Gripe aviária em SC: estado veta aves e ovos do RS e investiga caso comercialPor Luís Henrique Costa
13 min de leitura
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Santa Catarina enfrenta um momento crítico na defesa de sua produção avícola. Uma suspeita de gripe aviária em uma granja comercial no município de Ipumirim, no Oeste do estado, colocou as autoridades sanitárias em alerta máximo. A investigação, confirmada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, ocorre em paralelo a medidas rigorosas de contenção, incluindo a proibição de entrada de aves vivas e ovos férteis provenientes de 12 cidades do Rio Grande do Sul. A ação reflete a gravidade do cenário, especialmente após a confirmação de dois casos no estado vizinho.
O mapa atualizado do Ministério da Agricultura aponta que, além da suspeita em Ipumirim, o Brasil registra dois casos confirmados de Influenza Aviária e seis em investigação. A situação exige respostas rápidas para proteger a cadeia produtiva e evitar a disseminação do vírus H5N1, conhecido por sua alta patogenicidade em aves. A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) já coletou amostras no local suspeito, com resultados aguardados para breve. A prioridade é conter qualquer risco à avicultura, setor essencial para a economia catarinense.
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Abaixo, os casos confirmados e suspeitos no Brasil, conforme o Ministério da Agricultura:
- Confirmados: Montenegro (RS) – granja comercial; Sapucaia do Sul (RS) – zoológico, com morte de cisnes.
- Sus: Ipumirim (SC) – granja comercial; Aguiarnópolis (TO) – granja comercial; Triunfo (RS), Gracho Cardoso (SE), Salitre (CE), Nova Brasilândia (MT) – produções familiares para subsistência.
A notícia mobilizou produtores e autoridades, que reforçam protocolos de biosseguridade para proteger as aves e garantir a segurança alimentar. O momento é de vigilância, com medidas que vão desde a restrição de circulação de produtos até a orientação para evitar o contato com aves doentes.
Medidas de contenção em Santa Catarina
A proibição de entrada de aves vivas e ovos férteis de 12 municípios gaúchos foi uma das primeiras ações adotadas pelo governo catarinense. A lista inclui cidades como Canoas, Gravataí, Montenegro e Sapucaia do Sul, todas próximas ao foco confirmado de gripe aviária no Rio Grande do Sul. A medida, detalhada em uma nota técnica da Cidasc, visa criar uma barreira sanitária para proteger a avicultura de Santa Catarina, maior exportadora de carne de frango do Brasil.
No sábado, equipes da Cidasc visitaram a granja em Ipumirim onde a suspeita foi registrada. Amostras foram coletadas e enviadas a um laboratório do Ministério da Agricultura, com resultados esperados para terça-feira. A presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos, destacou a agilidade na resposta, seguindo protocolos nacionais de contingência. A granja permanece sob monitoramento, e o acesso ao local foi restrito para evitar a disseminação de possíveis casos.
A nota técnica também esclarece que produtos de origem avícola, como carne de frango e ovos comerciais, continuam liberados para entrada no estado, exceto os ovos provenientes das cidades listadas. Essa distinção busca equilibrar a proteção sanitária com a manutenção do comércio, essencial para a economia local. A Cidasc orientou os produtores a intensificarem medidas de biosseguridade, como a desinfecção de instalações e a proibição de visitantes externos nas granjas.
Origem e características do vírus H5N1
O vírus H5N1, responsável pela gripe aviária, é classificado como de alta patogenicidade, o que significa que ele se espalha rapidamente entre aves e causa elevadas taxas de mortalidade. Identificado pela primeira vez em 1878, na Itália, o subtipo H5N1 só foi isolado em 1996, em gansos na China. Desde então, tornou-se uma preocupação global devido à sua capacidade de infectar diferentes espécies de aves e, em raros casos, humanos.
A transmissão entre aves ocorre principalmente pelo contato direto com secreções ou fezes de animais infectados. Ambientes úmidos e a migração de aves silvestres também contribuem para a disseminação do vírus. Em humanos, o risco de infecção é baixo e geralmente está associado a trabalhadores que manipulam aves infectadas sem proteção adequada. No Brasil, não há registros de casos humanos, e o Ministério da Agricultura reforça que o consumo de carne de frango e ovos é seguro.
Abaixo, algumas características do H5N1:
- Alta letalidade: Até 90% das aves infectadas podem morrer em poucos dias.
- Transmissão: Via secreções, fezes ou contato com superfícies contaminadas.
- Impacto econômico: Pode levar ao abate de granjas inteiras para contenção.
- Risco humano: Baixo, mas exige cuidados em granjas e abatedouros.
A história do H5N1 inclui surtos significativos, como o registrado em Hong Kong em 1997, quando os primeiros casos humanos foram confirmados. Desde então, a Organização Mundial da Saúde (OMS) monitora o vírus devido ao seu potencial pandêmico, embora a transmissão entre humanos seja extremamente rara.
Ações de biosseguridade reforçadas
Os produtores catarinenses receberam orientações específicas para prevenir a entrada do vírus em suas propriedades. A Cidasc destacou a importância de medidas como a limpeza rigorosa de galpões, o uso de telas protetoras contra aves silvestres e a restrição de acesso a trabalhadores externos. A manipulação de aves mortas ou com sintomas como dificuldade respiratória, torcicolo ou secreção ocular deve ser evitada, e qualquer suspeita deve ser comunicada imediatamente às autoridades.
Em Ipumirim, a granja suspeita foi isolada, e os trabalhadores foram orientados a usar equipamentos de proteção individual. A Cidasc também intensificou a fiscalização em estradas e pontos de entrada do estado, verificando a origem de produtos avícolas. Essas ações visam proteger não apenas as aves, mas também a reputação de Santa Catarina como um dos maiores polos avícolas do mundo.
A vigilância sanitária também inclui o monitoramento de aves silvestres, que podem atuar como vetores do vírus. Em parceria com o Instituto do Meio Ambiente (IMA), a Cidasc realiza coletas em áreas de migração para identificar possíveis casos. Essa estratégia é essencial, já que o H5N1 pode ser introduzido por aves que cruzam fronteiras durante suas rotas migratórias.
Cenário nacional da gripe aviária
Além de Santa Catarina, outros estados brasileiros estão sob alerta devido a suspeitas de gripe aviária. No Tocantins, uma granja comercial em Aguiarnópolis também está sendo investigada, enquanto casos em produções familiares foram registrados no Ceará, Sergipe, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Esses casos, embora menos impactantes do que os de granjas comerciais, reforçam a necessidade de um plano nacional de contingência.
Os dois casos confirmados no Rio Grande do Sul mobilizaram o Ministério da Agricultura, que ampliou a coleta de amostras em todo o país. Em Montenegro, a granja afetada passou por um processo de abate sanitário, com todas as aves eliminadas para evitar a disseminação do vírus. Já em Sapucaia do Sul, a morte de cisnes em um zoológico acendeu o alerta para a possibilidade de transmissão por aves ornamentais.
O Ministério da Agricultura destacou que o Brasil mantém o status de país livre de Influenza Aviária perante a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Esse status é crucial para a continuidade das exportações, especialmente para mercados exigentes como a União Europeia e o Japão. A pasta também reforçou que os protocolos de inspeção garantem a segurança dos produtos avícolas disponíveis no mercado.
Impacto na avicultura catarinense
Santa Catarina é responsável por cerca de 25% da produção nacional de carne de frango e lidera as exportações do setor. Com mais de 18 mil granjas registradas, o estado tem na avicultura uma das bases de sua economia. A suspeita de gripe aviária em Ipumirim, embora ainda não confirmada, gerou preocupação entre os produtores, que temem perdas significativas caso o vírus se espalhe.
A granja em Ipumirim, localizada em uma região estratégica para a avicultura, produz aves para abate e comercialização em larga escala. A Cidasc informou que, caso o caso seja confirmado, medidas como o abate sanitário e a desinfecção completa da propriedade serão adotadas. Essas ações, embora necessárias, podem gerar custos elevados e impactar a cadeia de fornecimento local.
Os produtores também enfrentam desafios logísticos devido à proibição de produtos de cidades gaúchas. Muitos dependem de ovos férteis e pintinhos provenientes do Rio Grande do Sul, o que exige a busca por fornecedores alternativos. A Cidasc está orientando as empresas a diversificarem suas fontes de insumos para minimizar o impacto das restrições.
Abaixo, os principais desafios enfrentados pelos produtores:
- Custos de biosseguridade: Investimentos em telas, desinfetantes e equipamentos de proteção.
- Restrições de mercado: Proibição de produtos de 12 cidades gaúchas.
- Risco de abate sanitário: Perdas totais em caso de confirmação do vírus.
- Monitoramento constante: Necessidade de relatórios diários à Cidasc.
Resposta das autoridades sanitárias
A Cidasc mantém equipes em campo para monitorar granjas e orientar produtores. Em Ipumirim, a investigação inclui a análise de possíveis fontes de contaminação, como a presença de aves silvestres ou falhas nos protocolos de biosseguridade. A rapidez na coleta de amostras e no envio ao laboratório reflete a prioridade dada ao caso, que pode influenciar outras regiões do estado.
O governo catarinense também ampliou a comunicação com os produtores, utilizando canais como associações rurais e cooperativas para disseminar informações. Folders e vídeos com orientações sobre a gripe aviária estão sendo distribuídos, com foco na identificação precoce de sintomas e na notificação imediata de casos suspeitos.
A nível nacional, o Ministério da Agricultura coordena esforços para mapear a disseminação do vírus. Além das investigações em curso, a pasta está revisando os planos de contingência para incluir cenários de surtos em granjas comerciais. Essa preparação é essencial para manter a confiança dos mercados internacionais, que acompanham de perto a evolução da situação.
Histórico de surtos no Brasil
Embora a gripe aviária seja uma preocupação global há décadas, o Brasil registrou poucos casos até o momento. O primeiro caso confirmado no país ocorreu em 2023, em aves silvestres no Espírito Santo, seguido por outros em estados como Rio de Janeiro e São Paulo. A chegada do vírus a granjas comerciais, como no caso de Montenegro (RS), marcou uma nova fase de alerta.
Os surtos em produções familiares, como os investigados no Ceará e Sergipe, indicam que o vírus pode estar circulando em diferentes contextos. Essas propriedades, muitas vezes com menos recursos para biosseguridade, representam um desafio adicional para o controle da doença. O Ministério da Agricultura está oferecendo apoio técnico a esses produtores, incluindo treinamentos e insumos para desinfecção.
A experiência de outros países, como os Estados Unidos e a China, que enfrentaram surtos significativos de H5N1, serve como referência para o Brasil. Nessas nações, o abate de milhões de aves e a imposição de quarentenas foram medidas comuns para conter a disseminação. No entanto, o Brasil busca evitar cenários semelhantes por meio de ações preventivas e monitoramento rigoroso.
Medidas preventivas para produtores
A Cidasc publicou uma série de recomendações para os produtores catarinenses, com foco na redução do risco de contaminação. As orientações incluem a instalação de barreiras físicas, como telas e cercas, para impedir o contato com aves silvestres. A limpeza diária de galpões e a desinfecção de veículos que entram nas propriedades também são práticas essenciais.
Os trabalhadores das granjas devem usar roupas e calçados exclusivos para o manejo das aves, evitando a introdução de patógenos externos. A Cidasc também recomenda a instalação de pedilúvios (recipientes com desinfetante) nas entradas dos galpões, uma medida simples, mas eficaz para conter a disseminação de vírus.
Abaixo, algumas práticas recomendadas:
- Controle de acesso: Proibir a entrada de visitantes não essenciais.
- Monitoramento de sintomas: Observar sinais como torcicolo ou mortalidade súbita.
- Notificação imediata: Comunicar a Cidasc em caso de suspeitas.
- Desinfecção regular: Limpar galpões e equipamentos diariamente.
- Isolamento de novas aves: Quarentena para animais recém-adquiridos.
Avicultura e economia local
A avicultura catarinense emprega milhares de pessoas e movimenta bilhões de reais anualmente. Além da produção de carne, o estado é um grande fornecedor de ovos e subprodutos avícolas, como penas e farinhas de origem animal. A suspeita de gripe aviária, mesmo que não confirmada, pode afetar a confiança de compradores internacionais, que exigem altos padrões sanitários.
As exportações catarinenses de carne de frango alcançaram mais de 1,5 milhão de toneladas em 2024, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Países como China, Japão e Arábia Saudita são os principais destinos, e qualquer interrupção no fornecimento pode gerar perdas significativas. A Cidasc e o governo estadual estão trabalhando para tranquilizar os mercados, destacando que as medidas de contenção são robustas.
Os pequenos produtores, que representam uma parcela importante da avicultura catarinense, também estão em alerta. Muitos dependem da venda de aves e ovos para feiras locais, e as restrições impostas pelo governo podem limitar suas operações. A Cidasc está oferecendo apoio técnico a essas propriedades, incluindo visitas de veterinários e distribuição de materiais de biosseguridade.
Papel das aves silvestres na disseminação
A migração de aves silvestres é um dos principais fatores de risco para a introdução do H5N1 em novas regiões. Espécies como gansos, patos e gaivotas podem carregar o vírus sem apresentar sintomas, contaminando granjas e criações familiares. Em Santa Catarina, áreas úmidas como lagoas e rios são pontos de monitoramento constante, já que atraem essas aves durante suas rotas migratórias.
O Instituto do Meio Ambiente (IMA) mantém um programa de vigilância que inclui a coleta de amostras em aves capturadas. Desde o início de 2025, mais de 500 amostras foram analisadas, com resultados negativos até o momento. No entanto, a proximidade com o Rio Grande do Sul, onde casos foram confirmados, exige atenção redobrada.
Os produtores foram orientados a instalar redes de proteção em galpões abertos e a evitar o armazenamento de ração em locais acessíveis a aves silvestres. Essas medidas, embora custosas, são vistas como indispensáveis para proteger a avicultura do estado.















