de adaptação.

  • Primeiro clube: Ancelotti estreou como treinador no Reggiana, em 1995, levando o time à Série A italiana.
  • Recorde histórico: É o único técnico a vencer as cinco principais ligas europeias (Itália, Inglaterra, Espanha, Alemanha, França).
  • Apelido: Conhecido como “Don Carlo”, ele é respeitado por sua calma e elegância no comando das equipes.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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