Chá de folha de amora atua na menopausa, digestão masculina e controle da glicose, apontam nutricionistas

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Chá - New Africa/Shutterstock.com Foto: Chá - New Africa/Shutterstock.com

Nutricionistas apontam que o chá de folha de amora auxilia no alívio de sintomas da menopausa e da tensão pré-menstrual (TPM) nas mulheres, mas não possui comprovação científica de que sirva para limpar o útero. Para os homens, a bebida oferece efeito diurético e favorece o funcionamento do intestino e do sistema digestivo.

A eficácia da planta no organismo feminino está ligada à presença de fitoestrógenos, que são substâncias naturais com estrutura e função semelhantes ao hormônio estrogênio. Segundo a nutricionista e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Andreia Rocha, a infusão atua diretamente no equilíbrio do corpo e no fluxo de sangue. “As propriedades da folha de amora auxiliam na regulação hormonal e também melhoram a circulação sanguínea, o que pode favorecer a lubrificação vaginal”, afirmou a pesquisadora em análise publicada em 5 de janeiro de 2026.

Ação do chá de folha de amora na menopausa e na saúde masculina

Chá de camomila
Foto: Chá de camomila – Foto: Zulfiska/ Istockphoto.com

No organismo das mulheres, a atuação dos fitoestrógenos presentes na bebida ameniza queixas comuns do período do climatério e da menopausa, reduzindo a incidência de ondas de calor, a queda da libido e as alterações bruscas de humor. O consumo regular da infusão também colabora no controle dos sintomas físicos e emocionais da tensão pré-menstrual e das oscilações de humor ao longo do ciclo reprodutivo, além de estimular a circulação sanguínea periférica.

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Entre o público masculino, as diretrizes nutricionais atualizadas em 12 de junho de 2026 mostram que a bebida atua principalmente no trato gastrointestinal e no controle de líquidos corporais. A presença de fibras na composição da planta estimula o trânsito do intestino e facilita os processos do sistema digestivo após as refeições. Ao mesmo tempo, o efeito diurético natural da infusão estimula a eliminação de líquidos pela urina e combate quadros de retenção hídrica.

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A diferença entre o consumo da folha e o da fruta in natura reside na concentração das substâncias ativas disponíveis em cada parte do vegetal, conforme detalha a nutricionista do grupo Mantevida, Rejane Souza. “Enquanto a fruta é mais ligada à nutrição geral e ao consumo alimentar, a folha concentra compostos com uso mais terapêutico”, declarou a especialista.

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O chá de folha de amora limpa o útero?

Não existe comprovação científica de que o chá de folha de amora tenha a propriedade de limpar o útero. A alegação de que a bebida promoveria uma limpeza uterina circula apenas em conteúdos populares, sem qualquer respaldo clínico ou validação médica.

Desde 2023, verificações de saúde já registravam que, apesar do amplo uso popular da infusão voltado para o bem-estar feminino, não há evidência científica que sustente a capacidade da planta de remover resíduos ou limpar a cavidade uterina.

Compostos químicos, preparo e dados da folha de amora

Além da atuação hormonal e digestiva, a folha da amoreira reúne nutrientes voltados à proteção celular e ao controle metabólico, avaliados por profissionais como a nutricionista clínica Aline Braz. A planta concentra substâncias antioxidantes, que combatem os radicais livres, e agentes anti-inflamatórios, como flavonoides e antocianinas, somados a propriedades vasodilatadoras que promovem a dilatação dos vasos sanguíneos. “A folha tem propriedades vasodilatadoras, que colaboram para a regulação da pressão arterial e para a circulação sanguínea”, disse Andreia Rocha.

  • Ferro: nutriente em alta concentração na folha, que atua na prevenção da anemia, no fortalecimento do sistema imunológico e contra o envelhecimento precoce da pele.
  • 1-desoxinojirimicina (DNJ): composto químico que auxilia na redução dos níveis de glicose (açúcar) no sangue logo após refeições ricas em carboidratos.
  • Fibras e compostos fenólicos: elementos que auxiliam o trânsito intestinal, combatem a retenção de líquidos e protegem as células contra danos oxidativos.
  • Formas de preparo indicadas: consumo em chás, sucos ou com a folha cozida e refogada, evitando-se a ingestão da folha crua por causa do sabor acentuadamente amargo.
  • Recorte geográfico e temporal: análises nutricionais consolidadas no Brasil em 5 de janeiro de 2026 e em 12 de junho de 2026.

Histórico de 3.000 anos de cultivo e estudos sobre glicose

O uso da amoreira atravessa milênios na medicina tradicional asiática antes de se popularizar em território brasileiro e passar pelo crivo de pesquisas laboratoriais contemporâneas. Na China, a planta é cultivada há aproximadamente 3.000 anos, sendo destinada tanto para fins medicinais e alimentares quanto para a criação do bicho-da-seda. A literatura tradicional descreve 10 espécies conhecidas de amora, com destaque para a amora branca e a amora preta. Enquanto o cultivo tradicional asiático deriva do gênero científico Morus, a espécie nativa encontrada no Brasil é classificada na botânica como Rubus sellowii, segundo registros catalogados em 2019.

No mesmo ano de 2019, estudos conduzidos por cientistas japoneses em modelos animais investigaram o impacto metabólico da planta no controle do açúcar no sangue. Os testes demonstraram que a administração do extrato de amoreira rico no composto 1-desoxinojirimicina (DNJ), quando ingerido antes de refeições com alta carga de carboidratos, reduz os níveis de glicose sanguínea. Para obter esses efeitos nutricionais sem desconforto no paladar, a recomendação das nutricionistas é restringir o uso às preparações em infusão, batida em sucos ou refogada na panela.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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