BMW de R$ 1 milhão de MC Poze do Rodo apreendida por irregularidade na cor no Rio

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MC poze Foto: MC poze - Foto: instagram

a manhã desta quinta-feira, 29 de maio de 2025, um carro de luxo avaliado em mais de R$ 1 milhão pertencente ao cantor Marlon Brandon Coelho Couto, conhecido como MC Poze do Rodo, foi apreendido pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e levado à Cidade da Polícia, no Jacarezinho, Zona Norte da cidade. A ação ocorreu durante uma operação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que resultou na prisão temporária do funkeiro por suspeita de apologia ao crime e envolvimento com o tráfico de drogas. O veículo, uma BMW X6, foi retido devido a uma infração administrativa: o documento registrava a cor preta, mas o carro circulava pintado de vermelho. A irregularidade motivou a apreensão, que reforça investigações sobre a conduta do artista. A operação ocorreu no condomínio de luxo onde Poze reside, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio, e o caso ganhou repercussão imediata.

O veículo já havia sido alvo de outra apreensão em novembro de 2024, durante a Operação Rifa Limpa, que investigava sorteios ilegais promovidos pela esposa do cantor, Viviane Noronha. Na ocasião, a BMW X6 e outros bens foram confiscados, mas devolvidos em abril de 2025 após decisão judicial. A nova retenção do carro reacende debates sobre a procedência dos bens do funkeiro.

A operação desta quinta-feira também apreendeu outros itens na residência de Poze, incluindo joias e dispositivos eletrônicos, enquanto agentes analisam a possível conexão do cantor com o Comando Vermelho, facção criminosa citada nas investigações. A prisão e a apreensão do veículo ocorrem em um momento de intensas apurações sobre a conduta de artistas em comunidades cariocas.

Detalhes da infração administrativa

A apreensão da BMW X6 de MC Poze do Rodo foi motivada por uma discrepância no Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam). O documento oficial indicava que o veículo deveria ser preto, mas ele foi encontrado pintado de vermelho, cor que, segundo a Polícia Civil, pode estar associada simbolicamente ao Comando Vermelho. Essa alteração de cor, não comunicada ao Departamento de Trânsito (Detran-RJ), configura uma infração administrativa prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

De acordo com o artigo 230 do CTB, conduzir um veículo com características alteradas sem autorização pode resultar em multa e retenção do automóvel até a regularização. No caso de Poze, o carro foi levado para a Cidade da Polícia, onde passa por perícia para verificar se será liberado ou mantido apreendido. A irregularidade foi descoberta durante a operação que culminou na prisão do cantor, o que ampliou a atenção sobre o caso.

A cor vermelha do veículo também levantou suspeitas adicionais, já que investigações apontam que Poze realiza shows em áreas dominadas pelo Comando Vermelho, onde traficantes armados garantem a segurança dos eventos. A polícia analisa se a pintura do carro foi uma escolha estética ou um indicativo de maior proximidade com a facção.

  • Base legal: O artigo 230, inciso VII, do CTB prevê multa de R$ 195,23 e cinco pontos na carteira para alterações não autorizadas.
  • Procedimento: O veículo deve ser regularizado no Detran-RJ, com atualização do Renavam, para ser liberado.
  • Histórico: Este não é o primeiro caso de apreensão do carro, que já esteve retido por cinco meses em 2024.

Contexto da prisão de Poze

A operação que resultou na apreensão do carro foi desencadeada por investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, que apura a relação de MC Poze do Rodo com atividades criminosas. O cantor foi detido em sua residência, no Recreio dos Bandeirantes, por volta das 5h da manhã. Ele foi levado à Cidade da Polícia sem prestar declarações à imprensa, apenas reclamando do uso de algemas.

A Polícia Civil aponta que Poze realiza apresentações exclusivamente em comunidades controladas pelo Comando Vermelho, como a Cidade de Deus, onde vídeos recentes mostraram traficantes armados com fuzis durante seus shows. Um evento ocorrido em 17 de maio de 2025, na Arena Lazer do 15, na Cidade de Deus, ganhou destaque após a circulação de imagens de criminosos exibindo armas de grosso calibre. Dois dias depois, um policial da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) foi morto em operação na mesma comunidade, o que intensificou as investigações.

O advogado de Poze, Fernando Henrique Cardoso Neves, informou que a prisão é temporária e que um pedido de habeas corpus será apresentado. Ele classificou as acusações como uma “narrativa antiga” e afirmou que o cantor não tem envolvimento direto com o tráfico.

Histórico de apreensões de bens

A BMW X6 de Poze já esteve no centro de outra investigação. Em 1º de novembro de 2024, a Polícia Civil realizou a Operação Rifa Limpa, que teve como alvo a esposa do cantor, Viviane Noronha, suspeita de promover sorteios ilegais nas redes sociais. Na ocasião, quatro carros, incluindo a BMW X6, foram apreendidos, junto com joias avaliadas em R$ 1,9 milhão. Os bens ficaram confiscados no pátio da Cidade da Polícia até 17 de abril de 2025, quando a Justiça determinou sua devolução por falta de comprovação de relação com os crimes investigados.

A operação de 2024 revelou que Viviane Noronha movimentou cerca de R$ 10 milhões entre maio de 2022 e maio de 2023 com rifas fraudulentas. Poze também foi investigado por supostamente divulgar os sorteios, incluindo um que oferecia um Tesla Cybertruck de R$ 2 milhões. A nova apreensão da BMW X6, menos de dois meses após sua devolução, reforça o escrutínio sobre a origem do patrimônio do casal.

  • Veículos apreendidos em 2024: BMW X6, Land Rover Defender, Honda e uma motocicleta.
  • Joias confiscadas: 21 itens, incluindo cordões de ouro e diamantes, com destaque para um cordão de 1,7 kg avaliado em R$ 650 mil.
  • Decisão judicial: A 1ª Vara Criminal Especializada determinou a devolução dos bens em abril de 2025.

Operação rifa limpa e investigações financeiras

A Operação Rifa Limpa, deflagrada em novembro de 2024, expôs um esquema de sorteios ilegais que utilizava redes sociais para atrair participantes. Viviane Noronha, com 1,6 milhão de seguidores no Instagram, promovia rifas com bilhetes a R$ 0,99, prometendo prêmios em dinheiro e carros de luxo. A polícia constatou que o esquema simulava os parâmetros da Loteria Federal, mas usava um aplicativo customizável com indícios de manipulação, o que tornava os sorteios fraudulentos.

Além de Viviane, outros influenciadores, como Roger Rodrigues Santos (Roginho dú Ouro) e Jonathan Luis Chaves Costa (Jon Jon), foram alvos da operação. A investigação apontou que os carros sorteados permaneciam registrados em nome de agências bancárias, indicando que os vencedores não recebiam os prêmios. A movimentação financeira do esquema chamou a atenção das autoridades, que agora analisam a origem dos recursos usados por Poze para adquirir bens como a BMW X6.

A operação também resultou na apreensão de 11 celulares, quatro tablets, dois radiotransmissores e 16 joias na residência do casal. Esses itens estão sob análise para verificar possíveis conexões com atividades ilícitas.

Repercussão nas redes sociais

A prisão de Poze e a apreensão de seu carro geraram intensa movimentação nas redes sociais. Posts no X, a partir das 6h da manhã de 29 de maio, destacaram a operação da Polícia Civil, com imagens do veículo sendo levado à Cidade da Polícia. Usuários compartilharam fotos da BMW X6 vermelha, reforçando a associação da cor com o Comando Vermelho, embora sem confirmação oficial de que a pintura tenha motivação criminosa.

Fãs do cantor expressaram apoio, alegando que ele é alvo de perseguição por sua origem na favela do Rodo, em Santa Cruz. Outros criticaram a ostentação de bens como o carro de R$ 1 milhão, questionando a procedência de sua fortuna. Poze, que tem 15 milhões de seguidores no Instagram, não se pronunciou publicamente após a prisão, mas seu advogado afirmou que o caso será resolvido nos tribunais.

  • Postagens no X: Mais de 500 menções ao caso até o meio-dia de 29 de maio, com hashtags como #MCPoze e #PolíciaCivilRJ.
  • Reações divididas: Alguns internautas defendem Poze, enquanto outros apontam contradições em sua trajetória.
  • Engajamento: Vídeos da operação alcançaram 200 mil visualizações em menos de seis horas.

Carreira e polêmicas de Poze

Marlon Brandon Coelho Couto, de 26 anos, nasceu na comunidade do Rodo, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio. Ele começou a cantar funk aos 15 anos, influenciado por artistas como MC Kevinho e Anitta. Em 2019, o hit “Tô Voando Alto” o projetou nacionalmente, rendendo o prêmio de Hit do Ano no Prêmio Multishow. Com quase 6 milhões de ouvintes mensais no Spotify, Poze é conhecido por letras que abordam a vida nas favelas, o crime e a violência, o que já gerou controvérsias.

Em setembro de 2019, ele foi preso em Sorriso, Mato Grosso, por apologia ao crime, corrupção de menores e tráfico de drogas. Em 2020, um vídeo de policiais militares debochando do cantor durante uma abordagem viralizou. Apesar das polêmicas, Poze consolidou sua carreira com parcerias com artistas como MC Hariel, Xamã e Ferrugem, além de lançar o EP “O Sábio” em 2022.

A compra da BMW X6, em setembro de 2023, também gerou repercussão. Poze apareceu descalço e sem camisa em uma concessionária na Barra da Tijuca, escolhendo o veículo de R$ 1,1 milhão. Na ocasião, ele afirmou ser “fanático por ouro” e não por carros, destacando sua coleção de joias.

Operações policiais em comunidades

A prisão de Poze ocorre em um contexto de intensificação das operações policiais em comunidades cariocas. A Cidade de Deus, onde o cantor se apresentou em 17 de maio, é um dos alvos frequentes da Polícia Civil e da Coordenadoria de Recursos Especiais. Em 19 de maio, o policial José Antônio Lourenço, de 41 anos, foi baleado na cabeça durante uma ação na comunidade e não resistiu. A morte do agente aumentou a pressão por investigações sobre eventos como o baile funk de Poze, onde traficantes exibiram armas.

A Delegacia de Repressão a Entorpecentes também apura o financiamento de shows em áreas dominadas por facções. Segundo a polícia, esses eventos geram lucros com a venda de drogas, que são reinvestidos na compra de armas e entorpecentes. A presença de criminosos armados nos shows de Poze, como registrado em vídeos de 2020 no Jacaré e em 2025 na Cidade de Deus, é um dos focos da investigação.

Procedimentos após a apreensão

Após a retenção da BMW X6, o veículo foi levado ao pátio da Cidade da Polícia para perícia. Técnicos do Detran-RJ verificarão se a alteração de cor foi realizada dentro das normas legais, que exigem comunicação prévia e vistoria. Caso a irregularidade seja confirmada, Poze poderá pagar multa e regularizar o carro, ou o automóvel permanecerá apreendido.

A Polícia Civil também analisa outros bens apreendidos na residência do cantor, como joias e dispositivos eletrônicos. A operação busca evidências de lavagem de dinheiro ou associação com o tráfico, mas nenhum detalhe adicional sobre os itens foi divulgado até o momento. O cantor segue detido no presídio de Benfica, na Zona Norte, aguardando decisão judicial.

  • Próximos passos: Atualização do Renavam, pagamento de multa e possível liberação do veículo.
  • Perícia: Exame técnico no carro para confirmar a legalidade da pintura.
  • Investigação: Análise de joias e eletrônicos para verificar origem dos bens.

Outros casos de apreensões de veículos

A apreensão de carros de luxo por irregularidades não é incomum no Rio de Janeiro. Em março de 2024, a Delegacia de Roubo e Furtos de Automóveis (DRFA) desmantelou uma quadrilha que vendia veículos roubados e clonados, lucrando R$ 1 milhão. Um dos carros, avaliado em R$ 300 mil, foi levado à Cidade da Polícia para perícia. Em maio de 2020, a Operação Party is Over apreendeu 22 carros de luxo usados em rachas, incluindo um Porsche 911 GT3 RS de R$ 2 milhões.

Esses casos destacam a atenção das autoridades para o mercado de veículos de alto padrão, que frequentemente envolve suspeitas de lavagem de dinheiro ou associação com o crime organizado. A BMW X6 de Poze, por seu valor e histórico, está sob escrutínio semelhante.

Perfil público de Poze

MC Poze do Rodo é uma figura polarizante no cenário do funk carioca. Com 15 milhões de seguidores no Instagram, ele ostenta um estilo de vida luxuoso, com cordões de ouro, carros de alto padrão e uma mansão no Recreio. Sua trajetória, da favela do Rodo ao sucesso nacional, é celebrada por fãs, mas criticada por autoridades que veem em suas letras e shows uma exaltação ao crime.

O cantor é pai de cinco filhos, três com Viviane Noronha, com quem se casou em outubro de 2024. A cerimônia luxuosa, realizada dias antes da Operação Rifa Limpa, foi amplamente divulgada nas redes sociais. Poze também mantém uma agenda de shows lotada, com apresentações no Rock in Rio 2024 e em comunidades cariocas.

Intensificação das investigações

A prisão de Poze e a apreensão de seu carro ocorrem em um momento de reforço nas ações contra o crime organizado no Rio. A Polícia Civil tem priorizado operações em comunidades dominadas por facções, com foco em eventos que possam servir como fachada para atividades ilícitas. A DRE, responsável pela operação de 29 de maio, também investiga outros artistas e influenciadores que atuam em áreas de risco.

A presença de traficantes armados em shows de funk é um problema recorrente. Em 2020, um baile no Jacaré com Poze teve registros semelhantes aos de 2025 na Cidade de Deus. As autoridades buscam identificar os responsáveis pelo financiamento desses eventos e os criminosos que aparecem nas imagens.

  • Eventos monitorados: Bailes funk em comunidades como Cidade de Deus, Jacaré e Complexo do Alemão.
  • Foco da DRE: Conexão entre shows, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
  • Ações futuras: Possível segunda fase da Operação Rifa Limpa e novas operações em comunidades.

Dados do mercado de carros de luxo

O mercado de carros de luxo no Brasil movimenta bilhões de reais anualmente, com marcas como BMW, Mercedes-Benz e Porsche liderando as vendas. A BMW X6, modelo adquirido por Poze, é um dos SUVs mais cobiçados, com preço inicial de R$ 821 mil na versão básica e até R$ 1,2 milhão na configuração M TwinPower Turbo. Em 2023, o Brasil registrou a venda de 12.500 veículos de luxo, um aumento de 8% em relação a 2022.

A personalização de carros, como a pintura vermelha da BMW de Poze, é comum entre celebridades, mas exige regularização no Detran. A falta de comunicação de alterações pode levar à apreensão, como ocorreu no caso do funkeiro. O processo de regularização envolve vistoria, pagamento de taxas e atualização do Renavam, que pode custar até R$ 500, além da multa.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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