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Enchentes no Texas matam 70, incluindo 21 crianças, e buscas por desaparecidos continuam

Enchente no Texas deixa mortos e desaparecidos
Foto: Enchente no Texas deixa mortos e desaparecidos - Reprodução/ TV Globo
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As enchentes que assolaram o Texas entre 4 e 5 de julho de 2025 deixaram um rastro de destruição na região central do estado, com 70 mortes confirmadas, incluindo 21 crianças, e ao menos 25 pessoas desaparecidas, entre elas 11 meninas de um acampamento de verão. A tragédia, desencadeada pelo transbordamento do Rio Guadalupe após chuvas torrenciais, atingiu principalmente o condado de Kerr, mas também afetou áreas como Travis, Burnet, Kendall e Tom Green. Equipes de resgate, incluindo a Guarda Costeira dos EUA, já salvaram mais de 850 pessoas, enquanto o governador Greg Abbott prometeu não descansar até encontrar todas as desaparecidas. Novas chuvas previstas até 7 de julho agravam a situação, e o presidente Donald Trump declarou estado de desastre para liberar recursos federais. A catástrofe, uma das piores da história recente do Texas, expõe a vulnerabilidade da região a eventos climáticos extremos.

A força das águas, que subiram 9 metros em poucas horas, pegou moradores e turistas desprevenidos, especialmente no Texas Hill Country, uma área turística conhecida por sua beleza cênica. O acampamento cristão Camp Mystic, às margens do Rio Guadalupe, foi devastado, com cabanas destruídas e crianças correndo em pânico. A mobilização de mais de 1.700 resgatistas, com helicópteros e barcos, reflete a gravidade da situação.

Texas enchentes buscas
Texas enchentes buscas – Foto: Governo do Texas
  • Vítimas confirmadas: 70, sendo 59 no condado de Kerr.
  • Desaparecidos: 25, incluindo 11 meninas e uma monitora do Camp Mystic.
  • Áreas afetadas: Condados centrais, com Kerr como epicentro.
  • Resgates: Mais de 850 pessoas salvas até 6 de julho.

A tragédia, ocorrida durante o feriado de Independência dos EUA, chocou o país e reacendeu debates sobre a preparação para desastres naturais em áreas propensas a inundações.

Acampamento devastado no coração da tragédia

O Camp Mystic, fundado em 1926 em Hunt, foi um dos locais mais atingidos. Cerca de 750 crianças participavam de atividades de verão quando a enchente chegou, por volta da 1h30 de sexta-feira. As cabanas próximas ao rio, onde dormiam as meninas mais novas, foram as primeiras a serem engolidas pelas águas. Elinor Lester, de 13 anos, relatou o pânico: trovões, água batendo nas paredes e crianças correndo descalças no escuro.

A adolescente, que estava em uma área mais elevada, descreveu o resgate por helicóptero, com cordas lançadas para atravessar uma ponte alagada. Outras crianças, porém, não tiveram a mesma sorte. A família de Lila Bonner, de 9 anos, confirmou que seu corpo foi encontrado a 10 km do acampamento, uma das vítimas identificadas. A monitora responsável por um grupo de meninas também permanece desaparecida, intensificando a angústia das famílias.

Autoridades locais relatam que o acampamento foi “completamente destruído”, com perdas materiais totais. A tragédia no Camp Mystic, um marco cultural do Texas Hill Country, simboliza a gravidade das enchentes e expõe os riscos de construções próximas a rios em áreas de alto risco.

Mobilização intensa de resgates

A resposta à tragédia envolveu uma operação de grande escala. Mais de 1.700 profissionais, incluindo bombeiros, policiais e membros da Guarda Costeira, trabalham ininterruptamente. Helicópteros sobrevoam áreas inundadas, enquanto barcos navegam em águas turbulentas para alcançar vítimas presas em árvores ou telhados.

  • Recursos mobilizados: 14 aeronaves e mais de 100 veículos aquáticos.
  • Equipes envolvidas: Agências municipais, estaduais e federais.
  • Declaração presidencial: Trump assinou decreto de desastre em 6 de julho.
  • Área de atuação: Foco no condado de Kerr, mas com ações em Travis e Burnet.

O governador Greg Abbott, em pronunciamento, destacou um resgate dramático de uma vítima agarrada a uma árvore, com a correnteza a poucos metros. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, classificou a tragédia como “inimaginável”, reforçando o envio de ajuda federal. Apesar dos esforços, a previsão de chuvas até terça-feira dificulta as operações e aumenta o risco de novas inundações.

Chuvas recordes e falhas no alerta

As chuvas que desencadearam a tragédia ultrapassaram as previsões. Meteorologistas esperavam entre 70 mm e 150 mm de precipitação, mas algumas áreas registraram mais de 250 mm em poucas horas. O Rio Guadalupe, inserido no chamado “corredor de enchentes”, não absorveu a água, que escorreu rapidamente pelas colinas rochosas do Texas Hill Country.

O Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) emitiu alertas, mas muitos turistas, incluindo pais e monitores de acampamentos, não estavam cadastrados no sistema de notificações por celular. Austin Dickson, diretor de uma fundação local, explicou que o solo da região, pouco permeável, agrava inundações em eventos extremos.

A falta de preparação de visitantes, aliada à intensidade inesperada das chuvas, contribuiu para a escala da tragédia. Especialistas apontam que o Texas precisa rever seus protocolos de alerta, especialmente em áreas turísticas frequentadas por não residentes.

Impacto nas famílias e na comunidade

Em Ingram, uma escola primária foi transformada em ponto de reencontro, onde centenas de famílias aguardam notícias. Imagens mostram pais abraçando filhos resgatados, mas também cenas de desespero, como uma menina do Camp Mystic chorando nos braços da mãe. Chloe Crane, ex-monitora do acampamento, descreveu o local como um “espaço especial” e lamentou o terror enfrentado pelas crianças.

Elizabeth Lester, mãe de Elinor, expressou alívio por seus filhos estarem seguros, mas solidariedade às famílias que ainda buscam parentes. A confirmação da morte de Lila Bonner, uma das meninas do Camp Mystic, intensificou o luto coletivo. Outros acampamentos da região, como Camp La Junta e Camp Waldemar, conseguiram evacuar suas crianças, mas também enfrentaram perdas materiais significativas.

A tragédia uniu a comunidade em esforços de apoio. Voluntários distribuem alimentos e roupas, enquanto igrejas locais abrem suas portas para abrigar desabrigados. A comoção nacional levou a doações de todo o país, coordenadas por organizações como a Cruz Vermelha Americana.

Histórico de enchentes no Texas

O Texas Hill Country não é estranho a inundações devastadoras. Em 1987, uma enchente no Rio Guadalupe matou 10 adolescentes do acampamento Pot O’ Gold, em Comfort, a cerca de 50 km de Hunt. A semelhança entre as tragédias reacendeu críticas sobre a segurança de acampamentos e construções próximas a rios.

  • Eventos históricos: Enchente de 1987, com 10 mortes.
  • Risco climático: Mudanças climáticas aumentam a frequência de chuvas extremas.
  • Área vulnerável: Texas Hill Country, conhecido como “corredor de enchentes”.

Especialistas alertam que o aquecimento global intensifica eventos climáticos no centro-sul dos EUA, exigindo maior investimento em infraestrutura e sistemas de alerta. A tragédia de 2025 pode impulsionar mudanças regulatórias, especialmente para acampamentos de verão, que atraem milhares de crianças todos os anos.

Alerta para novas chuvas

O NWS mantém alertas de chuva intensa para os condados afetados até 7 de julho, com possibilidade de novas inundações. Jason Runyen, meteorologista entrevistado pelo “The New York Times”, afirmou que qualquer precipitação adicional pode agravar a situação, especialmente em áreas já saturadas.

Moradores de Kerrville, Hunt e Ingram foram orientados a evitar áreas baixas e buscar abrigos elevados. O vice-governador Dan Patrick lamentou a perspectiva de mais vítimas, mas reforçou o compromisso com os resgates. A combinação de chuvas persistentes e solo encharcado mantém a região em estado de emergência, com autoridades pedindo cautela à população.

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