Gêmea siamesa Kiraz morre após cirurgia de 19 horas em Goiânia

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Gêmea siamesa Kiraz e Aruna

Gêmea siamesa Kiraz e Aruna - Foto: Instagram

A notícia da perda de Kiraz, uma das gêmeas siamesas de apenas 1 ano e 6 meses, abalou milhares de pessoas que acompanhavam a jornada dela e de sua irmã, Aruna, pelas redes sociais. As meninas, naturais de Igaraçu do Tietê, interior de São Paulo, passaram por uma cirurgia de separação extremamente complexa no Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), em Goiânia, no dia 10 de maio. O procedimento, que durou 19 horas e mobilizou mais de 60 profissionais de saúde, foi um marco na medicina brasileira, mas trouxe um desfecho trágico com a morte de Kiraz, confirmada pela família no dia 19 de maio. A história das gêmeas, marcada por esperança e desafios, reflete a complexidade de casos raros como o delas.

As irmãs nasceram unidas pelo tórax, abdômen e bacia, compartilhando órgãos como o fígado e possuindo três pernas, uma condição conhecida como esquiópagas triplas. A cirurgia, liderada pelo renomado cirurgião pediátrico Zacharias Calil, foi planejada por mais de um ano, com etapas preparatórias que incluíram a colocação de expansores de pele para garantir tecido suficiente para a reconstrução dos corpos. Apesar do sucesso inicial na separação, o pós-operatório se revelou um obstáculo crítico, com ambas as meninas enfrentando febre alta e complicações que exigiram internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

  • Detalhes da cirurgia: O procedimento envolveu 16 especialistas, incluindo cirurgiões plásticos, ortopedistas e urologistas.
  • Custo estimado: A operação, custeada pelo SUS, teve um valor superior a R$ 2 milhões.
  • Preparação prévia: As gêmeas passaram por consultas quinzenais e uma cirurgia inicial para expansores de pele.

A família, que compartilhava a rotina das meninas no Instagram (@kirazaruna), recebeu apoio de mais de 40 mil seguidores, muitos dos quais enviaram mensagens de solidariedade após a notícia da morte de Kiraz. Aruna, a irmã sobrevivente, segue em estado grave na UTI, sob ventilação mecânica e sedação contínua, enquanto a equipe médica monitora sua evolução.

Jornada até a cirurgia

A preparação para a separação de Kiraz e Aruna começou muito antes do procedimento em si. Desde os primeiros meses de vida, as gêmeas foram acompanhadas por Zacharias Calil, um cirurgião com mais de 25 anos de experiência em separações de siameses. Ele classificou o caso como um dos mais complexos de sua carreira, devido à anatomia rara das meninas, que compartilhavam múltiplos órgãos e estruturas. O Hecad, referência nacional em cirurgias pediátricas complexas, mobilizou uma equipe multidisciplinar para garantir que todos os aspectos do procedimento fossem minuciosamente planejados.

Seis meses antes da cirurgia, as irmãs passaram por uma intervenção inicial para a colocação de expansores de pele. Esses dispositivos, feitos de silicone, foram inflados gradualmente para estimular o crescimento de tecido, essencial para cobrir as áreas expostas após a separação. Além disso, as meninas foram submetidas a um rigoroso protocolo de monitoramento, com consultas quinzenais em abril e visitas semanais no último mês antes da operação. Esse acompanhamento incluiu atualizações no esquema vacinal e avaliações de crescimento, garantindo que estivessem nas melhores condições possíveis para o procedimento.

O planejamento também envolveu cuidados para evitar infecções, especialmente respiratórias, que poderiam comprometer a cirurgia. As gêmeas foram internadas no Hecad no dia 7 de maio, três dias antes do procedimento, em uma enfermaria isolada. Durante esse período, passaram por exames adicionais e preparo intestinal, considerando que compartilhavam estruturas como fígado, intestino e genitália. A complexidade do caso exigiu uma abordagem integrada, com a participação de mais de 10 especialidades médicas, incluindo cirurgia pediátrica, urologia e ortopedia.

Desafios do pós-operatório

O pós-operatório das gêmeas foi marcado por complicações esperadas, mas extremamente delicadas. Após a separação, concluída às 4h20 do dia 11 de maio, Kiraz e Aruna foram transferidas para a UTI, onde permaneceram entubadas e sob efeito de sedativos. A febre alta, relatada logo após a cirurgia, foi uma das principais preocupações da equipe médica. Zacharias Calil explicou que a divisão de órgãos, como o intestino e o fígado, provoca uma intensa reação inflamatória, o que torna a recuperação mais lenta e complexa.

  • Condições pós-cirurgia: Ambas as meninas estavam em ventilação mecânica e dieta zero.
  • Estado clínico: O último boletim do Hecad, emitido antes da morte de Kiraz, indicava estabilidade, mas gravidade.
  • Monitoramento contínuo: A equipe multiprofissional acompanhava as pacientes 24 horas por dia.
  • Reação inflamatória: A separação de órgãos compartilhados gerou complicações esperadas, mas difíceis de controlar.

Kiraz apresentou sinais de deterioração, levando à abertura do protocolo de morte encefálica no dia 19 de maio. O Hecad informou que o processo, que segue rigorosos critérios da legislação brasileira, poderia levar mais de 24 horas, envolvendo múltiplos exames para confirmar a ausência de funções cerebrais. A família, devastada, anunciou a perda nas redes sociais com a mensagem “Descanse em paz, filha”, acompanhada de uma foto da menina. A notícia gerou uma onda de comoção, com seguidores expressando apoio e tristeza.

Aruna, por sua vez, permanece em estado grave, mas com evolução considerada dentro do esperado para o estágio atual do pós-operatório. Ela está sedada, com ventilação mecânica e uso de drogas vasoativas para manter a estabilidade hemodinâmica. O hospital reforçou que a equipe continua acompanhando a paciente de forma contínua, mas não divulgou atualizações detalhadas sobre seu quadro após a morte de Kiraz.

Histórico das gêmeas

Kiraz e Aruna nasceram em Igaraçu do Tietê, uma cidade pequena no interior de São Paulo. A gravidez de Liliane Cristina Da Silva, mãe das meninas, foi uma surpresa, já que ela não planejava ter filhos na época. Aos cinco meses de gestação, a família descobriu que seriam gêmeas, mas o diagnóstico de que eram siamesas só veio às 36 semanas, próximo ao parto. Liliane, técnica de enfermagem, descreveu o momento como um choque, mas afirmou que o nascimento das meninas ocorreu sem complicações.

Apesar da condição rara, as gêmeas se desenvolveram bem durante o primeiro ano e meio de vida. Liliane cuidava delas sozinha, compartilhando a rotina no Instagram, onde postava vídeos e fotos que mostravam a alegria e a força das meninas. A conta @kirazaruna, com mais de 40 mil seguidores, tornou-se um espaço de conexão com pessoas que acompanhavam a história e ofereciam ajuda, como doações de fraldas e leite. A família também usava a plataforma para esclarecer dúvidas sobre a condição das gêmeas e o processo de separação.

A decisão de realizar a cirurgia em Goiânia veio após a família buscar a expertise de Zacharias Calil, que já realizou 23 procedimentos de separação de siameses, com um índice de sobrevivência de 50%, bem acima da média mundial de 20%. O Hecad, que assumiu integralmente esse tipo de cirurgia nos últimos três anos, ofereceu uma estrutura moderna e uma equipe especializada, custeada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A escolha pelo hospital refletiu a confiança na experiência de Calil e na capacidade do centro médico.

Repercussão nas redes sociais

A morte de Kiraz gerou uma onda de mensagens de apoio nas redes sociais, especialmente no Instagram, onde a família compartilhava atualizações. Seguidores que acompanhavam a trajetória das gêmeas desde o nascimento expressaram tristeza e solidariedade. Muitos destacaram a força de Liliane e Alessandro, que enfrentaram um ano de preparação intensa para a cirurgia. Comentários como “Torci tanto por essas meninas” e “Meu coração está com vocês” refletiram o impacto emocional da notícia.

  • Mensagens de apoio: Centenas de seguidores enviaram palavras de conforto à família.
  • Acompanhamento online: A conta @kirazaruna acumulou mais de 40 mil seguidores.
  • Doações recebidas: A família contou com ajuda de fraldas e leite por meio da plataforma.
  • Comunidade engajada: Muitos seguidores acompanhavam cada atualização sobre as gêmeas.

A família também usou as redes para pedir orações durante o pós-operatório, quando as complicações começaram a surgir. A postagem anunciando a morte de Kiraz, publicada às 8h do dia 19 de maio, foi acompanhada por uma foto da menina, reforçando a conexão emocional com os seguidores. A ausência de um boletim oficial do Hecad na manhã do anúncio gerou expectativa por mais informações sobre o estado de Aruna.

Complexidade do procedimento

A cirurgia de separação de Kiraz e Aruna foi descrita como uma das mais complexas já realizadas no Brasil. As gêmeas, classificadas como esquiópagas triplas, compartilhavam o osso ísquio, três pernas e múltiplos órgãos, incluindo fígado, intestino, genitália e ânus. O procedimento exigiu a participação de 16 especialistas, além de uma equipe de apoio formada por mais de 60 profissionais, incluindo anestesistas, enfermeiros e técnicos. O custo, estimado em mais de R$ 2 milhões, foi integralmente coberto pelo SUS.

Zacharias Calil destacou a dificuldade de separar o fígado, que se revelou mais espesso do que o esperado, e a retirada da terceira perna, que levou cerca de três horas. A pele da perna foi utilizada para a reconstrução dos corpos, juntamente com telas sintéticas para cobrir áreas sem peritônio, uma membrana natural que protege os órgãos. A tecnologia utilizada, como o bisturi de argônio, permitiu cortes precisos e coagulação eficiente, mas não eliminou os riscos inerentes ao procedimento.

O planejamento de mais de um ano incluiu simulações e análises detalhadas da anatomia das gêmeas. A equipe médica considerou cada etapa, desde a divisão dos órgãos até a reconstrução das áreas expostas. Apesar do sucesso na separação, Calil alertou que o pós-operatório seria decisivo, com um prazo de cinco dias para avaliar o funcionamento dos intestinos e a resposta dos organismos à cirurgia. A inflamação intensa, prevista pelo médico, foi um dos fatores que complicaram a recuperação.

Papel do Hecad

O Hospital Estadual da Criança e do Adolescente, em Goiânia, consolidou-se como referência nacional em cirurgias pediátricas complexas, especialmente em separações de siameses. Desde sua fundação, o Hecad realizou 22 procedimentos desse tipo, com destaque para a expertise de Zacharias Calil. A unidade, gerida pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), oferece infraestrutura moderna e uma equipe multiprofissional preparada para casos de alta complexidade.

  • Histórico do hospital: O Hecad assumiu integralmente as cirurgias de siameses há três anos.
  • Procedimentos realizados: A rede pública estadual contabiliza 22 separações bem-sucedidas.
  • Estrutura disponível: A unidade conta com tecnologia de ponta, como bisturis de argônio.
  • Custeio pelo SUS: O tratamento das gêmeas foi oferecido gratuitamente.

A segunda cirurgia de separação no Hecad, realizada em janeiro de 2023, envolveu as gêmeas Heloá e Valentina, de Morrinhos, Goiás, e foi concluída com sucesso. O caso de Kiraz e Aruna, no entanto, apresentou desafios adicionais devido à complexidade anatômica. A diretora técnica do hospital, Flávia Godoy, destacou a participação de dezenas de profissionais, com um tempo cirúrgico imprevisível que exigiu coordenação precisa.

Preparativos antes da internação

A jornada das gêmeas até a cirurgia envolveu uma série de cuidados minuciosos. Após o diagnóstico de que eram siamesas, a família começou a planejar o futuro das meninas com o apoio de Zacharias Calil. As consultas regulares no Hecad permitiram monitorar o crescimento, o ganho de peso e a saúde geral das gêmeas. A vacinação foi atualizada para garantir imunidade, considerando o risco de infecções durante a cirurgia.

A internação no dia 7 de maio marcou o início da fase final de preparação. As meninas foram isoladas para evitar contato com vírus respiratórios, e um protocolo de preparo intestinal foi implementado. Exames complementares avaliaram possíveis infecções ou condições que poderiam comprometer o procedimento. A equipe médica, liderada por Calil, revisou cada detalhe do plano cirúrgico, que incluía a divisão dos órgãos compartilhados e a reconstrução das estruturas anatômicas.

Liliane e Alessandro, os pais das gêmeas, expressaram confiança na equipe médica antes da cirurgia. Em entrevista à revista CRESCER, Alessandro destacou a fé como um pilar durante o processo, afirmando que colocava “Deus na frente” para guiar os médicos. A família também agradeceu o apoio recebido nas redes sociais, que incluía doações e mensagens de incentivo.

Reação da família

A família de Kiraz e Aruna enfrentou momentos de grande emoção ao longo do processo. A notícia de que as meninas eram siamesas, recebida na reta final da gravidez, foi um choque inicial, mas Liliane e Alessandro se adaptaram rapidamente à nova realidade. Liliane, que cuidava das gêmeas sozinha, tornou-se uma figura central na rotina das meninas, compartilhando cada conquista nas redes sociais. A conta @kirazaruna mostrava vídeos das gêmeas brincando e interagindo, o que cativou milhares de seguidores.

Após a cirurgia, a família pediu uma corrente de orações, especialmente quando as complicações surgiram. A postagem anunciando a morte de Kiraz foi um momento de luto público, com a legenda “Descanse em paz, filha” refletindo a dor dos pais. Horas antes, eles haviam compartilhado uma mensagem emocionada, afirmando que fizeram tudo o que podiam pelas filhas. A ausência de informações detalhadas sobre Aruna aumentou a ansiedade dos seguidores, que continuam acompanhando as atualizações.

  • Rotina compartilhada: Liliane postava vídeos diários das gêmeas no Instagram.
  • Apoio financeiro: Doações ajudaram com fraldas, leite e outros itens essenciais.
  • Conexão com seguidores: A família respondia perguntas sobre a condição das meninas.
  • Mensagem de fé: Alessandro destacou a confiança em Deus antes da cirurgia.

Avanços médicos no Brasil

A cirurgia de Kiraz e Aruna reforça o papel do Brasil como referência em procedimentos de separação de siameses. Zacharias Calil, que liderou a operação, é reconhecido nacionalmente por sua experiência, tendo realizado 23 cirurgias do tipo. O índice de sobrevivência em Goiás, de 50%, é significativamente maior do que a média mundial, que fica em torno de 20%. Esse sucesso é atribuído à combinação de tecnologia avançada, planejamento rigoroso e equipes altamente qualificadas.

O Hecad, como principal centro para esse tipo de procedimento no estado, investiu em equipamentos como o bisturi de argônio e sistemas de filtragem de sangue, que aumentam a precisão e a segurança das cirurgias. A colaboração entre diferentes especialidades médicas, como cirurgia plástica e urologia, foi essencial para enfrentar os desafios do caso. Apesar da perda de Kiraz, o procedimento foi considerado um marco técnico, com a separação concluída com sucesso.

A história das gêmeas também destaca a importância do SUS, que custeou um procedimento de mais de R$ 2 milhões sem ônus para a família. A acessibilidade a tratamentos de alta complexidade, mesmo em casos raros, é um diferencial do sistema público brasileiro, especialmente em centros de referência como o Hecad.

Estado atual de Aruna

Aruna, a gêmea sobrevivente, segue internada na UTI do Hecad, em estado grave, mas com evolução dentro do esperado para o pós-operatório. Ela permanece sedada, com ventilação mecânica e sem alimentação oral, enquanto a equipe médica monitora sua resposta às complicações inflamatórias. O uso de drogas vasoativas garante a estabilidade de sua circulação, e a diurese espontânea é um sinal positivo, embora o quadro continue delicado.

O hospital não divulgou um boletim atualizado após a morte de Kiraz, o que mantém a família e os seguidores em expectativa. A complexidade do caso, com órgãos compartilhados e uma cirurgia que provocou grande impacto nos organismos das meninas, torna a recuperação de Aruna um processo lento e incerto. A equipe multiprofissional, composta por médicos, enfermeiros e outros especialistas, segue acompanhando a paciente de perto.

A família, que já enfrenta o luto pela perda de Kiraz, mantém a esperança na recuperação de Aruna. As mensagens de apoio nas redes sociais continuam chegando, com seguidores pedindo forças para Liliane e Alessandro. A história das gêmeas, marcada por momentos de luta e solidariedade, permanece viva no coração de milhares de pessoas que acompanharam sua trajetória.

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