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Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, conhecido como MC Poze do Rodo, foi preso na quinta-feira, 29 de maio de 2025, em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A ação, conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil, resultou na custódia do funkeiro de 26 anos, investigado por associação com o tráfico, apologia ao crime, tortura e cárcere privado. Levado à Cidade da Polícia, no Jacarezinho, ele passou por audiência de custódia, que determinou prisão temporária de 30 dias. Poze foi encaminhado ao presídio Bangu 3, no Complexo de Gericinó, onde estão detentos ligados ao Comando Vermelho (CV), após declarar afinidade com a facção durante triagem penitenciária. A operação expõe a relação entre artistas e o crime organizado, segundo autoridades. O caso levanta debates sobre a influência da chamada “narcocultura” no cenário cultural carioca.

A prisão ocorreu em uma residência de alto padrão, surpreendendo moradores do condomínio. Poze chegou à delegacia algemado, sem camisa e descalço, acompanhado por dois agentes. O procedimento seguiu protocolos padrões, com transferência imediata para o sistema prisional.

  • Investigações apontam envolvimento do funkeiro com atividades criminosas além da música.
  • A operação da DRE contou com mandados de busca e apreensão no Recreio.
  • A triagem penitenciária revelou a autodeclaração de Poze sobre o Comando Vermelho.

O caso ganhou destaque nas redes sociais, com vídeos da prisão circulando amplamente.

Detalhes da prisão no Recreio

A operação que culminou na prisão de MC Poze foi planejada com base em meses de investigações da DRE. Agentes monitoraram movimentações do funkeiro, que já era alvo de denúncias por letras de músicas e postagens que, segundo a polícia, promoviam o crime organizado. No dia da ação, policiais cercaram o condomínio de luxo no Recreio, onde Poze residia. A abordagem ocorreu nas primeiras horas da manhã, com o cumprimento de mandados judiciais.

Vizinhos relataram surpresa com a presença policial, descrevendo o local como tranquilo e residencial. Um morador, que preferiu não se identificar, informou que Poze era discreto, mas sua rotina chamava atenção por carros de luxo e seguranças. Após a prisão, o funkeiro foi levado diretamente à Cidade da Polícia, onde prestou depoimento inicial.

A audiência de custódia, realizada no mesmo dia, analisou o pedido de prisão temporária. O juiz responsável considerou os indícios de envolvimento com o tráfico e a gravidade das acusações, mantendo Poze detido por 30 dias para continuidade das investigações.

Declaração de ideologia no sistema prisional

Ao ingressar no sistema penitenciário, Poze passou por uma triagem conduzida pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). Durante o procedimento, preencheu um formulário de identificação, no qual declarou sua “ideologia” como sendo o Comando Vermelho. Esse documento, padrão para todos os detentos no Rio, serve para determinar a unidade prisional adequada, evitando conflitos entre facções rivais.

O formulário inclui opções como:

  • Neutro (sem facção);
  • Comando Vermelho (CV);
  • Terceiro Comando Puro (TCP);
  • Amigos dos Amigos (ADA);
  • Milícia.

Poze marcou a opção CV, o que resultou em sua transferência para Bangu 3, unidade destinada a membros dessa facção. A Seap informou que o funkeiro não apresentou objeções à convivência com outros detentos do grupo.

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Uma publicação compartilhada por Poze Do Rodo 🐊 (@pozevidalouca)

Narcocultura e o papel de artistas

Autoridades apontam que a prisão de Poze reflete um fenômeno crescente no Rio de Janeiro: a “narcocultura”. Segundo a polícia, o Comando Vermelho utiliza artistas e influenciadores para promover sua imagem e financiar atividades criminosas. Letras de funk, clipes e postagens em redes sociais são vistos como ferramentas de propaganda, atraindo jovens para o crime organizado.

Investigações revelaram que Poze mantinha relações com lideranças do CV, participando de eventos e divulgando conteúdos que glorificavam o tráfico. A DRE identificou, ainda, suspeitas de que o funkeiro estaria envolvido em casos de tortura e cárcere privado, embora detalhes dessas acusações não tenham sido divulgados.

O caso não é isolado. Outros artistas já foram investigados por vínculos com facções, o que intensifica o debate sobre a responsabilidade cultural de músicos no contexto do crime organizado.

Funcionamento do formulário penitenciário

O formulário preenchido por Poze é um instrumento essencial no sistema prisional fluminense. Além da “ideologia declarada”, ele coleta dados como:

  • Necessidades especiais;
  • Nível de escolaridade;
  • Condição de saúde;
  • Tipo de prisão (preventiva, temporária, flagrante).

No caso de Poze, o documento registrou a prisão temporária de 30 dias, com possibilidade de prorrogação, dependendo do andamento das investigações. A Seap utiliza essas informações para organizar a logística prisional, garantindo a segurança dos detentos e evitando confrontos.

Repercussão nas redes sociais

A prisão de Poze gerou intensa movimentação nas plataformas digitais. Vídeos da operação, captados por curiosos no Recreio, viralizaram no X, com milhares de compartilhamentos. Fãs do funkeiro dividiram opiniões: alguns defenderam sua trajetória artística, enquanto outros criticaram sua suposta ligação com o crime.

Postagens no X destacaram trechos do prontuário divulgado pela TV Globo, com debates sobre a transparência do sistema prisional. Um usuário escreveu que a declaração de Poze sobre o CV reforça a influência das facções na cultura popular. Outro post questionou a legalidade da prisão, alegando falta de provas públicas.

Histórico de investigações contra Poze

MC Poze já era monitorado pelas autoridades há anos. Suas letras, que frequentemente mencionam armas, tráfico e poder, atraíram a atenção da polícia desde o início da carreira. Em 2023, ele foi alvo de uma operação semelhante, mas não chegou a ser preso. Na ocasião, a DRE apreendeu materiais em sua residência, incluindo celulares e documentos.

A atual prisão, porém, é considerada um marco nas investigações. A polícia acredita que Poze desempenhava um papel estratégico na promoção do Comando Vermelho, indo além da produção musical. A DRE trabalha para mapear a rede de contatos do funkeiro, com foco em lideranças criminosas da Zona Oeste.

Outras acusações em andamento

Além de associação com o tráfico e apologia ao crime, Poze enfrenta investigações por tortura e cárcere privado. Esses crimes, segundo a polícia, estariam ligados a disputas internas no tráfico do Recreio e adjacências. A DRE não forneceu detalhes sobre as vítimas ou circunstâncias, mas informou que as acusações se baseiam em depoimentos e interceptações telefônicas.

A gravidade dessas denúncias reforça a decisão judicial de manter a prisão temporária. O prazo de 30 dias será usado para coletar novas provas e esclarecer o envolvimento de Poze em atividades criminosas.

Operações contra o crime organizado

A prisão de Poze integra uma série de ações da Polícia Civil contra o Comando Vermelho. Nos últimos meses, a DRE realizou operações em comunidades da Zona Oeste, como Cidade de Deus e Gardênia Azul, resultando na prisão de traficantes e apreensão de armas. A estratégia inclui o combate à “narcocultura” como forma de enfraquecer a influência das facções.

Em abril de 2025, uma operação conjunta entre as polícias Civil e Penal desmantelou a organização “Povo de Israel”, que atuava dentro de presídios. Essas ações demonstram o esforço das autoridades em desarticular redes criminosas, tanto nas ruas quanto no sistema prisional.

Debate público sobre a narcocultura

A prisão de Poze reacendeu discussões sobre o papel do funk na sociedade carioca. Enquanto alguns veem o gênero como expressão cultural das periferias, outros criticam sua associação com o crime. Pesquisadores apontam que a “narcocultura” explora a vulnerabilidade de jovens, oferecendo visibilidade e dinheiro em troca de lealdade às facções.

Eventos culturais patrocinados por traficantes, como bailes funk, são monitorados pela polícia. A DRE já identificou casos em que artistas recebiam pagamento para mencionar nomes de criminosos em suas músicas. Essas práticas, segundo as autoridades, fortalecem a imagem do tráfico perante as comunidades.

Dados do sistema prisional

O Complexo de Gericinó, onde Poze está detido, abriga cerca de 15 mil presos, distribuídos em diversas unidades. Bangu 3, especificamente, é conhecida por custodiar membros do Comando Vermelho, com medidas de segurança reforçadas. A Seap informou que a unidade opera dentro da capacidade, mas enfrenta desafios como superlotação em outras alas do complexo.

A triagem penitenciária, que inclui o formulário de ideologia, é aplicada a todos os detentos desde 2018. O sistema visa reduzir conflitos, mas críticos apontam que a separação por facções pode reforçar a influência de grupos criminosos nos presídios.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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