Celular sob custódia da PF teve arquivos violados, aponta defesa de VorcaroPor Beatriz
3 min de leitura
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O celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, registrou a modificação de 657 arquivos e a criação de outros 436 enquanto estava apreendido sob custódia da Polícia Federal. A constatação integra uma petição protocolada pela defesa do empresário no Supremo Tribunal Federal em 29 de outubro de 2026, com base em análise técnica preliminar elaborada pelo perito Marcos Monteiro.
O documento técnico sustenta que as movimentações ocorreram em 18 de novembro de 2025, período em que o aparelho já havia sido retido durante a Operação Compliance Zero. Entre os itens alterados no sistema estão 59 bancos de dados, além da inclusão de 94 imagens e cinco novas estruturas de banco de dados.
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A auditoria forense identificou ainda que, entre 23h22 de 17 de novembro e 2h25 de 18 de novembro de 2025, o smartphone em modo avião contabilizou 207 eventos de tela. O sistema registrou também 33 acionamentos da câmera frontal por reconhecimento facial e três conexões ativas na porta USB.
Segundo o relatório entregue aos ministros, o banco de dados do aplicativo WhatsApp sofreu modificação exatamente à 1h48min14s, seis segundos após um dos cabos ser conectado. Registros de senhas foram criados e editados entre 2h03 e 2h25, sem nenhuma menção correspondente no auto oficial de apreensão.
O que a perícia técnica identificou no aparelho apreendido?
O laudo preliminar revelou que, embora a Polícia Federal tenha datado a extração oficial em 19 de novembro de 2025, cerca de 340 arquivos carregam marcas temporais de edição em 13 e 14 de maio de 2026. A defesa sustenta que o material apresentado como espelho do telefone exibe dados modificados quase seis meses após o procedimento formal.
Os advogados apontam que o auto de apreensão assinado na madrugada omitiu número de série, modelo, código IMEI, estado de conservação e identificação de lacres. Na requisição pericial, o espaço reservado para o lacre permaneceu em branco, com numerações inseridas apenas à mão sobre uma cópia reprográfica.
A petição relata ainda que a mesma fotografia foi anexada para ilustrar dois telefones celulares diferentes no processo. Os lacres inaugurais foram rompidos sem registro fotográfico ou documentação do momento da abertura, e o laudo oficial não discriminou a versão do software nem o método empregado para vencer a senha.
O assistente técnico demonstrou que o formato derivado repassado aos defensores, do tipo UFDR, aceita edições manuais sem acusar quebra de integridade. A Polícia Federal utilizou o extrator forense GrayKey, mas não entregou os arquivos brutos nem os códigos de validação criptográfica conhecidos como hash.
Ficha técnica das inconsistências apontadas no STF
- Aparelho periciado: celular apreendido de Daniel Vorcaro na Operação Compliance Zero
- Registros em 18 de novembro de 2025: 657 arquivos modificados e 436 criados após a apreensão
- Atividade na madrugada: 207 eventos de tela, 33 acionamentos de câmera e 3 conexões USB
- Falhas materiais: ausência de IMEI, lacres originais rompidos sem foto e 340 arquivos alterados em maio de 2026
Diante do quadro apresentado, os defensores solicitaram ao Supremo Tribunal Federal a preservação imediata dos dados brutos gerados pela ferramenta GrayKey e a entrega integral da cadeia de custódia da prova digital.














